No oitavo ano de gestão do PT, RN é classificado como ineficiente e tem o segundo pior resultado do país em educação

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No oitavo ano da gestão da governadora Fátima Bezerra (PT), o Rio Grande do Norte foi classificado como ineficiente no Ranking de Eficiência dos Estados – Folha, elaborado em parceria com o Datafolha. O estado recebeu índice geral de 0,303 e ficou em 20º lugar entre os 26 avaliados. Na educação, registrou seu pior resultado: nota 0,272 e 25ª posição, à frente somente da Bahia.

A colocação educacional pesa especialmente no resultado final. O levantamento reúne indicadores de educação, saúde, infraestrutura, segurança pública e finanças, relacionados à receita disponível por habitante. Educação e saúde têm peso dobrado. Na escala adotada, índices gerais inferiores a 0,350 recebem a classificação de “ineficiente”.

O RN é um dos sete estados nessa faixa e o penúltimo do Nordeste. A Bahia aparece logo abaixo, em 21º lugar, com índice 0,301. Na outra ponta da região, o Ceará ocupa a vice-liderança nacional, com 0,665; Piauí e Paraíba estão em 5º e 6º, respectivamente. Pernambuco, Maranhão, Sergipe e Alagoas também ficaram à frente do estado potiguar. O índice do RN está cerca de 34% abaixo da média nordestina, de 0,462. A reportagem principal da Folha destaca um contraste: o Ceará alcançou o segundo lugar mesmo tendo a menor receita corrente líquida por habitante do país.

Educação concentra o pior desempenho

A nota 0,272 coloca a educação do RN na penúltima posição nacional dentro do ranking. A Bahia ficou em último lugar nessa dimensão, com 0,165. Entre os nordestinos que aparecem no grupo geral dos eficientes, o Ceará é o 3º colocado em educação, o Piauí é o 6º e a Paraíba, o 13º.

Sala de aula da rede estadual, em imagem de arquivo. Educação tem peso dobrado no ranking, e o RN ficou em 25º lugar nessa dimensão — Foto: José Aldenir/O Correio de Hoje

O componente educacional não se limita às notas dos estudantes. Segundo a metodologia divulgada pelo Datafolha, ele considera frequência escolar de crianças e adolescentes, ingresso no ensino superior estadual por habitante, abandono no ensino médio da rede estadual e desempenho em língua portuguesa e matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Ao analisar as diferenças entre os estados, o especialista em políticas educacionais Ivan Gontijo, do Todos pela Educação, apontou à Folha a importância de políticas mantidas ao longo do tempo e da cooperação com os municípios. Sobre o modelo do Ceará, afirmou: “A lógica é de apoio estadual aos municípios”. A avaliação foi feita em reportagem da Folha sobre os fatores associados à eficiência; não é uma análise específica sobre o governo potiguar.

Saúde tem melhor posição; segurança e infraestrutura ficam em 20º

A saúde apresentou o melhor resultado do RN entre as áreas de prestação de serviços: nota 0,538 e 12º lugar. O cálculo considera cobertura da atenção primária, médicos e leitos do SUS por habitante e mortalidade infantil.

Em infraestrutura, o estado recebeu 0,388 e ficou em 20º. A dimensão combina dados de abastecimento de água, esgotamento sanitário e qualidade das rodovias. Na Pesquisa CNT de Rodovias de 2025, 391 dos 1.883 quilômetros avaliados no RN foram classificados como bons; nenhum trecho recebeu a classificação geral “ótimo”. Assim, apenas 20,8% da extensão examinada ficou nas duas melhores categorias.

A segurança pública também colocou o RN em 20º, com nota 0,384. Nessa área, o ranking utiliza a taxa de mortes violentas intencionais. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado registrou 1.007 mortes desse tipo em 2025, ante 840 em 2024. A alta de 19,6% foi a maior entre as unidades da Federação, enquanto o total nacional caiu 8,2%.

Quarto lugar em finanças não significa contas equilibradas

O desempenho financeiro destoa das demais áreas: o RN ficou em 4º lugar, com nota 0,842. Esse componente, porém, tem alcance específico. Considera o comprometimento da receita com pessoal e a relação entre dívida consolidada líquida e receita; não é uma avaliação completa da situação fiscal nem da qualidade dos serviços prestados.

O próprio Relatório de Gestão Fiscal do Governo do RN mostra o limite dessa leitura. Ao fim de 2025, a despesa com pessoal do Executivo correspondia a 56,41% da receita corrente líquida ajustada. O percentual superava tanto o limite geral de 49% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal quanto o parâmetro transitório de 52,9% aplicável ao exercício. O relatório também registra que houve redução em relação aos 57,56% apurados no encerramento de 2024.

O que o ranking permite concluir

Publicado em setembro de 2026, o estudo reúne as informações comparáveis mais recentes disponíveis para cada indicador, com referências de 2022 a 2025. Ele mostra a posição do RN diante dos demais estados nas áreas escolhidas, mas não mede isoladamente os atos de um governo nem permite atribuir todo o resultado à atual gestão. Parte dos serviços analisados também depende da atuação de municípios e da União.

O baixo desempenho potiguar antecede o governo Fátima. Na primeira edição do ranking, em 2018, antes da posse da governadora, o RN ocupava o 23º lugar, com índice 0,259. A posição atual é três colocações superior, mas o Datafolha alterou indicadores e faixas de classificação entre as edições. Por isso, a diferença não autoriza concluir, por si só, que houve melhora ou piora da eficiência ao longo dos dois mandatos.

O retrato da edição atual é inequívoco: às vésperas do fim do segundo mandato de Fátima Bezerra, o Rio Grande do Norte permanece no grupo classificado como ineficiente, fica atrás de oito estados nordestinos e tem na educação — uma das áreas de maior peso do levantamento — o segundo pior resultado do país.

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Fonte: https://agorarn.com.br/rn/no-oitavo-ano-de-gestao-do-pt-rn-e-classificado-como-ineficiente-e-tem-o-segundo-pior-resultado-do-pais-em-educacao/