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Uma forte onda de calor que atingiu o Brasil na semana do Natal mantém grande parte do país sob alertas meteorológicos enquanto o verão entra em seu auge climático, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Estados do Sudeste, Centro-Oeste e Sul permanecem sob aviso vermelho — o mais grave — que indica temperaturas pelo menos 5 °C acima da média por mais de cinco dias, com risco elevado à saúde e à vida da população.
O fenômeno, associado ao avanço das mudanças climáticas que intensificam e prolongam eventos de calor extremo, pressionou termômetros a marcas poucas vezes vistas no calendário, com cidades como Rio de Janeiro registrando máximas próximas de 40 °C no Natal e tendência de manutenção de calor intenso até o fim do mês.
Calor e saúde: alerta médico
Especialistas advertem que a exposição prolongada a temperaturas extremas representa um sério risco à saúde humana. O clínico geral Luiz Fernando Penna, coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Sírio-Libanês, explica que o calor excessivo pode levar à falência térmica, uma emergência médica caracterizada por temperatura corporal acima de 40 °C, confusão mental e pele quente e seca, cujo reconhecimento precoce é fundamental para evitar desfechos graves. O organismo, sob calor intenso, esgota seus mecanismos de regulação térmica, eleva a sudorese, acelera o batimento cardíaco e dilata vasos sanguíneos — respostas que têm limites além dos quais o corpo pode entrar em colapso.
Penna alerta que o calor agrava quadros de doenças crônicas como hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes e doença renal crônica, e que medicamentos como diuréticos e antidepressivos podem interferir na regulação térmica natural do organismo, exigindo atenção redobrada de quem faz uso desses fármacos durante ondas de calor.
Condições climáticas e mudança global
O calor intenso observado neste verão não ocorre isoladamente. Dados oficiais indicam que o verão de 2024/2025 foi um dos mais quentes já registrados no Brasil desde 1961, com temperaturas médias acima do normal mesmo sob a influência do fenômeno La Niña, que tipicamente ameniza as máximas. Esse padrão segue a tendência global de aumento de temperaturas devido às emissões de gases de efeito estufa e ao aquecimento global.
E o Nordeste? O caso do Rio Grande do Norte
Embora os avisos mais severos do Inmet neste fim de ano estejam concentrados no Sul, Centro-Oeste e Sudeste, o Nordeste, incluindo o Rio Grande do Norte, também sente a influência de padrões de calor intenso, ainda que de forma menos documentada em alertas de onda de calor específicos para dezembro. A capital Natal, conhecida como a “Cidade do Sol” por sua elevada incidência de luminosidade e clima tropical, costuma registrar máximas altas e sensações térmicas desconfortáveis no verão, com temperaturas frequentemente na casa dos 30 °C ou mais nesta época do ano, associadas a baixa variabilidade térmica e alta umidade relativa do ar.
O clima semiárido do interior potiguar, considerado altamente vulnerável às mudanças climáticas, favorece longos períodos de calor e estiagem, com projeções apontando elevação adicional de temperatura e irregularidade das chuvas nas próximas décadas, reforçando a necessidade de adaptação local a extremos térmicos cada vez mais frequentes.
Orientações e prevenção
Diante do calor extremo, autoridades de saúde e meteorologia recomendam uma série de medidas protetivas:
- Hidratação constante e evitar bebidas alcoólicas, que aceleram a desidratação;
- Redução da exposição direta ao sol entre 10h e 16h, quando a radiação é mais intensa;
- Permanecer em ambientes ventilados e usar roupas leves e de cores claras;
- Evitar exercícios físicos intensos nos horários mais quentes;
- Buscar atendimento médico ao identificar sinais de falência térmica, como confusão mental ou temperatura corporal muito elevada.
Especialistas destacam ainda que não existe adaptação completa do corpo a ondas de calor extremas, especialmente quando combinadas com alta umidade, situações cada vez mais comuns no contexto do aquecimento global.
À medida que o Brasil segue sob influência de padrões climáticos atípicos, a população é chamada a redobrar cuidados para mitigar os impactos do calor intenso — um fenômeno que já começou a moldar rotinas e colocar à prova sistemas de saúde e infraestrutura em diferentes regiões do País.
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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/onda-de-calor-extremo-alerta-semiarido-rn/


