Programa RN Mais Exportação vai ajudar a abrir novos mercados, prevê secretário

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O Governo do Rio Grande do Norte espera lançar, até outubro, o programa RN Mais Exportação, iniciativa voltada a apoiar empresas potiguares na busca por novos mercados. A medida ocorre diante dos prejuízos causados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A sobretaxa de 50% aplicada pelo governo Donald Trump já afeta diretamente setores estratégicos da economia local, especialmente o sal e o pescado.

De acordo com o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Alan Silveira, o programa vai auxiliar as empresas potiguares a diagnosticar capacidade de exportação, resolver gargalos logísticos, capacitar equipes e participar de feiras e eventos para mostrar seus produtos.

“Esse programa vai trabalhar todas as empresas que exportam aqui no nosso estado, em especial as pequenas. A gente vai dar todo o apoio, fazer diagnóstico, atuar na parte da logística, na abertura dos mercados, a parte de capacitação, de participação em feiras, eventos”, explicou o secretário, em entrevista nesta segunda-feira 22 ao programa Central Agora RN, da TV Agora RN (YouTube).

Segundo Silveira, o projeto é fruto de uma parceria com o Sebrae e deve ser lançado oficialmente ainda em outubro.

O secretário registrou que o Rio Grande do Norte foi fortemente atingido com a taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos. Ele destacou que a medida tem inviabilizado a comercialização do RN para o país norte-americano.

Para reduzir a dependência do mercado norte-americano, o governo estadual tem trabalhado para diversificar o destino das exportações, com iniciativas como o RN Mais Exportação. “Com o trabalho da equipe técnica, conseguimos abrir novos mercados. Abrimos oito novos mercados, entre eles a Geórgia, a Mauritânia, a Suécia e a Ucrânia”, relatou.

Entre os produtos potiguares que já estão sendo comercializados nesses países estão açúcar de cana, bananas, calçados, produtos têxteis e pescados. Atualmente, o RN tem acesso a 88 mercados internacionais.

Auxílio a empresas afetadas por tarifaço já preservou 12 mil empregos

Na entrevista à TV Agora RN, Alan Silveira também detalhou as iniciativas que o Governo do Estado tem adotado para mitigar os impactos do tarifaço americano nas empresas potiguares. Uma das primeiras medidas foi a ampliação do crédito de compensação financeira de exportação, que passou de R$ 1 milhão para R$ 2 milhões. “Lembrando que esse R$ 1 milhão a mais é de recurso próprio, é de recurso do Estado”, frisou.

Outra iniciativa central foi o fortalecimento do Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (Proedi). O programa concede descontos no ICMS que podem chegar a 95%. “Hoje, a gente tem empresas instaladas aqui que só pagam 5% do ICMS. Tem 95% de desconto”, detalhou o secretário.

Para reduzir os prejuízos causados pelo tarifaço, o governo estadual passou a usar o Proedi como ferramenta de compensação. A lógica é simples: quando uma empresa comprova que perdeu parte do seu faturamento nas exportações, esse percentual é convertido em desoneração de ICMS. Assim, em vez de arcar integralmente com a queda na receita, a indústria recebe um alívio fiscal proporcional, que ajuda a sustentar a produção, preservar empregos e garantir que os negócios não percam fôlego diante das barreiras impostas pelo mercado externo.

Segundo Allan, o programa já mostrou resultados significativos: “Através dessa ação do Proedi, do Governo do Estado, a gente segurou mais de 12 mil empregos, através dessa ação de benefício financeiro e fiscal. Esse valor equivale a mais ou menos 22% de todos os postos de trabalho que o Proedi gera”.

Atualmente, o Proedi beneficia cerca de 330 empresas em diferentes setores, responsáveis por quase 60 mil empregos diretos e indiretos no RN, segundo Alan Silveira.

Negociações em Brasília

O secretário também relatou que esteve em Brasília acompanhado do secretário da Fazenda, Cadu Xavier, e de lideranças do setor produtivo, como o presidente da Federação das Indústrias (Fiern), Roberto Serquiz, e representantes dos sindicatos do sal e da pesca. A comitiva se reuniu com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, além de técnicos de outros ministérios.

Entre as principais pautas apresentadas, esteve a compensação para o setor salineiro. “O setor salineiro fez um levantamento. Com esse impacto do tarifaço do governo dos Estados Unidos, o sal deixou de exportar cerca de 600 mil toneladas. E o Brasil, ele importa do Chile mais de 1.800 mil toneladas. Então, dá para a gente compensar essa perda do sal deixando de comprar uma parte do Chile para comprar do Rio Grande do Norte, já que o Rio Grande do Norte é o maior produtor de sal do Brasil”, afirmou.

No caso do pescado, a expectativa é reabrir mercados estratégicos. “Já tivemos diálogo com o pessoal da China, principalmente o consulado aqui, para a China comprar o nosso camarão e parte do nosso pescado, e de a gente abrir novamente o mercado da Europa, já que desde 2018 o Rio Grande do Norte não exporta pescado para a Europa”, acrescentou.

Reversão das tarifas dos EUA

Questionado sobre a possibilidade de reversão das tarifas impostas pelos EUA, Alan se mostrou cauteloso, mas confiante em uma redução. “De zerar, eu creio que não zera mais. Mas dá sim para, através do diálogo, demonstrando que os Estados Unidos também precisam do Brasil”, avaliou.

O secretário citou que produtos como o sal são insubstituíveis em certas funções, como o degelo durante o inverno norte-americano. “A maioria do sal comercializado eles usam para fazer o degelo, no período de inverno. Então, assim, eles vão precisar”, argumentou.

Ele acredita que haverá pressão interna sobre o governo norte-americano. “Eu creio que o governo dos Estados Unidos deve ter pressão também interna de deputados, de senadores e até mesmo do próprio comércio local, dos empresários, das indústrias, porque precisam dos produtos brasileiros. Então, eu creio que vai ter diálogo e que a gente chega num denominador, que dá para o nosso produto ser competitivo”, concluiu.

Alan lista outras iniciativas da Sedec

Além das medidas emergenciais, Alan Silveira destacou programas voltados ao fortalecimento da economia local que ele vem conduzindo desde que assumiu o cargo – em julho. Um dos exemplos é o Costura Mais RN, que leva qualificação em corte e costura para cidades do interior em parceria com Senai, Sebrae, Desenvolve RN e, mais recentemente, o grupo Guararapes.

“Durante dois meses, a gente fica na cidade, e capacita essas pessoas. No final, elas recebem um certificado do Senai e uma linha de crédito de até R$ 6 mil reais, sem juros, para comprar a máquina ou insumos. E a Guararapes entra agora como parceiro, para adquirir esses produtos e essa mão de obra”, explicou.

O programa já despertou interesse de dezenas de municípios. “A gente tem um planejamento para atingir 17 municípios, e eu já estou com uma lista de mais de 50. Todo dia eu recebo prefeitos lá no gabinete buscando esse programa que tem sido um sucesso”, afirmou.

Outra frente é o apoio a feiras e eventos que movimentam a economia potiguar. “Até o final do ano, eu criei umas oito feiras patrocinadas e apoiadas pela Sedec, pelo Governo do Estado, onde a gente fomenta e essas feiras fazem com que a economia seja fortalecida”, acrescentou.

Em outubro, a pasta também promoverá o Mês do Microempreendedor, com atividades voltadas ao fortalecimento de micro e pequenas empresas em diferentes regiões do Estado.

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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/programa-rn-mais-exportacao-vai-ajudar-novos-mercados/