Quase 43% da população de Salvador vivia em favelas em 2022, aponta IBGE

Mais de 1 milhão de pessoas viviam em favelas e comunidades urbanas em Salvador em 2022. O número representa 42,7% da população da capital baiana, que somava 1.033.258 moradores nesses territórios. Os dados são do Censo Demográfico 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e revelam também desigualdades no acesso à infraestrutura urbana.

Na Bahia, o levantamento identificou 572 favelas, o oitavo maior número entre os estados brasileiros. Juntas, essas áreas concentravam 1.370.202 moradores, o equivalente a 9,7% da população estadual. Com esse contingente, a Bahia ocupava a quarta posição no país em número de residentes nesses territórios e a sétima em proporção da população.

Salvador concentrava 262 das comunidades identificadas no estado, o equivalente a 45,8% do total. A capital tinha o quinto maior número de favelas entre os municípios brasileiros. Ao todo, 28 dos 417 municípios baianos registravam esse tipo de ocupação em 2022.

Desigualdade na infraestrutura

O Censo também identificou diferenças nas condições de infraestrutura entre as favelas e as demais áreas urbanas da Bahia. Apenas 40,1% dos moradores desses territórios viviam em ruas com calçadas ou passeios. Fora das favelas, o índice chegava a 78,8%.

A arborização também apresentava desigualdade. Nas favelas, 74,5% da população residia em vias sem árvores, enquanto o percentual era de 51,8% nas demais localidades.

Outro indicador é a acessibilidade. Apenas 1,5% dos moradores de favelas viviam em ruas com rampas para cadeirantes. Nas áreas externas a esses territórios, a proporção era de 10,9%.

Perfil dos moradores

As mulheres representavam 53,4% da população residente nas favelas baianas, com 732.068 pessoas. A participação era superior à registrada no conjunto do estado, onde elas correspondiam a 51,7% dos moradores.

Já a população com 60 anos ou mais representava 12,7% dos residentes desses territórios, o equivalente a 174.399 pessoas. Na Bahia, a proporção de idosos era de 15,3%.

A diferença também aparece no recorte racial. Nas favelas, 39,2% dos moradores se declararam pretos, quase o dobro da participação desse grupo na população estadual, de 22,4%.

Critérios do IBGE

No Censo Demográfico 2022, o IBGE retomou a nomenclatura “favelas e comunidades urbanas”, após consultas a especialistas e movimentos sociais.

A classificação considera a predominância de domicílios com insegurança jurídica da posse e a existência de pelo menos uma característica adicional, como precariedade na oferta de serviços públicos, infraestrutura construída pelos próprios moradores ou ocupação de áreas onde a presença de moradias não é permitida por lei.

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