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O reitor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), José Arnóbio de Araújo Filho, afirmou que as instituições federais de ensino precisam de um reforço orçamentário urgente para garantir o funcionamento adequado e ampliar as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Segundo ele, o orçamento atual é insuficiente e compromete o pleno desenvolvimento da rede federal.
“A gente entende que realmente precisa de mais orçamento para dar conta das ações. Hoje a gente consegue fechar o ano em 2025, mas espera que em 2026 receba mais alguma pauta de recursos para poder fazer as entregas que são necessárias”, declarou Arnóbio, em entrevista nesta terça-feira 14 ao Central Agora RN, programa da TV Agora RN (YouTube).
O reitor relatou que, mesmo com esforço de gestão e adoção de medidas de economia, os recursos disponíveis ainda estão aquém do necessário.
“Quando a gente pega a curva de investimento feita nas nossas instituições, teve ano que a gente chegou a investir na ordem de R$ 4,5 bilhões de reais. E o orçamento desse ano ficou na ordem de R$ 2,8 bilhões. Então houve um declínio”, observou.
De acordo com ele, o ideal seria um aumento de pelo menos 70% no orçamento atual, o que permitiria recuperar o nível de investimento registrado até 2014.
Economia e gestão de custos
Apesar das limitações financeiras, o IFRN tem buscado alternativas para equilibrar as contas e reduzir despesas. Uma das principais medidas adotadas pela reitoria foi a compra de energia no mercado livre, estratégia que deve gerar economia expressiva já em 2026.
“O Campus Natal-Central tem um gasto médio mensal de R$ 200 mil em conta de energia. A gente está fazendo uma conta que deve diminuir isso em 30%. É uma economia significativa. Neste ano a gente vai receber pouco, porque são três meses, mas, para o ano que vem, nos 12 meses, a gente vai ter uma economia significativa. A gente está fazendo uma conta na ordem de R$ 2,5 milhões”, detalhou o reitor.
Segundo Arnóbio, essa economia permitirá realocar recursos para áreas prioritárias, como infraestrutura e pesquisa. Ele lembrou que o IFRN também investiu na instalação de parques solares nos campi, o que tem contribuído para reduzir o custo com energia elétrica.
Além das iniciativas de economia, o reitor destacou o papel das reservas técnicas internas e a necessidade de um planejamento cuidadoso para que cada campus consiga encerrar o exercício fiscal sem déficit.
Dependência de emendas parlamentares
José Arnóbio chamou atenção para o que considera um problema estrutural na forma como as instituições de ensino federal têm sido financiadas: a dependência crescente de emendas parlamentares individuais e de bancada.
Para o reitor, o modelo de repasse por emendas aprofunda desigualdades dentro da própria Rede Federal. Ele defende que o recurso deveria ser centralizado no Ministério da Educação, garantindo uma distribuição mais equitativa entre os institutos. “O ideal é que esse recurso fosse aportado lá no MEC”, propôs.
No caso do IFRN, a média de recursos obtidos por meio de emendas parlamentares em 2024 foi de cerca de R$ 9 milhões, enquanto outros institutos chegaram a receber mais de R$ 130 milhões. “A simetria é muito ruim, porque aí eu vou ter um instituto que vai conseguir fazer muita coisa e outro que não vai conseguir proporcionar nada. A gente já conseguiu esse recurso, mas tem instituto que não conseguiu captar um real de emenda parlamentar”, relatou.
Mesmo com as dificuldades, o reitor destacou o apoio da bancada federal potiguar. Ele citou emendas destinadas pelos deputados federais Benes Leocádio (União), Fernando Mineiro (PT) e Natália Bonavides (PT), além da senadora Zenaide Maia (PSD).
Expansão e novos campi
Outro tema abordado na entrevista foi a incorporação dos Institutos Estaduais do Rio Grande do Norte (Ierns) à Rede Federal, o que permitirá a expansão do IFRN para novas regiões.
Segundo Arnóbio, três unidades — Touros, São Miguel e Umarizal — já foram recebidas e estão em processo de ampliação.
“A gente recebeu três prédios, com o mesmo módulo. A rede estadual focou só no ensino médio, então a gente tem perspectiva de ensino superior em cada um desses campi. O que a gente fez foi dialogar com os prefeitos e conseguimos uma expansão de cada um deles”, explicou.
O Ministério da Educação liberou R$ 15 milhões para cada campus, e as prefeituras disponibilizaram áreas adicionais para ampliação.
“Umarizal, por exemplo, eu consegui mais nove hectares de área para poder fazer uma expansão. O MEC liberou para cada um desses três mais R$ 15 milhões que a gente está começando a utilizar. Em Umarizal e São Miguel a gente já começou; Touros foi o que demorou mais, estamos na fase de licitação”, relatou.
A previsão é que os novos campi passem a ofertar ensino médio integrado e cursos técnicos em 2026, o que depende da aprovação de um projeto de lei que cria cargos e funções no Executivo.
“A ideia é que o PL vá para o Congresso Nacional e que os parlamentares, independentemente da cor partidária, entendam que isso é uma demanda importante para o Estado brasileiro. Com a aprovação, a gente vai ter a possibilidade de ofertar ensino médio integrado, educação profissional em Umarizal, Touros e São Miguel”, disse.
Educação e vulnerabilidade social
Além das questões estruturais, o reitor ressaltou a importância social da rede federal, especialmente no atendimento a estudantes em situação de vulnerabilidade. Arnóbio mencionou a tramitação de um projeto de lei que trata do financiamento da alimentação e do transporte escolar, pontos que considera essenciais para garantir o acesso dos alunos.
“Já tem muito aluno que vive em situação de vulnerabilidade social. A gente tem feito uma ação junto ao Congresso Nacional para que a gente consiga, inclusive nesta quarta, Dia do Professor, a aprovação do PL 3096, que versa sobre alimentação e transporte escolar. Esperamos que seja aprovado, porque, com isso, a gente vai garantir um bolo maior de orçamento para alimentação e para transporte, que são duas demandas fundamentais para que o aluno chegue nas nossas instituições”, explicou.
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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/reitor-ifrn-orcamento-campi-abertos-2026/

