Secretário diz que Estado elabora plano contra desabastecimento em hospitais

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O secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, afirmou nesta segunda-feira 1º que o Rio Grande do Norte já vem adotando medidas para enfrentar o desabastecimento em hospitais da rede pública. A declaração foi dada em entrevista à Jovem Pan Natal, após decisão da 5ª Vara da Fazenda Pública determinar que o Estado apresente, em até 15 dias, um plano para solucionar a falta de insumos.

Segundo Alexandre Motta, atualmente cerca de 72% dos itens estão cobertos. “A baixa no fornecimento se dá por vários fatores, inclusive falhas nossas do ponto de vista do pagamento”, disse. O secretário informou ainda que entregas de materiais foram retomadas na última semana e que a expectativa é de regularização dentro do prazo judicial.

O gestor apontou três fatores como principais entraves financeiros: restos a pagar, bloqueios judiciais de aproximadamente R$ 30 milhões por mês e o subfinanciamento da saúde. “Nós temos, por mês, por volta de R$ 30 milhões de bloqueios. Isso dá R$ 360 milhões ao ano, aproximadamente 2% do orçamento da saúde”, afirmou. Ele acrescentou que a dívida do setor é estimada em R$ 500 milhões, mas disse que o valor não tem aumentado devido a pagamentos regulares.

Alexandre Motta defendeu o aumento do orçamento da saúde para 14,5% da receita líquida do Estado a partir de 2026, para compensar bloqueios judiciais e garantir equilíbrio financeiro. “Já coloquei para a Assembleia. Eu acho que precisa pensar dessa maneira”.

O secretário de Saúde também afirmou que o Estado busca descentralizar os serviços hospitalares, priorizando polos regionais para reduzir a sobrecarga das unidades da Grande Natal. Atualmente, o RN possui 21 hospitais públicos.

“O ideal mesmo é que nós tivéssemos menos hospitais e os que tivessem, tivessem com plena capacidade. Então, fica muito difícil do ponto de vista político quando a cidade já tem um hospital para ir lá e fechá-lo. Porque a expectativa das pessoas é que aquele hospital venha a funcionar mais e não menos”, disse. Segundo ele, o objetivo é estruturar ao menos um hospital de grande porte em cada uma das oito regionais de saúde.

Alexandre Motta citou como exemplos positivos os hospitais de Pau dos Ferros, que já oferecem atendimento para infarto e AVC, o Hospital da Mulher e o Hospital de Assú. “A gente está criando alguns polos de funcionalidade que estão fazendo um desafogo dos hospitais da região metropolitana”, afirmou.

Sobre o Hospital Walfredo Gurgel, maior unidade pública do Estado, o secretário reconheceu as dificuldades, mas afirmou que não haverá prioridade exclusiva. “A gente não pode criar exclusividade para uma situação onde está todo mundo em dificuldades”, disse.

Segundo ele, os hospitais estaduais são tratados de forma igual, levando em conta particularidades de cada unidade. “Eu não posso deixar, por exemplo, que um hospital do interior esteja plenamente abastecido em detrimento do Walfredo. Eu tenho que criar as condições de que o Walfredo esteja pleno, mas, ao mesmo tempo, eu não posso fazer com que a rede se desabasteça”, completou.

Fila de cirurgias no RN cai de 44 mil para 33 mil, afirma Alexandre Motta

O secretário de Saúde do Rio Grande do Norte, Alexandre Motta, afirmou em entrevista à Jovem Pan Natal que a fila de cirurgias no Estado, que atualmente soma 33 mil procedimentos, já chegou a 44 mil no ano passado. Segundo ele, o RN foi proporcionalmente o estado que mais realizou operações.

“Eram 44 mil. Esse ano nós estamos com 33 mil e nós fomos o estado que proporcionalmente mais realizou. E a nossa intenção é continuar nesse ritmo. Nós temos condições de garantir essas cirurgias”, disse Alexandre Motta. Ele ressaltou que há procedimentos sendo realizados em diferentes hospitais da rede estadual. “As coisas estão andando.”

O secretário reconheceu, no entanto, dificuldades em áreas específicas, como cirurgias cardíacas, que atualmente só são realizadas no Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol). “Nós temos, por exemplo, poucos cirurgiões cardíacos na rede. Eles não operam porque a gente não tem espaço físico de ter essa capacidade”, afirmou.

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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/secretario-elabora-desabastecimento-em-hospitais/