Tarifaço ameaça exportações do RN aos EUA

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A possibilidade de os Estados Unidos ampliarem as tarifas sobre produtos brasileiros acendeu um alerta entre os setores exportadores do Rio Grande do Norte. Caso o governo de Donald Trump confirme a adoção simultânea de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros e de outra de 12,5% relacionada à investigação sobre trabalho forçado, determinados bens poderão passar a enfrentar uma tributação acumulada de 37,5% para entrar no mercado americano. Segundo projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a medida atingiria 4.187 produtos brasileiros, correspondentes a US$ 14,9 bilhões em exportações. A decisão final do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) é esperada para 15 de julho.

No Rio Grande do Norte, a preocupação é concentrada em segmentos fortemente voltados ao comércio exterior. A fruticultura irrigada, com destaque para melão, melancia, manga e mamão; a pesca, especialmente de atum, lagosta e outros pescados; além da indústria salineira e de produtos alimentícios figuram entre os setores que mantêm relações comerciais com compradores norte-americanos e podem enfrentar perda de competitividade caso os custos de importação aumentem. O Estado é um dos principais exportadores brasileiros de frutas frescas e pescado, atividades que dependem de mercados externos para manter parte relevante de sua produção.

Os Estados Unidos representam um dos principais destinos de produtos industrializados e agropecuários brasileiros. De acordo com a CNI, os bens que podem ser atingidos pelas novas tarifas são, em sua maioria, produtos intermediários utilizados pela indústria americana. Eles respondem por 62% do universo de mercadorias potencialmente afetadas, o que, segundo a entidade, tende a elevar custos de produção para empresas dos próprios Estados Unidos e pressionar preços ao consumidor.

“O aumento das tarifas compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria norte-americana”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

O embaixador Roberto Azevêdo representa a entidade na audiência pública promovida pelo USTR em Washington. Dos 80 inscritos para participar da sessão, 66 manifestaram posição contrária à adoção da tarifa adicional de 25%, defendendo que a medida poderá gerar efeitos negativos tanto para exportadores brasileiros quanto para empresas americanas que utilizam matérias-primas e componentes importados do Brasil.

A investigação comercial foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da legislação americana. O USTR concluiu preliminarmente que práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento poderiam restringir o comércio dos Estados Unidos. Paralelamente, outra investigação avalia a possibilidade de aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% relacionada a alegações sobre trabalho forçado.

Para o Rio Grande do Norte, o cenário adiciona um componente de incerteza em um momento de expansão das exportações. Além da consolidação da fruticultura irrigada e da pesca oceânica, o Estado busca ampliar sua pauta exportadora com novos mercados para sal marinho, produtos minerais e, mais recentemente, animais vivos, após a habilitação do Porto de Natal para esse tipo de operação. Embora parte desses segmentos tenha mercados diversificados na Europa, Oriente Médio e Ásia, os Estados Unidos permanecem como destino estratégico para diversas empresas exportadoras potiguares.

A CNI sustenta que a adoção das novas tarifas não encontra justificativa sob os aspectos jurídico, econômico ou estratégico e defende que a solução para o impasse seja construída por meio de negociação bilateral.

“A imposição de uma tarifa adicional de 25% não se justifica sob os aspectos jurídico, econômico e estratégico. A CNI defende que o diálogo e a cooperação bilateral são o caminho mais adequado para preservar uma relação sólida entre os dois países”, afirmou Alban.

Enquanto o governo brasileiro busca uma solução diplomática antes da decisão prevista para a próxima semana, exportadores do Rio Grande do Norte acompanham as negociações atentos aos possíveis reflexos sobre contratos, investimentos e geração de empregos.

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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/tarifaco-ameaca-exportacoes-do-rn-aos-eua/