Um em cada quatro idosos do RN tem alguma deficiência, aponta IBGE

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Uma em cada quatro pessoas com 60 anos ou mais no Rio Grande do Norte convive com alguma deficiência. A proporção chega a 24,9% nessa faixa etária, quase três vezes o índice de 8,9% registrado na população potiguar. Os dados fazem parte da 2ª edição da publicação Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, divulgada nesta sexta-feira 18 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento mostra como a ocorrência de deficiência aumenta com o envelhecimento. Entre crianças de 2 a 9 anos, a proporção era de 2,1% no Censo Demográfico de 2022. Na população de 40 a 59 anos, alcançava 10,6% e mais que dobrava a partir dos 60 anos, chegando aos 24,9%.

Ao todo, o Estado tinha 123 mil pessoas com deficiência. Pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, são consideradas nesse grupo as pessoas com impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial que, em interação com barreiras, podem limitar a participação plena e efetiva na sociedade.

As diferenças aparecem também por sexo, cor ou raça. Entre as mulheres potiguares, 9,8% tinham alguma deficiência, ante 7,9% dos homens. As maiores proporções foram observadas entre pessoas amarelas, com 11,9%, e pretas, com 11,1%. Nos demais grupos, os índices ficaram entre 8% e 8,9%.

Na educação básica, o Rio Grande do Norte aparece acima das médias regional e nacional em alguns indicadores de acessibilidade. Em 2025, 42,6% das escolas tinham profissionais de apoio para estudantes com deficiência. Foi a maior proporção do Nordeste e a quinta maior do País, acima dos 32,5% registrados na região e dos 26,2% do Brasil.

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A presença desses profissionais, porém, é desigual entre as redes. Nas escolas públicas, 52,1% tinham profissionais de apoio, enquanto nas instituições privadas o índice era de apenas 5,8%. Nas salas de recursos multifuncionais para atendimento educacional especializado, o cenário é diferente: 36,3% das escolas públicas e 36,1% das privadas dispunham da estrutura.

Outro avanço ocorreu nos banheiros acessíveis. O recurso estava presente em 63% das escolas potiguares em 2025, ante 42,5% em 2016, crescimento de 20,5 pontos percentuais. O resultado colocou o RN na segunda posição do Nordeste, atrás de Sergipe, com 74,8%, e acima das médias regional, de 50,8%, e nacional, de 57%.

Considerando outros recursos, 87,2% das escolas do Estado possuíam ao menos um item de acessibilidade em 2025. A proporção avançou 18 pontos percentuais desde 2019 e superou os índices do Nordeste, de 63,9%, e do Brasil, de 64,7%.

Mercado de trabalho ainda expõe diferenças

Os indicadores educacionais convivem com uma participação menor das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Em 2022, a taxa de ocupação desse grupo no Rio Grande do Norte era de 25,2%, enquanto a população geral registrava 48,2%. A renda apresenta outra diferença. Entre os homens com deficiência, o rendimento médio era de R$ 1.241, próximo dos R$ 1.271 recebidos pelos homens sem deficiência. Entre as mulheres, a distância era maior: aquelas com deficiência recebiam, em média, R$ 1.113, enquanto as mulheres sem deficiência tinham rendimento de R$ 1.271.

No ensino superior, a participação de profissionais com deficiência é ainda menor. Dos mais de 5.652 professores em exercício no Rio Grande do Norte em 2024, apenas cinco eram pessoas com deficiência. A proporção, de 0,09%, foi a segunda menor do Brasil, atrás apenas do Piauí, com 0,05%. Acre e Roraima não tinham professores com deficiência registrados.

Dos cinco docentes potiguares, quatro trabalhavam em instituições privadas, universo que reunia 2.079 professores. Na rede pública, havia apenas um docente com deficiência entre 3.573 profissionais, equivalente a 0,03%, o menor resultado do País tanto em números absolutos quanto proporcionais.

A pesquisa também revela diferenças na cobertura das políticas municipais. Em 2023, 109 dos 167 municípios potiguares possuíam política ou programa de promoção dos direitos da pessoa com deficiência, ante 113 em 2019. As iniciativas mais frequentes eram inclusão no ambiente escolar, presente em 93 cidades, melhoria da acessibilidade dos espaços públicos, em 87, e prevenção à discriminação, em 69.

No mesmo ano, 150 municípios declararam possuir algum equipamento ou iniciativa de acessibilidade, ante 132 em 2019. Sanitários acessíveis estavam presentes em 88 cidades, enquanto 58 informaram contar com rampas externas e rebaixamento de calçadas e 34 tinham pessoal capacitado para atendimento a pessoas com deficiência.

A presença de estruturas institucionais específicas é menor. Apenas 23 municípios tinham Conselho Municipal de Direitos da Pessoa com Deficiência, dos quais 17 estavam ativos. No ambiente digital, 73 prefeituras, ou 43,7% do total, permitiam em 2023 navegar por todos os itens interativos de seus sites sem o uso do mouse. Outras 22 cidades tinham pessoal capacitado para atendimento em Libras na sede do governo municipal e 41 ofereciam tradução de conteúdo para Libras em suas páginas na internet.

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Fonte: https://agorarn.com.br/rn/um-em-cada-quatro-idosos-rn-deficiencia-ibge/