Família cobra respostas sobre morte após cirurgia plástica

Belém e Pará – Dois meses após a morte de Giovanna Coelho Gomes, a família afirma que ainda aguarda respostas sobre duas frentes do caso: o pedido apresentado ao Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) e o andamento da investigação após a conclusão do inquérito policial.

A cobrança foi feita nesta semana por Ana Caroline Coelho, irmã de Giovanna. Segundo ela, a família não recebeu, até o momento, resposta sobre o pedido de suspensão cautelar apresentado ao CRM-PA contra o cirurgião plástico André Santana Melo. A irmã também afirma que os familiares seguem aguardando os próximos encaminhamentos do caso no Ministério Público.

“60 dias do caso Giovanna e seguimos igual a 15 dias atrás. Sem promotor e sem resposta do CRM”, afirmou Ana Caroline.

A manifestação ocorre depois de uma etapa importante da investigação. A Polícia Civil do Pará concluiu o inquérito que apurou a morte de Giovanna e indiciou quatro médicos: André Santana Melo, Cesar Collyer Carvalho, Marcelo Antony Dantas de Veiga Cabral e Aline do Socorro Lima Kzam.

O indiciamento é resultado da investigação policial e não representa condenação. A eventual responsabilização criminal depende das próximas etapas previstas no sistema de Justiça.

Giovanna morreu aos 29 anos, em 8 de agosto, um dia depois de ser submetida a uma cirurgia plástica. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil depois do óbito e ganhou novas frentes de apuração com a análise do prontuário, depoimentos, documentos e perícias.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou como causa da morte choque hemorrágico associado à síndrome compartimental abdominal, decorrentes de hemorragia pós-operatória em planos teciduais após procedimento cirúrgico plástico.

A conclusão da perícia passou a integrar o conjunto de elementos analisados pela Polícia Civil.

O inquérito também examinou a atuação dos profissionais que participaram da cirurgia e do atendimento posterior. No relatório final, a Polícia Civil individualizou as condutas atribuídas aos quatro médicos indiciados.

No caso de André Melo, responsável pela cirurgia, a investigação apontou elementos relacionados à realização do procedimento e ao acompanhamento pós-operatório. O relatório também analisou os registros de comunicação entre o médico e integrantes da equipe durante o período em que Giovanna apresentou agravamento do quadro.

Um dos registros citados na investigação é uma mensagem enviada pelo enfermeiro Murillo Rodrigues Monteiro ao cirurgião durante a madrugada de 8 de agosto, informando sobre a piora da paciente.

A investigação também analisou a participação do anestesiologista e dos médicos que estavam relacionados ao atendimento durante os plantões seguintes. Ao final, os quatro foram indiciados pela Polícia Civil.

Família também aguarda resposta do CRM

Paralelamente à investigação criminal, a família apresentou ao CRM-PA um pedido de suspensão cautelar contra André Melo.

Na petição, Ana Caroline apresenta os elementos reunidos durante a investigação e cita o laudo do IML. O documento também questiona a realização de diferentes procedimentos cirúrgicos no mesmo ato e a assistência prestada no período pós-operatório.

A família argumenta que os elementos já reunidos justificam a análise de uma medida cautelar enquanto a apuração na esfera médico-disciplinar estiver em andamento.

A adoção ou não de uma eventual medida cabe ao Conselho Regional de Medicina, dentro dos procedimentos previstos para esse tipo de apuração.

Segundo Ana Caroline, porém, a família ainda não recebeu uma resposta sobre o pedido.

A irmã também afirma que André Melo continua realizando procedimentos cirúrgicos. Essa informação é atribuída à família e integra a cobrança feita ao Conselho.

O que acontece agora

Com o encerramento do inquérito policial, o caso entra em uma nova etapa. A conclusão da Polícia Civil deverá ser analisada pelas autoridades responsáveis pelo prosseguimento da investigação criminal.

É nesse ponto que a família afirma estar aguardando uma manifestação do Ministério Público e indica que, até o momento, não há promotor designado para o caso.

Enquanto isso, a família continua acompanhando também a tramitação na esfera médico-profissional.

Aos 60 dias da morte de Giovanna, portanto, o caso tem uma investigação policial concluída, um laudo do IML apontando a causa do óbito e quatro médicos indiciados. Na outra frente, segundo Ana Caroline, a família segue sem resposta sobre o pedido apresentado ao CRM-PA.

A família afirma que continuará acompanhando as duas frentes e cobrando esclarecimentos sobre as circunstâncias que levaram à morte da jovem.

O espaço permanece aberto para manifestação de André Melo e de sua defesa sobre o indiciamento, o pedido apresentado ao CRM-PA e os demais pontos levantados pela família.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/60-dias-sem-giovanna-familia-cobra-resposta-do-crm-e-aguarda-ministerio-publico-apos-inquerito/