O Círio de Nazaré está perto e Belém começa a viver de maneira ainda mais intensa o período de preparação para uma das maiores manifestações de fé religiosa do país. Para devotos e devotas de Nossa Senhora de Nazaré, a chegada dos festejos nazarenos representa um momento de renovação da fé, agradecimento por graças alcançadas e fortalecimento dos laços familiares e comunitários construídos em torno da devoção à padroeira da Amazônia.
Na Basílica Santuário de Nazaré, templo que ocupa um lugar central na tradição nazarena, fiéis de diferentes gerações e idades já demonstram expectativa para as procissões que integram a programação do Círio. Para muitos deles, o período é marcado por sentimentos que vão além da participação nas celebrações religiosas. É também uma oportunidade de reunir familiares, rever tradições transmitidas entre gerações e reafirmar a fé em Nossa Senhora de Nazaré.
Entre os devotos que vivem esse período com expectativa está a empresária Mônica Pena, 41. A relação dela com a padroeira da Amazônia começou ainda na infância, por influência dos pais, que a levavam para participar das missas na Basílica de Nazaré. “Quando eu era criança, minha mãe e meu pai já me traziam para as missas. Desde então me considero católica”, conta a empresária.
A tradição familiar permaneceu ao longo dos anos e se transformou em uma prática de fé que Pena mantém até hoje. Pelo menos uma vez por semana, ela frequenta a Basílica para momentos de oração, conversa e agradecimento diante da imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Segundo ela, o templo é um espaço de acolhimento e de proximidade com a santa, especialmente nos períodos em que busca tranquilidade ou deseja agradecer pelas bênçãos conquistadas.
Para a empresária, com a proximidade do Círio, a emoção se torna ainda mais intensa e a preparação para as procissões faz com que a expectativa dos devotos aumente gradativamente, à medida que o mês de outubro se aproxima. “Quando o Círio vai chegando perto, a sensação de fé e emoção parece ficar maior”, afirma.
A empresária conta que um dos momentos que mais reforçam sua devoção ocorre quando está na Basílica e direciona o olhar para a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, localizada no alto do Glória. De acordo com ela, a experiência proporciona uma sensação de calma e proteção, sentimentos que se tornam ainda mais presentes durante o período que antecede as romarias. “Na Basílica, enquanto olho para a Virgem, consigo me sentir mais calma e protegida.”

‘Estamos na contagem regressiva’
A preparação para o Círio também passa pelos detalhes que fazem parte da tradição familiar. Para este ano, Mônica já está encomendando camisas para que os familiares possam acompanhar o período nazareno vestidos em homenagem à santa. A participação nas principais procissões também faz parte da rotina da família. “Eu sempre vejo a Trasladação e o Círio. Estamos na contagem regressiva. É um momento único para nós católicos”, destaca.
O sentimento de expectativa e fé também é compartilhado pela universitária Laura Pinheiro, 23. Assim como Mônica, ela afirma que a devoção a Nossa Senhora de Nazaré foi construída desde a infância, a partir da convivência com familiares que a levavam à Basílica para participar de missas e outras celebrações litúrgicas. Pinheiro ressalta que a fé católica faz parte de sua trajetória desde os primeiros anos de vida e, ao longo do tempo, a devoção à padroeira da Amazônia tornou-se cada vez mais significativa.
“Eu me reconheço católica desde quando eu nasci. A fé em Nossa Senhora de Nazaré só aumenta com o tempo”, afirmou, emocionada. A relação com o Círio não se limita à participação nas duas grandes procissões que marcam o fim de semana principal das celebrações. A universitária também procura participar de outros momentos da programação, especialmente aqueles que envolvem a chegada dos romeiros e a mobilização dos devotos durante os dias que antecedem o Círio.
Como forma de agradecimento pelas conquistas que atribui à intercessão de Nossa Senhora de Nazaré, a estudante de Medicina Veterinária participa todos os anos do Traslado dos Carros, considerado a primeira procissão oficial realizada na programação do Círio, na quarta-feira que antecede o domingo da grande procissão.


A participação da universitária também envolve ações de solidariedade. Ela conta que realiza doações de sopa para os romeiros que chegam a Belém durante a quinta e a sexta-feira que antecedem o Círio. Conforme ela, a iniciativa representa outra maneira de vivenciar a fé durante o período nazareno, especialmente por meio da ajuda oferecida aos peregrinos. Além disso, ela participa da Rodorromaria, realizada na sexta-feira, e acompanha a Trasladação no sábado. A sequência de atividades faz com que os dias que antecedem o Círio sejam vivenciados de maneira intensa.
Pinheiro diz que cada uma dessas experiências contribui para reforçar a relação de fé construída com Nossa Senhora de Nazaré. A participação nas procissões e nas ações relacionadas ao Círio também representa uma forma de manter viva uma tradição que acompanha sua família há anos. “É uma sensação inexplicável. A energia é muito diferente. Isso faz termos mais força”,pontua.
Conversão aos 49 anos após ouvir um ‘chamado’
Quando setembro chega, o aposentado Raimundo Silva, 65, afirma perceber uma mudança no sentimento da comunidade católica paraense diante da proximidade do Círio. Ele acredita que a chegada do período nazareno faz com que os fiéis fiquem mais sensibilizados e envolvidos com a preparação para as celebrações de outubro. A história de devoção de Silva, no entanto, começou de uma maneira diferente. Ele conta que se converteu ao catolicismo aos 49 anos, depois de acreditar ter sentido um chamado de Nossa Senhora de Nazaré.


A partir daquele momento, a relação com a santa passou a ocupar um espaço importante na vida dele. Atualmente, pelo menos uma vez por semana, o aposentado vai à Basílica de Nazaré para momentos de oração, agradecimento e súplica. Para ele, o templo é um lugar onde encontra força para enfrentar dificuldades e momentos de provação. Silva afirma que a presença diante da imagem de Nossa Senhora proporciona uma sensação de fortalecimento espiritual, principalmente quando enfrenta situações adversas.
“Eu posso estar passando por problemas e provações diversas, mas quando eu olho para nossa mãe eu me sinto fortalecido para qualquer desafio”, relata. Com as romarias bem perto de acontecerem, o aposentado considera que o mês de outubro representa o ponto máximo de manifestação coletiva de fé. “É nesse período que a devoção do povo paraense se torna ainda mais visível nas ruas, nas igrejas e na participação dos fiéis nas diferentes atividades do Círio.”
Silva explica que a relação dele com Nossa Senhora de Nazaré também está associada à gratidão. Eu acredito na intercessão de nossa mãe diante de Deus e me sinto amparado pelas orações e pedidos que faço ao longo da minha vida. Sou muito grato porque sempre sou ouvido por ela”, conclui.
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/a-espera-pelo-cirio-devotos-revelam-como-vivem-a-contagem-regressiva/
