Belém e Pará – Faltando pouco mais de um mês para a Semana Santa, uma das penitências observadas pela comunidade católica é a abstinência de carne vermelha na Sexta-Feira Santa, período inserido na Quaresma. O consumo de peixe na data é tradição ligada ao gesto de penitência e respeito à morte de Jesus Cristo, celebrada nesse dia. Entretanto, o preço dos pescados já está em elevação na capital paraense.
Pesquisa divulgada neste mês feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) e pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Belém (Sedcon) aponta que, em janeiro, a maioria dos pescados comercializados nos principais mercados municipais de Belém voltou a registrar alta nos preços, configurando um cenário de carestia no início do ano.
Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, 16 dos 21 tipos de pescado pesquisados apresentaram aumento. O filhote liderou as altas, com variação de 18,07%, seguido da gurijuba (15,13%), corvina (13,28%), bagre (12,62%) e pescada gó (12%). Por outro lado, algumas espécies registraram recuo, como a piramutaba (-13,56%) e o cação (-7,68%). Segundo o levantamento, as quedas podem estar associadas à maior oferta pontual e a características específicas de comercialização.
De acordo com o Dieese/PA, a tendência é de manutenção da pressão de alta sobre a maioria dos pescados comercializados, não apenas em Belém, mas em todo o Pará, ao menos até a Semana Santa, período em que tradicionalmente há aumento da demanda por este alimento. O cenário é influenciado ainda pelo fato de o estado figurar entre os maiores exportadores de pescado do país, com volume anual superior a 8 mil toneladas, o que intensifica a concorrência entre os mercados interno e externo e contribui para a elevação dos preços.
Além disso, fatores sazonais e ambientais exercem papel decisivo na formação dos valores, especialmente na transição entre o fim e o início de cada ano, quando há redução da oferta de pescado disponível. “Estamos falando de aumentos no preço em função do defeso de muitas espécies. Se diminui a oferta, os preços sobem”, afirma o supervisor técnico do Dieese/PA, Everson Costa.
Somam-se a esse contexto mudanças no regime de marés e nas condições climáticas, que dificultam a atividade pesqueira, ampliam o tempo de deslocamento e elevam custos operacionais, sobretudo com combustíveis e logística. Esses fatores acabam sendo repassados ao consumidor final, com impactos mais perceptíveis na capital paraense. “É importante o consumidor pesquisar, porque não há tendência de queda. Pelo contrário, até a Semana Santa podem ocorrer novos aumentos”, reforça Costa.
Impacto nos Consumidores
Na avaliação do corretor de imóveis Antonio Garcia, 66, os preços estão estáveis neste período, apesar da expectativa de alta com a proximidade da data religiosa. Consumidor assíduo, ele afirma que o pescado faz parte da alimentação diária dele, já que não consome carne vermelha. “Eu não abro mão do peixe, independentemente da época e do preço”, ressalta.
Já a dona de casa Maria Torres, 72, afirma perceber que os preços dos pescados estão começando a subir. Ela compra pescado ao menos uma vez por semana para o consumo da família. Entre as espécies preferidas estão a dourada e a pescada gó. Segundo Torres, o aumento de preço é comum neste período do ano. “O preço costuma aumentar com a proximidade da Semana Santa, mas eu não vou deixar de comprar”, destaca.
Variação de Preços dos Pescados
Maiores altas entre dezembro/2025 e janeiro/2026
1 – Filhote. Preço quilo em janeiro/2026: R$ 39,79. Preço quilo em dezembro/2025: R$ 33,70. Variação mensal: 18,07%
2 – Gurijuba. Preço quilo em janeiro/2026: R$ 32,03. Preço quilo em dezembro/2025: R$ 27,82. Variação mensal: 15,13%
3 – Corvina. Preço quilo em janeiro/2026: R$ 25,00. Preço quilo em dezembro/2025: R$ 22,07. Variação mensal: 13,28%
4 – Bagre. Preço quilo em janeiro/2026: R$ 16,33. Preço quilo em dezembro/2025: R$ 14,50. Variação mensal: 12,62%
5 – Pescada Gó. Preço quilo em janeiro/2026: R$ 18,39. Preço quilo em dezembro/2025: R$ 16,42. Variação mensal: 12%
Maiores quedas entre dezembro/2025 e janeiro/2026
1 – Piramutaba. Preço quilo em janeiro/2026: R$ 14,98. Preço quilo em dezembro/2025: R$ 17,33. Variação mensal: -13,56%
2 – Cação. Preço quilo em janeiro/2026: R$ 19,00. Preço quilo em dezembro/2025: R$ 20,58. Variação mensal: -7,68%c
Fonte: https://diariodopara.com.br/seu-bolso/alta-do-pescado-em-belem-deve-continuar-ate-a-semana-santa/

