Égua Manu desabafa sobre depressão: ‘Luta invisível’

Após uma sequência de publicações que preocupou seguidores e mobilizou amigos, a influenciadora paraense Emanuela Freitas, dona do perfil Égua Manu falou pela primeira vez ao DIÁRIO sobre a batalha que enfrenta contra a depressão. Em entrevista exclusiva, ela refletiu sobre a falta de compreensão em torno da doença, os julgamentos recebidos após seu desabafo e a importância da rede de apoio em um momento de fragilidade.

Uma das frases mais marcantes da conversa resume o que, segundo ela, muitas pessoas que convivem com a depressão enfrentam diariamente:

“Se a depressão sangrasse, as pessoas iam ver essa luta invisível que a gente sofre”.

O desabafo de Manu ganhou grande repercussão nos últimos dias. A influenciadora havia publicado mensagens relatando exaustão e dificuldades para continuar enfrentando o sofrimento que acompanha sua vida há anos. Enquanto seguidores, amigos e outros influenciadores iniciaram uma corrente de apoio, também surgiram comentários questionando suas intenções e fazendo julgamentos sobre a exposição de sua situação nas redes sociais.

A invisibilidade da depressão

Manu afirma que ainda existe muita desinformação sobre o que realmente significa viver com depressão.

“Eu acho que ainda existe muita falta de informação sobre o que realmente é a depressão. Às vezes, as pessoas olham e pensam que é falta de vontade, falta de fé ou que basta a pessoa querer melhorar. E não é assim. Depressão é uma doença, e não é uma escolha”, afirma.

Segundo a influenciadora, uma das reações que mais revelam a falta de compreensão são os conselhos simplistas dirigidos a quem está em sofrimento.

“As pessoas falam para eu ‘reagir’, como se, em um estalar de dedos, eu conseguisse ficar bem. Falam que eu tenho que ir em templos religiosos, pois lá encontrarei a cura”, relata.

Para Manu, o caminho deveria ser outro.

“O mais importante é a empatia. Você pode não ver a dor do outro, mas se solidarize com ele”, diz.

A influenciadora acredita que, quando alguém consegue verbalizar que enfrenta uma depressão, aquele momento deveria ser interpretado como um pedido de ajuda — e não como motivo para ataques ou julgamentos.

“Quando uma pessoa desabafa falando que tem depressão, ela está pedindo ajuda, gritando por socorro e, na maioria das vezes, recebe palavras duras”, afirma.

Foi nesse contexto que ela resumiu a dimensão invisível da doença.

“Eu falo sempre que, se a depressão sangrasse, as pessoas iam ver essa luta invisível que a gente sofre”.

“NÃO EXISTE UMA CARA PARA A DEPRESSÃO”

Outro ponto destacado por Manu durante a entrevista é a forma como a doença ainda é associada, de maneira equivocada, a uma imagem permanente de tristeza, isolamento ou incapacidade.

Para ela, essa percepção impede que muitas pessoas percebam o sofrimento de quem continua trabalhando, sorrindo e mantendo uma vida aparentemente normal.

“Uma pessoa com depressão não necessariamente está triste o tempo inteiro, isolada ou sem conseguir fazer nada. Quando eu não estou em crise, consigo conversar, trabalhar, sair, sorrir, ter uma vida social e, ao mesmo tempo, estar enfrentando uma batalha enorme por dentro”, explica.

A influenciadora ressalta que a depressão pode ser invisível para quem observa apenas o lado externo da vida de alguém.

“As pessoas não fingem depressão. As pessoas fingem que estão bem”, afirma.

A frase carrega um alerta que Manu considera fundamental, especialmente durante o Setembro Amarelo.

“Não existe uma ‘cara’ para a depressão. Nem sempre quem está sofrendo parece estar sofrendo”, diz.

Segundo ela, muitas pessoas só percebem a dimensão do sofrimento depois que uma situação extrema acontece.

“E muitas vezes, quando a pessoa chega a atentar contra sua vida, as pessoas falam: ‘Nossa, mas ela era tão feliz’. E isso é o pior. Ninguém percebeu enquanto a pessoa estava gritando por dentro”, afirma.

Ataques e a importância da rede de apoio

Embora sua situação tenha provocado uma grande mobilização nas redes sociais, Manu conta que não acompanhou diretamente a repercussão dos últimos dias.

Segundo ela, familiares e amigos assumiram a administração de suas redes sociais e passaram a protegê-la do conteúdo publicado durante esse período.

“Eu não cheguei a ver tanta mobilização porque não estou a par das minhas redes sociais. Minhas redes estão sendo geridas por familiares e amigos”, explica.

Foi por meio da própria rede de apoio que ela soube da corrente formada por seguidores, influenciadores e outras pessoas que decidiram se manifestar.

“Eles disseram que teve uma grande mobilização de seguidores, influenciadores e pessoas que queriam ajudar”, conta.

Mas a repercussão também trouxe ataques.

Segundo Manu, familiares e pessoas próximas encontraram comentários cruéis direcionados não apenas a ela, mas também à sua família.

“Também sofreram muitos ataques, julgamentos, comentários muito cruéis sobre mim e sobre a minha família”, revela.

Por causa do momento de fragilidade, sua rede de apoio decidiu impedir que ela tivesse contato com parte dessas mensagens.

“Minha rede de apoio está me protegendo de ler esses comentários. Eles não querem acabar machucando ainda mais uma pessoa que está fragilizada”.

A decisão evidencia a importância de uma estrutura de proteção quando alguém enfrenta uma crise emocional.

Enquanto as redes sociais podem mobilizar solidariedade, elas também podem se transformar em um ambiente de violência para pessoas que já estão em sofrimento.

“DECIDIRAM NÃO DESISTIR DE MIM”

Mesmo sem acompanhar diretamente toda a mobilização, Manu fez questão de agradecer às pessoas que escolheram demonstrar apoio.

A influenciadora afirma que recebeu informações sobre uma corrente formada por seguidores, amigos e pessoas que decidiram ajudá-la em um momento em que ela própria já não encontrava forças para continuar.

“Eu sou muito grata a todos que decidiram não desistir de mim quando eu mesma já tinha desistido”.

A declaração da influenciadora reforça um dos principais alertas levantados pelo debate sobre saúde mental: nem sempre é possível identificar externamente a dimensão da batalha travada por uma pessoa.

Por trás de uma rotina aparentemente normal, podem existir sofrimento, exaustão e uma tentativa silenciosa de continuar.

A fala de Manu também chama atenção para o peso das palavras dirigidas a alguém que decide expor uma fragilidade. Para ela, a empatia precisa ocupar o espaço dos julgamentos.

A pessoa pode não compreender completamente a dor do outro. Mas pode escolher não aumentar esse sofrimento.

Ajuda para tratamento

No intento de ter mais força para lidar com o quadro clínico, a Manu recebeu recomendação médica de um tratamento chamado Estimulação Magnética Transcraniana (EMT), uma metodologia não invasiva que utiliza campos magnéticos para modular a atividade de áreas específicas do cérebro e aliviar sintomas de transtornos mentais e neurológicos.

Para isso, a família e os amigos abriram uma vaquinha, com meta de R$ 15 mil, que está aberta a doações, e a chave é [email protected].

Em meio ao Setembro Amarelo, Manu deixa uma mensagem que ultrapassa sua própria história e alcança outras pessoas que convivem diariamente com uma doença que nem sempre pode ser vista. “Você pode não ver a dor do outro, mas se solidarize com ele”.

Se você ou alguém próximo enfrenta sofrimento emocional intenso, procure ajuda. O Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188. Em situações de risco imediato à vida, acione o Samu pelo número 192 e procure atendimento presencial de urgência.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/as-pessoas-nao-fingem-depressao-fingem-que-estao-bem-diz-egua-manu-em-entrevista-exclusiva/