A Região Metropolitana de Belém apresentou uma das evoluções sociais mais significativas do país nos últimos anos. Dados do Boletim Desigualdade nas Metrópoles 2026, divulgado na quinta-feira, 11 de junho, revelam que a capital paraense conseguiu combinar redução da desigualdade, crescimento da renda e uma expressiva queda dos indicadores de pobreza e extrema pobreza entre 2022 e 2025.
O resultado ganha ainda mais relevância quando comparado ao cenário nacional. O levantamento mostra que, no conjunto das metrópoles brasileiras, a desigualdade de renda voltou a crescer em 2025. O coeficiente de Gini das regiões metropolitanas do país alcançou 0,511, interrompendo a trajetória de queda observada no ano anterior.
Na contramão desse movimento, Belém registrou melhora em indicadores considerados fundamentais para medir qualidade de vida e distribuição de renda.

Desigualdade diminui em Belém
Um dos principais indicadores analisados pelo estudo é o coeficiente de Gini, utilizado mundialmente para medir a desigualdade de renda. Quanto mais próximo de zero, menor é a concentração de renda.
Em Belém, o índice caiu de 0,561 em 2022 para 0,539 em 2025, redução de 0,022 ponto, o equivalente a aproximadamente 3,9%.
O resultado demonstra que a distribuição de renda se tornou menos desigual na região metropolitana paraense durante o período analisado, cenário diferente do observado em grande parte das metrópoles brasileiras, onde o indicador apresentou aumento.


Renda cresce acima de R$ 300 em três anos
A melhora também aparece nos rendimentos da população.
Segundo o levantamento, o rendimento domiciliar per capita passou de R$ 1.691 em 2022 para R$ 2.034 em 2025. O crescimento foi de R$ 343 em apenas três anos, representando alta de aproximadamente 20,3%.
Embora Belém ainda permaneça abaixo da média das metrópoles brasileiras, que alcançou R$ 2.766 em 2025, o avanço demonstra uma recuperação importante da renda das famílias paraenses.
O estudo destaca que a renda média das metrópoles brasileiras atingiu em 2025 o maior nível de toda a série histórica iniciada em 2012.


Ganhos maiores entre os mais pobres
Um dos dados mais relevantes do levantamento está na evolução da renda entre os segmentos mais vulneráveis da população.
Entre os 40% mais pobres, o rendimento médio saltou de R$ 470 para R$ 585 entre 2022 e 2025.
O crescimento foi de aproximadamente 24,5%, percentual superior ao avanço observado na renda média geral da população.
Na prática, isso significa que os ganhos econômicos alcançaram de forma mais intensa justamente os grupos de menor renda, contribuindo para reduzir as desigualdades sociais.
Esse movimento ajuda a explicar a melhora registrada nos indicadores de pobreza observados no mesmo período.


Pobreza cai quase 30%
A proporção de moradores vivendo abaixo da linha de pobreza apresentou uma das reduções mais significativas do estudo.
Em 2022, 37,3% da população da Região Metropolitana de Belém estava nessa condição. Em 2025, o índice recuou para 26,6%.
A queda foi de 10,7 pontos percentuais, o equivalente a uma redução relativa de aproximadamente 28,7%.
O resultado acompanha uma tendência observada em todo o país. Segundo o levantamento, a taxa de pobreza nas metrópoles brasileiras caiu para 18,4% em 2025, o menor patamar de toda a série histórica iniciada em 2012.
Além disso, mais de 10 milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza nas regiões metropolitanas brasileiras desde 2021.
Mesmo permanecendo acima da média nacional, Belém apresentou uma redução expressiva e consistente do indicador.


Extrema pobreza despenca 43,6%
O dado mais impactante do levantamento aparece na extrema pobreza.
Em Belém, a taxa caiu de 5,5% em 2022 para 3,1% em 2025.
A redução foi de 2,4 pontos percentuais, o equivalente a uma queda de aproximadamente 43,6% em apenas três anos.
Na prática, isso significa que quase metade das pessoas que viviam em situação de extrema vulnerabilidade deixou essa condição durante o período analisado.
O desempenho é ainda mais relevante porque a extrema pobreza é considerada um dos indicadores mais difíceis de reduzir, já que envolve famílias com rendimentos extremamente baixos.
No cenário nacional, a taxa de extrema pobreza das metrópoles brasileiras caiu para 3,2% em 2025, um dos menores níveis registrados desde o início da série histórica.
Com índice de 3,1%, Belém passou a apresentar resultado praticamente alinhado à média metropolitana nacional.


Programas de transferência de renda podem ajudar a explicar avanço
Embora o novo levantamento não investigue as causas específicas da melhora observada em Belém, especialistas costumam apontar que a combinação entre crescimento da renda, expansão do emprego e políticas de transferência de renda exerce influência direta sobre os indicadores sociais.
Um levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já havia apontado o Pará como um dos estados com maior crescimento da renda domiciliar per capita do país durante o período pós-pandemia.
Dados divulgados ainda em 2022 mostraram que o Pará registrou aumento de 41% na renda domiciliar per capita em 2021, o terceiro maior crescimento do Brasil naquele momento. O resultado colocou o Estado atrás apenas do Rio Grande do Norte, com 53%, e de Alagoas, com 47%.


Na época, o governo estadual atribuiu parte desse desempenho a programas de apoio econômico criados durante a pandemia da Covid-19, entre eles o Renda Pará, Vale Gás, Fundo Esperança, Incentiva Pará e o vale-alimentação escolar.
Segundo o IBGE, o rendimento domiciliar per capita leva em consideração tanto os rendimentos do trabalho quanto outras fontes de renda recebidas pelas famílias.
Os números divulgados agora pelo Boletim Desigualdade nas Metrópoles mostram que, alguns anos depois, Belém continuou apresentando melhora em indicadores importantes. Entre 2022 e 2025, a Região Metropolitana registrou crescimento da renda média, aumento dos rendimentos entre os mais pobres e reduções expressivas da pobreza e da extrema pobreza.
Embora não seja possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito apenas com os dados disponíveis, os resultados sugerem que a combinação entre recuperação econômica, mercado de trabalho e políticas de transferência de renda pode ter contribuído para a melhora observada nos indicadores sociais da capital paraense.
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/belem-derruba-extrema-pobreza-em-436-e-se-destaca-entre-as-metropoles-do-brasil/

