“Está mais quente do que antes”. A frase tem sido repetida por moradores da Grande Belém diante dos dias cada vez mais abafados registrados nas últimas semanas. Embora os termômetros não estejam marcando temperaturas recordes, a combinação entre calor intenso, umidade elevada, redução das chuvas e forte incidência de radiação solar está criando um cenário que faz muita gente acreditar que a região enfrenta uma verdadeira onda de calor.
Fatores que contribuem para o abafamento
Dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) mostram que a atmosfera permanece mais estável sobre grande parte do Pará. Ao mesmo tempo, mecanismos atmosféricos estão reduzindo a formação de nuvens carregadas e diminuindo os volumes de chuva. Com isso, o calor acumulado ao longo do dia encontra menos obstáculos para permanecer sobre as cidades. O resultado é uma sensação de abafamento que se prolonga por horas e torna as atividades ao ar livre mais desgastantes.
Para esta segunda-feira, 15 de junho, a previsão indica temperatura máxima de 32°C em Belém, com mínima de 23°C. No entanto, o que mais chama atenção é a umidade relativa do ar, que pode variar entre 65% e 95%. Essa combinação dificulta a evaporação do suor, principal mecanismo utilizado pelo corpo humano para perder calor. Por isso, muitas pessoas sentem temperaturas bem mais elevadas do que aquelas registradas oficialmente.
Verão amazônico e ilhas de calor
Além disso, a previsão aponta baixos volumes de chuva para a capital e para a Região Metropolitana de Belém. Menos chuva significa menos resfriamento natural da atmosfera e mais calor acumulado em ruas, prédios e áreas asfaltadas. A situação é típica do período de transição para o chamado verão amazônico, quando as precipitações começam a diminuir gradualmente.
Outro indicador reforça a sensação de desconforto. Dados meteorológicos apontam índice ultravioleta extremo, condição que aumenta os riscos da exposição prolongada ao sol e contribui para a sensação de calor excessivo durante as horas mais quentes do dia. A recomendação é reforçar a hidratação e evitar atividades sob sol intenso entre o fim da manhã e o meio da tarde.
As análises meteorológicas também destacam o papel das chamadas ilhas de calor urbanas. O crescimento das áreas construídas, a redução da cobertura vegetal e a grande quantidade de concreto e asfalto favorecem o armazenamento de calor. Durante a noite, parte dessa energia continua sendo liberada para a atmosfera, impedindo um resfriamento mais eficiente.

Percepção da população e cuidados
Apesar da percepção crescente da população, meteorologistas ressaltam que a confirmação de uma onda de calor depende de critérios técnicos específicos e de análises históricas de temperatura. Ainda assim, os fatores observados atualmente ajudam a explicar por que tanta gente tem a impressão de que Belém está muito mais quente do que em anos anteriores.
Entre temperaturas acima dos 30°C, umidade elevada, menos chuva e radiação solar intensa, a realidade é uma só para quem vive na Grande Belém: os dias estão cada vez mais difíceis de enfrentar sem ventilador, ar-condicionado ou uma boa garrafa de água por perto.
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/belem-ferve-meteorologia-explica-por-que-o-calor-esta-parecendo-mais-forte/

