O inverno amazônico traz com ele um alerta sobre a prevenção de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Com chuvas mais intensas e frequentes, aumenta o risco de pequenos recipientes acumularem água, ambiente onde o inseto transmissor da dengue, chikungunya e zyka se reproduz.
Mesmo que os dados epidemiológicos apontem uma redução no número de casos de dengue confirmados em janeiro deste ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, a Coordenadora de Epidemiologia e Endemias da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), Daniele Sardinha, destaca que é preciso sempre manter a vigilância e combater a proliferação do mosquito.
“Em 2025, Belém teve dois óbitos por dengue e 800 casos confirmados. Já em 2026, a gente tem 26 casos confirmados, até o momento”, apresenta. “Comparando o mesmo período do ano passado, em janeiro de 2025 foram 176 casos confirmados e em janeiro de 2026 foram 26 casos confirmados. Então, a gente conseguiu reduzir drasticamente o número de casos confirmados de dengue. Mas o que a gente precisa, hoje, é sensibilizar a população para ela também ser a fiscalizadora da sua casa”.
Além de verificar se tem água parada em casa e eliminar esse foco, a população também pode colaborar com o combate às doenças transmitidas pelo Aedes permitindo que o agente de controle de endemias entre nas residências para fazer a fiscalização. “O nosso agente de controle de endemia tem o uniforme dele, tem o crachá que o identifica e ele é do bairro”.
Em relação aos casos de chikungunya e da zyka, Daniele aponta que, em 2025, não houve casos confirmados entre moradores de Belém. Houve apenas dois casos confirmados de chikungunya, mas de pessoas que estavam em visita à capital paraense.
“De chikungunya, tivemos apenas dois casos em 2025 que eram de viajantes da COP que estavam na África. Em Belém, de 2018 pra cá, não há circulação de chikungunya e nem zika. Não há registros da doença em residentes de Belém, a gente registra de pacientes de outros municípios que têm histórico de viagens, mas de pessoas que moram em Belém e que foram infectados aqui, não temos casos”.
Para que o cenário permaneça assim, é preciso monitorar frequentemente os espaços em casa onde há contato com a chuva. Se o morador encontrar um recipiente com água parada em casa, no quintal, o ideal é secar esse foco: jogar fora essa água toda e virar o recipiente de cabeça pra baixo para não deixar que a água acumule novamente.
A coordenadora orienta, ainda, que o uso de repelente também é recomendado, principalmente para gestantes, já que a dengue, a chikungunya e principalmente a zika podem causar complicações não só para a mãe, mas também para o bebê.
“Mas é claro que a gente pode usar o repelente também na criança, no idoso, assim como fazer uso do mosqueteiro. Mas se a gente trabalhar eliminando o foco do mosquito na nossa casa, a gente já reduz muito esse risco também”, reforça Daniele Sardinha, ao destacar os locais onde normalmente há maior registro de focos do mosquito.
PADRÃO
“Continua sendo um padrão: casas abandonadas, terrenos abandonados. Claro, a gente encontra focos em muitos domicílios que têm pessoas morando, mas a maioria mesmo são imóveis abandonados, terrenos baldios”.
Nesses casos, Daniele explica que há uma estratégia a ser adotada para eliminar os focos. Quando se certifica que o imóvel está, realmente, abandonado, é solicitado apoio da Guarda Municipal para que os agentes de endemias possam entrar no local. E também nesses casos, o apoio da população é fundamental ao acionar os órgãos fiscalizadores através do Disque Denúncia.
No que depender da autônoma Inês Magalhães, 66, a proteção contra as doenças transmitidas pelo mosquito da dengue está garantida. Ela aponta que costuma verificar frequentemente as condições do quintal de casa para se certificar que não há acúmulo de água parada.
“Eu nunca tive dengue, mas é uma preocupação que a gente sempre tem de ficar olhando o quintal pra ver se não tem água acumulada porque nesse período de chuva o risco é grande. A gente sempre tem bastante cuidado porque, às vezes, um mosquitinho desse pode causar um problema grave”.
Mais do que eliminar possíveis focos no seu próprio quintal, o autônomo Mário Soares conta que também costuma conversar com os vizinhos para que façam o mesmo. “A gente tem que tomar esses cuidados, sim, porque existe muito esse material de reciclagem que as pessoas deixam guardado pegando chuva, às vezes no quintal, aí acumula sempre aquela água mesmo”, considera.
“Às vezes é uma tampinha, essas vasilhas de margarina, um copo descartável, então, a gente alerta as pessoas também porque é necessário que a gente cuide disso aí para prevenir, para ajudar o nosso órgão público também porque se a gente não cuidar da gente, quem vai cuidar?”.
FIQUE ATENTO
AOS SINTOMAS
Além das medidas de prevenção, é preciso ficar atento também aos sintomas clássicos da dengue e demais arboviroses como a chikungunya e a zyka. Daniele Sardinha aponta que os sintomas clássicos incluem febre, dor no corpo, manchas na pele, prostração, cansaço, dor de cabeça e, em alguns casos, vômito.
“Nesse momento, é muito importante o paciente evitar automedicação porque o único medicamento que ele pode tomar é o paracetamol. Ele não pode tomar ibuprofeno, não pode tomar AAS infantil ou outro tipo de anti-inflamatório porque esses anti-inflamatórios evitam agregação de plaquetas, então, eles vão afinar o sangue e isso aumenta a probabilidade de o paciente ter uma dengue grave ou uma dengue hemorrágica por conta do uso do medicamento errado”, orienta.
“Então, se o paciente está em caso suspeito, o ideal é que ele não se automedique e procure o médico. E se a febre não passar depois de dois ou três dias, também precisa procurar qualquer unidade básica de saúde, UPA ou hospital. Todas as UPAs e hospitais de Belém têm o teste rápido da dengue, a gente faz a coleta do RT-PCR e faz esse manejo porque o tratamento da dengue é hidratação, não existe medicamento contra dengue. A gente hidrata muito esse paciente, por via oral ou por soro na veia, e vai tratando os sintomas até ele se recuperar. Fazer automedicação pode ser muito perigoso”.
Monitoramento e controle contribuíram com redução
A redução observada nos casos confirmados de dengue em janeiro deste ano, em relação ao mesmo mês de 2025, teve uma contribuição importante das estratégias de monitoramento e controle do mosquito. De acordo com a Coordenadora de Epidemiologia e Endemias da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), Daniele Sardinha, a redução dos casos está muito ligada ao uso de duas estratégias: as Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs) e as ovitrampas (armadilhas de ovoposição).
“O município de Belém instalou mais de 5 mil EDLs. Quando a fêmea do Aedes pousa nessas estações para colocar os ovos, na pata dela vai impregnar um veneno, um larvicida. E quando ela for colocar os ovos em outro local com água parada, o larvicida da pata dela vai soltar e já vai matar os ovos que ela vai botar lá. Com isso, a gente tem uma quebra da cadeia de transmissão”, explica.
“Além dos EDLs, o município também instalou ovitrampas, que é um balde que fica sendo monitorado pelos agentes comunitários de endemias. Com eles, é possível contar a quantidade de ovos e verificar se, naqueles ovos, tem o vírus. Com isso, a gente consegue ver qual é o bairro que tem mais ovos e em que o vírus está circulando para entrar com as ações de prevenção”.
l10 PASSOS CONTRA O MOSQUITO AEDES AEGYPTI
1) Tampe caixas d’água, ralos e pias;
2) Higienize bebedouros de animais de estimação;
3) Descarte pneus velhos junto ao serviço de limpeza urbana de sua cidade. Caso precise guardá-los, mantenha-os em local coberto, protegidos do contato com a água;
4) Retire a água acumulada da bandeja externa da geladeira e bebedouros e lave-os com água e sabão;
5) Limpe as calhas e a laje da sua casa e coloque areia nos cacos de vidro de muros que possam acumular água;
6) Coloque areia nos vasos de plantas;
7) Amarre bem os sacos de lixo e não descarte resíduos sólidos em terrenos abandonados ou na rua;
8) Faça uma inspeção em casa pelo menos uma vez por semana para encontrar possíveis focos de larvas;
9) Sempre que possível, faça uso de repelentes e instale telas, especialmente nas regiões com maior registro de casos;
10) Receba bem os agentes Comunitários de Saúde e de Controle de Endemias que trabalham em sua cidade.
Fonte: Ministério da Saúde
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/belem-reduz-casos-de-dengue-mas-cuidados-tem-que-continuar/

