Cada vez mais presentes nas ruas de Belém, as bicicletas deixaram de ser apenas uma opção de lazer e passaram a integrar a rotina de trabalho e mobilidade de milhares de pessoas. Usadas para entregas, vendas ambulantes, deslocamento diário ao trabalho, atividades profissionais e momentos de lazer, elas são um meio de transporte acessível, sustentável e multifuncional na capital paraense. A “magrela” se tornou aliada de quem pedala pela cidade para economizar, praticidade e qualidade de vida.
“É uma questão de necessidade associada à saúde”, afirmou Jorge Júnior, 52 anos, que optou pela bicicleta há pelo menos dez anos. De início, o trânsito caótico de Belém foi um dos principais motivos para que trocasse o automóvel pela bike. Outro ponto essencial para a troca foi a melhoria da qualidade de vida, com a prática diária de exercício físico, além da preservação do meio ambiente, devido a ausência de emissão de gases do efeito estufa.
Assim, de segunda a sexta, Jorge cumpre o trajeto de ida e volta de casa, no bairro do Marco, ao trabalho, em Val-de-Cans, um percurso de cerca de 7,7 quilômetros. Nas folgas, a bicicleta é a única que não descansa. Para resolver problemas no centro da cidade ou visitar os pais em Ananindeua, é nela que Jorge segue pelas ruas da cidade, preferindo, sempre, os locais com ciclovia.
“Faço o meu trajeto diário no meu tempo, tomando todos os cuidados necessários e, claro, obedecendo às leis de trânsito, que nós, ciclistas, não estamos fora desse contexto. Eu prefiro fazer os meus deslocamentos de bike e aproveitar as ciclovias, que foram estendidas aqui na capital com a COP-30. Nós já tínhamos algumas ciclofaixas, mas com o evento a nível mundial isso melhorou um pouco, mas o trânsito continua o mesmo, então eu opto por andar de bicicleta”, contou o militar.
Segundo o ciclista, há uma grande diferença em andar de bicicleta quando começou em relação aos dias atuais. Isso porque, no início, a cidade mal tinha ciclofaixas, que são delimitações na pista de rolamento destinadas exclusivamente para ciclistas, dividindo o fluxo com outros veículos. As ciclovias, então, eram ainda mais raras.
“Quando comecei lá atrás, a gente não tinha nem ciclofaixa, imagine ciclovia, que é um acesso mais sinalizado, com mais segurança para o ciclista. A gente andava por gostar de bicicleta, gostar de pedalar. Hoje a gente já tem mais espaços, mas sempre tem desafios. Um dos maiores é tomar cuidado com os outros veículos. Por exemplo, um motociclista passou no sinal fechado e tem um ciclista atravessando, é complicado. Então, os desafios são sempre em tomar cuidado no trânsito porque essa questão dos veículos maiores respeitarem os menores não funciona muito bem na prática”, revelou Jorge.
Aos 66 anos, Nazareno Barroso continua pedalando pelas ruas de Belém. Morador do bairro da Cremação, ele conta que a bicicleta é o principal meio de transporte há mais de 40 anos. No início, ele usava a “magrela” para chegar ao trabalho, em uma fábrica no Distrito Industrial, em Ananindeua, saindo de casa às quatro da manhã. Depois, o trajeto mudou e a bike saía rumo ao bairro de Águas Lindas, também na Região Metropolitana.
“Eu sempre andei de bicicleta. Na época em que eu trabalhava, eu saía de madrugada para Ananindeua pedalando. Hoje eu não trabalho mais, mas continuo indo de bicicleta para os lugares e para a minha igreja, que fica no Entroncamento. Eu sempre levo minhas coisas nela também, minha mochila e a minha muleta, que é até uma forma de alertar as motos, os carros e pedir respeito para eu andar com segurança porque muita gente não respeita o meu espaço”, relatou o pedreiro aposentado.
Foi a bicicleta que também o ajudou na reabilitação após um episódio de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Hoje, após seis anos, ele já não trabalha mais e, agora, pedala da Cremação até a igreja Assembleia de Deus, no Entroncamento, sempre pelas ciclovias da cidade. É pela prática constante de atividade física e pela praticidade que ele não larga a sua fiel escudeira do transporte urbano.
“Eu não deixo de pedalar porque mexe com o meu corpo, eu consigo fazer atividade física e ir para os lugares, melhora a minha saúde. Eu gosto de sair nela porque lá em casa é muito som na vizinhança e isso mexe com a cabeça. Então, eu uso a bicicleta para desanuviar os pensamentos e me exercitar. Eu pretendo andar muito tempo de bicicleta ainda”, afirmou o idoso.
DIFICULDADES
“Deveria ser melhor o calçamento, assim como ficou na Duque de Caxias”, avalia o aposentado. Para Nazareno, o pedal em Belém ainda enfrenta muitos desafios, principalmente em relação à infraestrutura das ruas da capital, que dificilmente apresentam espaço exclusivo para bicicletas. “Algumas ciclovias têm que mudar, tem que melhorar, principalmente o piso. Tem lugares que é muito difícil de andar ou perigoso passar no meio dos carros. Isso precisava de um olhar melhor para nós ciclistas”, finalizou.





Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/bicicletas-se-tornaram-um-meio-de-transporte-indispensavel/

