O calor intenso em Belém tem levado pessoas idosas a adaptar a rotina e reforçar os cuidados com a saúde. Aumentar o consumo de água, manter uma alimentação equilibrada e buscar ambientes mais frescos são algumas das medidas adotadas para enfrentar as altas temperaturas, que também têm afetado o sono e o bem-estar da população.
A mudança de hábitos é relatada por beneficiárias do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Município de Belém (Iasb). Esses cuidados têm sido cada vez mais necessários, principalmente na parcela idosa da população, a qual é a mais vulnerável aos impactos do calor extremo, representando cerca de 70% das internações por doenças relacionadas ao calor no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde.
Na terceira idade, a atenção à hidratação se torna muito importante, visto que, com o avanço da idade, o organismo pode apresentar uma redução na percepção da sede, algo que consequentemente aumenta o risco de desidratação.
Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) ainda revela que, durante períodos de calor intenso, as internações de pessoas com 60 anos ou mais aumentam em até 25%. As principais causas são doenças cardiovasculares ou respiratórias provocadas pelo calor excessivo.
Idosos relatam mudanças na rotina por causa do calor
Aos 72 anos, a servidora pública aposentada Maria de Lurdes Pereira Furtado procura manter uma rotina de cuidados para preservar a saúde, como beber água regularmente, caminhar todos os dias e priorizar alimentos saudáveis, como frutas, legumes e verduras. Para ela, manter a disciplina com esses hábitos é ainda mais importante durante os períodos de calor intenso.
“Nós, idosos, precisamos nos cuidar ainda mais. Eu procuro beber bastante água, caminho todos os dias e tenho muito cuidado com a alimentação. Dou preferência a frutas, legumes e verduras, sempre com pouco sal e pouca gordura. São cuidados que fazem parte da minha rotina e que considero ainda mais importantes nesse período de calor”
disse Maria de Lurdes à Agência Belém
A professora Maria Juliana Nazaré de Souza, de 68 anos, também percebeu mudanças no cotidiano. Acostumada às temperaturas elevadas da capital paraense, ela relata que o calor recente passou a interferir até mesmo na hora de dormir. “Belém sempre foi uma cidade quente, mas agora estou sentindo um calor muito mais intenso”, relatou.
Antes, ela conseguia desligar a ventilação durante a noite, mas agora precisa mantê-la ligada por mais tempo. A professora também passou a tomar mais banhos e aumentou o consumo de água para aliviar o desconforto provocado pelas altas temperaturas.

A sensação de que a cidade de Belém parece estar mais quente, relatada pela professora, não está acontecendo por acaso: ela tem relação com os efeitos do El Niño, fenômeno climático que altera os padrões de circulação atmosférica e influencia o clima em diferentes regiões do planeta.
De acordo com o boletim de setembro do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) juntamente com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), há 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026.
No Pará e em outras áreas do Norte, a previsão aponta para temperaturas acima da média e chuvas abaixo do esperado, condições que podem agravar a sensação de calor e prolongar a estiagem.
Hidratação é um hábito primordial na terceira idade
O médico clínico geral do Iasb, Wilson Yoshimitsu Niwa, explica que o envelhecimento pode reduzir a percepção da sede. Com isso, algumas pessoas idosas deixam de beber água em quantidade suficiente porque não sentem necessidade de se hidratar.
Segundo ele, muitos idosos também não bebem água regularmente para evitar idas ao banheiro. Porém, isso pode aumentar o risco de desidratação, principalmente em períodos de temperaturas elevadas.
Por esse motivo, a orientação do profissional é manter uma rotina de hidratação ao longo do dia, mesmo quando a sensação de sede não aparece. Além disso, é importante procurar ambientes mais frescos e evitar permanecer em locais muito quentes, sobretudo nos horários de maior intensidade do calor, entre as 10h e 16h.
“O principal cuidado é manter uma rotina de hidratação, mesmo quando não se sente sede. Muitos idosos acabam evitando beber água porque precisam ir ao banheiro várias vezes, mas é fundamental manter a ingestão adequada de líquidos. Também orientamos que procurem ambientes mais frescos e evitem permanecer em locais muito quentes, principalmente nos períodos de calor mais intenso.”
afirmou o médico


Se proteger do calor é importante em qualquer idade
A proteção contra o calor intenso é importante em todas as idades, já que as altas temperaturas podem provocar desidratação, queda de pressão, tontura e exaustão térmica.
Para reduzir esses riscos, é recomendado beber água ao longo do dia, usar roupas leves, permanecer em ambientes frescos e ventilados, evitar atividades físicas e exposição direta ao sol nos horários mais quentes e utilizar protetor solar.
Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas precisam de atenção redobrada, mas todos devem ficar atentos a sinais como fraqueza, dor de cabeça, náuseas e mal-estar.
- Estagiária sob supervisão de Clayton Matos
Fonte: https://diariodopara.com.br/clima/calor-intenso-em-belem-faz-idosos-mudarem-habitos-e-redobrarem-cuidados-com-a-saude/

