A morte da adolescente Clara Iasmin Souza da Costa, de 14 anos, atropelada na última sexta, 24, enquanto pedalava na ciclofaixa da avenida Senador Lemos, em Belém, motivou um ato de ciclistas na noite desta segunda-feira (27). A mobilização reuniu coletivos, familiares e apoiadores em um percurso que saiu do Theatro da Paz até o local do ocorrido.
Coordenador do grupo que convocou a manifestação, Cid Kamijo, do Bike Belém, destacou que o movimento vai além de uma homenagem. Segundo ele, há um esforço para mudar a forma como esses casos são tratados. “Primeiramente, é importante esclarecer a terminologia. Em vez de ‘acidente’, empregamos ‘sinistro de trânsito’, que reflete com mais precisão uma falha humana”, explica.
Segundo Kamijo, o ato buscou conscientização na necessidade de respeito no trânsito, além de cobrar por leis mais duras em casos de crimes cometidos por condutores. “Estamos aqui mais uma vez por causa de uma morte, a da Iasmin, como a do Alex, um menino de 13 anos atropelado há um ano por um motorista embriagado que ainda não foi preso. A ausência de medidas efetivas e a impunidade nos preocupam. Tememos que a situação se repita”, afirmou.
Ao chegar no local do acidente, na Senador Lemos com a Perebebuí, na Sacramenta, os ciclistas fecharam a via e entoaram palavras de ordem. O advogado Fernando Beckman, presidente da Comissão de Trânsito da OAB Pará, reforçou a necessidade de políticas públicas mais efetivas e de conscientização coletiva.
“A vida não tem preço. Precisamos da efetivação de políticas públicas, de fiscalização e de educação no trânsito. O ciclista é um veículo como qualquer outro e tem direito à via”, afirmou. Ele também chamou atenção para o papel da sociedade. “É preciso entender que cada um tem seu espaço no trânsito. A gente precisa colaborar para que nenhuma vida mais seja perdida”.
PAIS
Em meio à mobilização dos ciclistas, o momento mais comovente foi a presença dos pais de Clara, que pedem justiça e responsabilização da condutora envolvida no caso. A mãe, Josilene Sousa, afirmou que a dor da perda se transformou em luta. “Nada vai trazer minha filha de volta, mas lutarei por justiça até o fim. As câmeras mostram que não houve socorro. Estou aqui por ela”, declarou.
O pai, Isaías Costa, também cobrou respostas. “Tiraram uma vida, tiraram minha filha. Ela era estudiosa, carinhosa, cheia de sonhos. Isso não pode ficar impune”, disse. Segundo ele, a família pretende acompanhar o caso até as últimas instâncias. “Tenho certeza de que a verdade vai prevalecer”. A família também reclamou da condução do inquérito pela delegacia que investiga o caso.
Segundo Isaías, os parentes ainda não conseguiram ter a comprovação se houve ou não a coleta de exame de alcoolemia na acusada. O pai também contesta a liberação da motorista, cerca de duas horas após o acidente, mesmo com o atropelamento resultando em morte.
Em nota, a Polícia Civil informou que as circunstâncias do atropelamento são apuradas pela Seccional da Sacramenta.
De acordo com a PC, a motorista do veículo permaneceu no local, acionou o socorro e em seguida se apresentou espontaneamente na unidade policial para prestar esclarecimentos, sendo liberada em seguida, conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Um boletim de ocorrência por homicídio culposo foi registrado e perícias foram solicitadas para auxiliar nas investigações.
Clara Iasmin de Sousa da Costa, de 14 anos, foi atropelada por uma Fiat Toro dirigida por Nádia do Socorro Souza Guerreiro, uma bancária de aproximadamente 50 anos, no fim da tarde do dia 24. A vítima estudava em uma escola próxima do local e voltava para casa em uma bicicleta quando foi atingida.
Nádia Guerreiro tentava cruzar da passagem Gastão para a Perebebuí, quando acertou a adolescente em cima da ciclofaixa. Iasmin chegou a sobreviver por alguns instantes, mas morreu minutos depois. A reportagem não conseguiu contato com a acusada até o fechamento desta edição.
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/ciclistas-fazem-manifestacao-em-lembranca-a-morte-de-clara-costa/

