O uso irregular de ciclofaixas por motociclistas tem se tornado uma preocupação crescente em Belém, especialmente em vias movimentadas como a avenida João Paulo II. Ciclistas que utilizam diariamente esses espaços relatam que a prática já virou rotina e compromete diretamente a segurança de quem depende da bicicleta para locomoção ou atividade física.
O alerta ganhou ainda mais força após um acidente recente registrado na própria João Paulo II, que terminou com a morte de uma enfermeira identificada como Lilian. O incidente ocorreu na quinta-feira, dia 26. Segundo relatos que circularam nas redes sociais, a vítima teria sido atingida após uma colisão envolvendo uma motocicleta e, na sequência, acabou atropelada por um caminhão. Imagens do momento repercutiram amplamente e reacenderam o debate sobre imprudência no trânsito e o uso indevido das ciclofaixas na capital.
O ciclista José Humberto Torres, 54, que usa a João Paulo todo dia, afirma que a presença constante de motos nas ciclofaixas inverte a lógica do trânsito. “A ciclovia passou a ser ‘ciclomoto’. Quando você está na frente, o motociclista buzina, como se você estivesse errado”, relata. Segundo ele, o problema se intensifica em horários de maior fluxo, quando motoristas buscam alternativas para fugir de congestionamentos. “Já virou costume. É falta de consciência e também de fiscalização”, completa.
A percepção é compartilhada pelo professor de educação física Mariano Rocha, 60, que utiliza frequentemente a ciclofaixa para treinos. Ele destaca que a irregularidade não se limita às motos. “É demais. Moto, carro, gente na contramão, independente do horário”, afirma. Para ele, a situação exige ações mais firmes do poder público. “Precisa de educação no trânsito e mais fiscalização. Falta punição”, defende.
Rocha também chama atenção para o risco gerado pela diferença de velocidade entre veículos e bicicletas. “A moto é mais rápida e impõe uma situação perigosa. Eles não têm paciência, buzinam para você sair”, diz. Além disso, ele aponta a falta de informação como um fator que contribui para o problema, inclusive entre pedestres. “Muita gente não entende que a ciclofaixa é um espaço prioritário da bicicleta e acaba se colocando em risco”, acrescenta.
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, trafegar com veículos automotores em ciclovias ou ciclofaixas é infração gravíssima, com multa e pontos na carteira.
Veja alguns flagrandes:
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/ciclofaixas-viram-rota-de-motos-e-colocam-ciclistas-em-risco-em-belem/

