Cidade vazia, vida cheia: o outro lado do Carnaval em Belém

Enquanto muitos foliões pegam a estrada rumo às praias e balneários do Pará, há quem escolha viver um Carnaval diferente em Belém. Com ruas mais vazias, trânsito tranquilo e aquele vento fresco vindo da baía, a capital paraense ganha um ritmo mais leve durante o feriado. Entre moradores de folga e trabalhadores em programação reduzida, o período momesco também vira sinônimo de sossego, passeios sem pressa e tempo de qualidade em família.

Para o servidor Edvaldo Ferreira, 58 anos, que atua no Tribunal de Justiça do Pará (TJ/PA), a escolha por ficar na capital tem relação direta com a busca por qualidade de vida. “Para mim é melhor estar na cidade mais calma para circular porque a gente vai pegando uma idade e vai e, com isso, mais tranquilidade. Diferente de quando a gente é mais novo, que geralmente aproveita todo o lazer do Carnaval. Naquela época, eu ia para Mosqueiro, Marudá e fazia parte daquela folia. Hoje em dia, não. Prefiro sair para passear com meu cachorro e curtir com a minha esposa em casa. Bebo em casa e me divirto muito só com a minha família”, contou.

A calmaria também favoreceu quem precisou sair para resolver compromissos ou trabalhar. Depois de fazer compras no tradicional mercado do Ver-o-Peso, o aposentado Francisco Gonçalves, 85 anos, aproveitou a paisagem na Estação das Docas, tomando água de coco à beira da Baía de Guajará. Mesmo aposentado, ele ainda encontra no Carnaval uma oportunidade de renda extra. “Vou fazer umas vendas de confete, serpentina, tudo para compor o figurino das pessoas que vão participar do Bailinho da Estação que acontece na terça-feira gorda de Carnaval”, disse.

A ambulante Lenil Costa, 93 anos, também apostou na permanência na capital para garantir o faturamento. Natural de Abaetetuba, ela pensou em viajar para aproveitar a festa em sua terra natal, mas decidiu ficar em Belém para vender coco, água mineral e salgadinhos. Apesar de perceber queda nas vendas, o coco, comercializado a R$ 8, teve procura menor que em outros finais de semana, a comerciante não se desanimou. Para ela, a movimentação mais tranquila já era esperada durante o dia, com maior fluxo previsto para a noite.

A cidade mais vazia também atraiu turistas interessados em conhecer os pontos históricos e culturais com mais conforto. Uma família inteira que mora no município de Picos (PI), no Nordeste do país, turistou pela Cidade das Mangueiras. O roteiro incluiu visitas à praia de Mosqueiro, ao Ver-o-Peso e ao Museu das Amazônias, antes de seguir para o distrito de Murinim, em Benevides, na Região Metropolitana.

“Gostei de tudo o que vi. Há muitos anos eu tinha vindo a Belém e agora me deparei com uma cidade bem mais bonita e arrumada. Além disso, o clima daqui está mais frio do que em Picos, onde estamos acostumados com temperaturas bem altas, beirando os 42°C e 45°C. Isso tornou o passeio mais gostoso ainda”, relatou o pedreiro Luiz Leal, 56 anos.

A nora dele, Joice Leite, 29, que visitou a capital pela primeira vez com o marido Igor Luiz, 30, e a filha do casal, destacou a receptividade dos paraenses. “A cultura daqui é muito bonita. Gostei mais da praia, mas tinha muita vontade de conhecer o Ver-o-Peso. O pessoal é muito acolhedor, vejo que as pessoas gostam de sua própria cultura”, afirmou. Natural de Paragominas, no sudeste paraense, Igor deixou o estado ainda criança para morar no Nordeste e agora retorna para rever familiares. “Vamos visitar a família, mas vou voltar outras vezes a Belém com fé em Deus”, disse.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/cidade-vazia-vida-cheia-o-outro-lado-do-carnaval-em-belem/