Ciência no Utinga aproxima visitantes da biodiversidade amazônica

Pará O Parque Estadual do Utinga  recebeu a ação “Ciência no Parque: Conectando Pessoas”, na manhã deste domingo (24). A iniciativa tinha o objetivo de aproximar a sociedade do conhecimento científico por meio do monitoramento participativo da biodiversidade amazônica. A iniciativa integrou a programação da Semana Nacional da Biodiversidade e reuniu pessoas de todas as idades em prol do contato com espécies da fauna e flora amazônicas.  

A programação contou com exposições interativas e sensoriais e conversas com pesquisadores, momento em que os visitantes conheceram diversos grupos da biodiversidade amazônica, como répteis, aves, insetos, mamíferos e vegetação. Alguns participantes ainda fizeram uma trilha guiada pelo parque com foco na observação, identificação e registro de espécies de animais e plantas através do aplicativo “iNaturalist”. Um dos idealizadores da ação no Pará, professor associado IV Leandro Juen, da Instituição de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará (UFPA), destaca que os dados coletados farão parte de uma rede de armazenamento mundial. 

“Nas trilhas, o que estamos fazendo é colocar pesquisadoras e pesquisadores para acompanhar as pessoas e vão falar algumas curiosidades. O açaí é uma planta que consumimos muito, é uma planta nativa, responsável pela economia, mas tem outras plantas que têm importância tanto quanto, mas não são tão conhecidas. Então, a gente vai passar, mostrando quais são e estimulando as pessoas a tirar foto e colocar no aplicativo. Esses dados são colocados no Gbif, um processo de armazenamento mundial, e depois usamos para avaliar o status de conservação das espécies, a distribuição e o efeito das mudanças climáticas sobre elas”, explica Leandro Juen. 

A atividade integrou uma ação nacional, envolvendo pesquisadores, instituições científicas e iniciativas de redes e programas de pesquisa e monitoramento ambiental de longa duração, como o Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), o programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Sínteses da Biodiversidade Amazônica (INCT-SinBiAm). Ao todo, mais de 50 professores e alunos estiveram presentes no evento. 

“A importância disso é conscientizar as pessoas através desse contato com a natureza. Nós que trabalhamos com biodiversidade falamos da sua importância e do serviço ecossistêmico. Uma coisa legal é que a maioria das pessoas vai começar a entender isso sobre os rios voadores, por que eles existem, por causa da floresta amazônica, o ar puro por causa das árvores, a água é pura por causa  da biodiversidade, os peixes, os insetos aquáticos, as plantas, que fazem um monte de serviço ecossistêmico para manter isso para nós. Então, uma das primeiras coisas é conscientizar as pessoas para a biodiversidade existente e a importância dela”, afirmou o professor Leandro.

EXPOSIÇÃO

Foram as diferentes espécies de cobra que mais chamaram atenção da psicóloga Bianca Cardoso, de 30 anos, durante a exposição. “Mais me interessou a diferença de cobras coral verdadeira e falsa. A coral falsa vive debaixo da terra e tem essa cor para afastar os predadores. A verdadeira geralmente vive na água, nos igarapés. Eu fiquei assustada, mas a pesquisadora disse que, por via das dúvidas, se ver o anelzinho na cobra, não chegar nem perto. Também me chamaram atenção as cobras de pele e venenosas. As cobras maiores não têm veneno, mas elas esmagam. E as cobras venenosas geralmente não esmagam, mas injetam veneno”, explicou. 

Para Bianca, a ação é importante ao proporcionar acesso ao conhecimento científico. “Quando eles trazem uma amostra, exibem os bichinhos, a gente tem mais interesse e acaba tendo acesso a essa informação através do interesse, da curiosidade. Acho que essa forma de ensinar é importante por causa da experiência sensorial, de ver e poder tocar nos bichinhos,  tirar curiosidade sobre como se alimentam, onde moram ou o que podemos fazer quando encontrar um animal desses”, concluiu. 

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/ciencia-no-parque-aproxima-visitantes-da-biodiversidade-amazonica-no-utinga/