A inflação voltou a subir na Região Metropolitana de Belém em setembro de 2026, depois de registrar queda no mês anterior. O principal motivo foi a alta da conta de luz, que pesou no orçamento das famílias e contribuiu para elevar os preços na região. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, avançou 0,62% em setembro na Grande Belém. Em agosto, o índice havia recuado 0,35%. A mudança representa uma aceleração de 0,97 ponto percentual em relação ao mês anterior.
Com o resultado, a inflação acumulada na região chegou a 3,74% em 2026, até setembro, e a 4,01% nos últimos 12 meses. Para comparação, o índice havia registrado alta de 0,27% em setembro de 2025.
Ao longo do ano, a inflação atingiu seu maior nível mensal em março, quando chegou a 1,31%. Depois disso, o indicador perdeu força nos meses seguintes, até voltar a subir em setembro.
Grande Belém tem uma das menores inflações do país
Apesar da alta registrada em setembro, a Grande Belém apresentou uma das menores taxas de inflação acumulada em 12 meses entre as regiões pesquisadas pelo IBGE.
O índice de 4,01% ficou acima apenas do registrado na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná, onde a inflação acumulada foi de 2,72%. Além disso, o resultado paraense permaneceu abaixo da média nacional, que chegou a 4,58%.
Outras localidades também registraram taxas superiores às da Grande Belém. Belo Horizonte acumulou 4,16%, enquanto Rio Branco chegou a 4,21%. Salvador marcou 4,23%, e São Luís, 4,32%.
Na outra ponta, Goiânia apresentou a maior taxa da lista, com inflação acumulada de 6,08% em 12 meses. Fortaleza registrou 5,10%, e Porto Alegre, 5,02%.
Conta de luz foi a principal responsável pela alta
Entre os nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE, Habitação apresentou a maior variação em setembro, com alta de 3,01%. O grupo também teve o maior impacto sobre a inflação mensal, contribuindo com 0,46 ponto percentual para o resultado geral.
O principal fator foi a energia elétrica residencial, que ficou 7,05% mais cara no período. Sozinha, ela respondeu por um impacto de 0,43 ponto percentual no IPCA da Grande Belém.
Segundo o levantamento, a alta está relacionada ao fim da incorporação do bônus de Itaipu nas faturas emitidas em agosto. Com isso, as contas de energia registraram aumento no mês seguinte.
Na prática, a mudança ajudou a explicar por que a inflação voltou a subir depois da queda observada em agosto.
Tomate, refeição e passagem aérea também ficaram mais caros
Além da energia elétrica, outros produtos e serviços contribuíram para pressionar a inflação na Grande Belém.
O tomate teve a maior variação percentual entre os itens destacados, com alta de 23,94% em setembro. Apesar do aumento expressivo, seu impacto no índice geral foi de 0,07 ponto percentual, devido ao peso menor do produto no cálculo da inflação.
A passagem aérea também subiu, com aumento de 5,39%. Já o preço da refeição avançou 1,34%, enquanto a gasolina ficou 0,53% mais cara. Esses itens contribuíram, respectivamente, com 0,04, 0,04 e 0,03 ponto percentual para o resultado mensal.
Os números mostram que o aumento dos preços não ficou restrito às despesas com moradia. Alimentação, transporte e serviços também tiveram influência no orçamento dos consumidores.
Quais preços caíram na Grande Belém?
Mesmo com a alta geral da inflação, alguns produtos e serviços ficaram mais baratos em setembro. O açaí, por exemplo, registrou queda de 4,61%. O recuo foi o que mais ajudou a conter a inflação entre os itens destacados, com impacto de -0,064 ponto percentual.
O café moído também apresentou redução, de 4,4%. Já o preço da farinha de mandioca caiu 2,64%, enquanto os produtos para cabelo ficaram 2,79% mais baratos.
No setor de lazer, cinema, teatro e concertos tiveram queda de 7,58%. Ainda assim, as reduções não foram suficientes para compensar o impacto provocado principalmente pelo aumento da energia elétrica.
Habitação lidera altas entre os grupos pesquisados
Além de Habitação, outros quatro grupos registraram aumento em setembro. Artigos de residência avançaram 1,08%, enquanto Comunicação teve alta de 0,73%.
Transportes subiu 0,46%, e Alimentação e bebidas apresentou aumento de 0,40%. Educação também registrou variação positiva, de 0,17%.
Por outro lado, três grupos tiveram queda nos preços. Vestuário recuou 0,55%, Saúde e cuidados pessoais caiu 0,40%, e Despesas pessoais apresentou redução de 0,28%.
Os resultados mostram diferenças entre os setores da economia. Enquanto as despesas com moradia pressionaram o índice, as quedas em alguns serviços e produtos ajudaram a reduzir parte da alta.
Como o IBGE calcula a inflação?
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980 e acompanha a variação dos preços de produtos e serviços consumidos por famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos, independentemente da fonte de renda.
O indicador reúne dados de diferentes áreas urbanas do país e serve como referência para acompanhar a evolução do custo de vida. Na Grande Belém, o resultado de setembro refletiu principalmente o aumento da energia elétrica residencial, mesmo diante da redução de preços em alguns itens.
Fonte: https://diariodopara.com.br/seu-bolso/conta-de-luz-dispara-e-inflacao-sobe-na-grande-belem-em-setembro-veja-o-que-ficou-mais-caro/


