Belém entra no mapa dos data centers com projeto BEL1

A expansão da infraestrutura digital na Região Norte começa a ganhar novos contornos com a chegada de investimentos em estruturas capazes de armazenar e processar grandes volumes de informações. Em Belém, o projeto BEL1, da Elea Data Centers, coloca a capital paraense em uma discussão que envolve conectividade, negócios, pesquisa, inovação e formação profissional.

O movimento ocorre em uma região que ainda enfrenta obstáculos para ampliar o acesso à internet. Segundo a TIC Domicílios 2025, realizada pelo Cetic.br/NIC.br, 17% dos domicílios do Norte não tinham acesso à internet. Entre as residências desconectadas, 43% apontaram o preço como principal motivo para não contratar o serviço.

Além disso, dados da Anatel reunidos no Estudo Estratégico de Infraestrutura, publicado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento em 2025, mostram que 62% dos municípios da Região Norte tinham rede de transporte por fibra óptica. No país, a proporção chegava a 78%.

Os números mostram que ampliar a presença digital exige mais do que levar uma conexão até determinada localidade. O serviço precisa ter cobertura, qualidade e preço compatível com a realidade da população. Para isso, diferentes partes da infraestrutura precisam avançar de forma integrada.

Data centers impulsionam a infraestrutura digital na Amazônia

É nesse cenário que entram os data centers. Essas estruturas armazenam e processam os dados utilizados por sites, aplicativos, plataformas digitais e outros serviços. Quando essa capacidade fica mais próxima dos locais onde empresas e instituições utilizam esses recursos, pode contribuir para uma infraestrutura mais preparada para atender novas demandas.

Em Belém, o projeto BEL1 representa a chegada desse tipo de estrutura à capital paraense e amplia as possibilidades de participação da região na economia digital. A presença de capacidade de processamento pode atender demandas de empresas, universidades e instituições públicas, especialmente quando existe integração com redes de telecomunicações e outros serviços.

Negócios e cultura na era digital

A expansão da infraestrutura digital também pode alcançar atividades que já movimentam a economia amazônica. Para uma comunidade que recebe visitantes, por exemplo, estar conectada facilita reservas, divulgação e comunicação com turistas.

Para pequenos produtores, ferramentas digitais podem ajudar na apresentação dos produtos e na busca por novos mercados. Projetos culturais também podem utilizar essas plataformas para alcançar públicos fora de seus territórios.

No entanto, a infraestrutura de processamento não substitui a expansão da internet. Um data center em Belém não leva conexão automaticamente para municípios do interior e também não reduz, sozinho, o preço cobrado pelos serviços de acesso.

Por isso, os resultados dependem de uma combinação de fatores. A expansão das redes, a atuação de provedores locais, investimentos em infraestrutura, formação profissional e parcerias com empresas, universidades e empreendedores precisam caminhar juntos.

Impacto no mercado de trabalho local

A chegada de uma estrutura desse porte também pode movimentar diferentes áreas profissionais. Durante a implantação, o projeto pode envolver construção civil, instalações elétricas, telecomunicações, segurança e outros serviços especializados.

Na etapa de operação, a demanda passa a incluir profissionais ligados à tecnologia, manutenção e gestão. O número de vagas dependerá do andamento do projeto e das contratações realizadas, mas o movimento reforça uma necessidade já existente: preparar trabalhadores da região para atuar no setor.

As universidades podem participar diretamente desse processo. O professor e pesquisador Marcus Braga, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), destaca a capacidade das instituições de ensino da região para desenvolver soluções tecnológicas relacionadas às necessidades amazônicas.

“Nossas universidades já fazem pesquisas de IA aplicada, com soluções para problemas reais, coordenadas por profissionais amazônidas, com DNA do norte, e com alta capacidade de contribuir com o desenvolvimento sustentável da nossa região”, afirma.

Para Braga, a aproximação entre empresas e universidades também pode criar oportunidades de estágio, trabalho e pesquisa. Segundo ele, essa conexão permite desenvolver tecnologia considerando demandas específicas da Amazônia e valorizar profissionais que já trabalham na busca por essas soluções.

Oportunidades para a Amazônia

A discussão sobre infraestrutura digital na Amazônia envolve, portanto, mais do que a instalação de equipamentos. O desafio está em transformar investimentos em estruturas tecnológicas em oportunidades concretas para quem vive na região.

A presença de um data center pode fortalecer o ambiente necessário para empresas digitais, pesquisas acadêmicas e serviços tecnológicos. Ao mesmo tempo, a expansão precisa alcançar os territórios que ainda enfrentam dificuldades de acesso à internet.

A Amazônia já reúne empreendedores, pesquisadores, produtores culturais e comunidades que utilizam ferramentas digitais para ampliar suas atividades. Com mais infraestrutura, essas iniciativas podem encontrar novas possibilidades de conexão e escala.

“Ampliar a infraestrutura digital é uma oportunidade de dar mais alcance a esse trabalho e de fazer com que os próximos avanços da tecnologia também gerem oportunidades para a população da região”, afirma Thaís Marçal, diretora de Relações Institucionais da Elea.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/data-centers-chegam-a-belem-e-podem-mudar-o-futuro-da-economia-digital-no-norte/