Da infância em Manaus às obras aeroportuárias no Vietnã, Mario Carvalho conta como o incentivo do pai e o fascínio pelos aviões se encontraram em sua trajetória na engenharia civil.
O Boeing 747 da Varig estacionado no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, é uma das lembranças que Mario Thiago Queiroz de Carvalho guarda da infância. O pai havia levado os filhos para conhecer de perto a aeronave. Naquela noite, houve jantar no restaurante do mezanino, com vista para o pátio e a pista, sorvete da Glacial e tempo para observar o avião. Anos depois, já engenheiro e trabalhando em um aeroporto no Canadá, Mario reencontraria a emoção daquele passeio. Neste 25 de outubro, Dia do Engenheiro Civil, o profissional amazonense recorda o caminho que o levou das primeiras experiências em obras em Manaus à infraestrutura aeroportuária.
Atualmente no Vietnã, onde integra a equipe da Artelia no projeto do Aeroporto Internacional de Gia Binh, ele relaciona sua escolha profissional a duas referências que o acompanham desde pequeno: a confiança do pai em seu futuro e a curiosidade pelos aviões.
Engenharia começava nas brincadeiras
Por volta dos seis ou sete anos, Mario já ouvia do pai que seria engenheiro, construiria grandes estruturas e seria reconhecido pelo trabalho. Tratores, escavadeiras e caminhões de brinquedo faziam parte dos presentes e das brincadeiras. As conversas em casa ajudavam a dar forma ao que ele passaria a enxergar como seu futuro.
“Meu pai sempre dizia que eu seria engenheiro. Cresci ouvindo aquilo e nunca me imaginei seguindo outra profissão. Hoje, percebo o quanto suas palavras de incentivo influenciaram a maneira como passei a acreditar em mim e no que poderia construir”, relembra.

Cristão, Mario associa essa memória à importância que atribui à fé e às palavras dirigidas aos outros. Ele cita a passagem de Marcos 11:23 como uma referência pessoal sobre crer e expressar a fé.
Na lembrança do pai, reconhece o valor de encorajar uma criança a acreditar em suas possibilidades. Ao mesmo tempo, a visita ao Eduardo Gomes havia despertado outro interesse. Os aviões ganharam espaço em sua rotina e se tornaram até um incentivo para estudar. Quando tirava boas notas, o pai o levava à loja Noha, no Amazonas Shopping, para escolher uma miniatura.
“Eu estudava pensando nas boas notas, mas também nos aviões de coleção que queria ganhar. Aquele passeio ao aeroporto ficou muito marcado. Meu amor pela aviação foi crescendo a partir dali”, conta.
Apesar do fascínio, a carreira de piloto não chegou a fazer parte de seus planos.
“Às vezes me perguntam por que não fui ser piloto. Sinceramente, nunca pensei nisso. Eu gostava dos aviões, mas queria ser engenheiro. Naquela época, ainda não sabia como essas duas coisas se encontrariam.”
Encontro aconteceu no Canadá
Durante a graduação, Mario trabalhou como auxiliar de engenharia em empreendimentos como a Arena da Amazônia, o Shopping Via Norte e o Distribution Park Manaus 3. A experiência inicial em edificações lhe deu contato com a rotina dos canteiros e com as responsabilidades envolvidas na execução de uma obra.
Formado em Engenharia Civil pela Universidade Nilton Lins, em Manaus, decidiu se mudar para o Canadá em um período de crise econômica no Brasil.


Em Toronto, deu continuidade à formação na área de engenharia no Seneca College e passou a trabalhar com infraestrutura, incluindo rodovias, pontes, terminais de transporte e urbanização.
A mudança para o setor aeroportuário ocorreu quando a empresa em que trabalhava assumiu uma obra no Aeroporto Internacional Toronto Pearson e lhe ofereceu a transferência para o projeto. Mario aceitou prontamente. No primeiro dia, a proximidade com as aeronaves trouxe de volta as lembranças da infância.
“Quando vi tantos aviões de perto, senti aquela paixão reaparecer. As memórias dos passeios com meu pai voltaram. Ao chegar em casa, eu já queria que fosse o dia seguinte para retornar ao aeroporto”, recorda.
No projeto, atuou na expansão do terminal e em intervenções na infraestrutura do pátio de aeronaves e das pistas de táxi, chamadas taxiways. A convivência com a operação aeroportuária passou a dar um sentido novo ao conhecimento de engenharia que havia adquirido.
“Comecei a relacionar o que sabia sobre os aviões com as necessidades do aeroporto e com as soluções de infraestrutura. Foi quando percebi que queria me desenvolver profissionalmente naquela área.”
Uma carreira dedicada aos aeroportos
A decisão levou Mario a cursar um MBA em Infraestrutura Aeroportuária. A especialização, somada à experiência prática e aos contatos profissionais construídos no setor, abriu caminho para novas oportunidades. Sua trajetória passou por projetos ligados aos aeroportos de Maceió, Aracaju e Juazeiro do Norte, seguidos por Porto Velho e Boa Vista. Incluiu também o estudo de uma nova pista de pouso para o aeroporto de Curitiba, a expansão do pátio e da pista de Londrina e trabalhos relacionados aos aeroportos de Santarém, Carajás, Altamira e Marabá.
No fim de 2025, chegou ao projeto do Aeroporto Internacional de Gia Binh, no Vietnã. A experiência atual reúne os conhecimentos de infraestrutura e de aviação que ele vem desenvolvendo ao longo da carreira, em um ambiente com equipes de diferentes nacionalidades.
Ao ser questionado sobre quando o interesse pelos aviões passou a ajudá-lo no trabalho, Mario responde sem hesitar: “Em todos os momentos. Entender as aeronaves, as necessidades dos pilotos e a operação do aeroporto me ajuda a compreender o motivo de cada exigência e a relacioná-la às decisões de engenharia.”
Visão de quem vai utilizar a infraestrutura
Para Mario, trabalhar em aeroportos exige compreender como cada intervenção se relaciona com a operação. Em aeroportos ativos, esse cuidado acompanha o planejamento das frentes de serviço, os acessos de trabalhadores e equipamentos e a coordenação das atividades próximas às áreas de movimentação de aeronaves.
“A obra precisa ser planejada considerando o que acontece ao redor. É necessário entender onde podemos trabalhar, em quais condições e como coordenar a execução com a operação aeroportuária”, explica.

Sua atuação abrange a gestão e a coordenação de projetos e obras de infraestrutura aeroportuária, com uma visão integrada das áreas operacionais, dos terminais e dos sistemas que apoiam o funcionamento do aeroporto. Essa experiência envolve a articulação entre disciplinas de engenharia, equipes de projeto e construção, operadores e especialistas, considerando as exigências técnicas e os requisitos de segurança e operação de cada empreendimento.
Para Mario, compreender o ciclo de vida de um projeto aeroportuário e a finalidade de cada instalação é essencial para avaliar soluções, coordenar interfaces e orientar a execução de acordo com as necessidades de quem utilizará a infraestrutura.
“Pensar na perspectiva do piloto ajuda a entender a importância da orientação visual, da iluminação e dos sistemas que apoiam a aproximação e o pouso. Esse interesse me estimula a estudar e a compreender melhor as interfaces do projeto.”
Ao longo da carreira, Mario desenvolveu experiência na gestão das diferentes etapas dos empreendimentos, desde os estudos e o desenvolvimento de projetos até o planejamento, a execução e a supervisão das obras, incluindo a coordenação das interfaces com os testes, o comissionamento e a preparação para a operação. Sua atuação reúne gestão de equipes multidisciplinares, suprimentos, acompanhamento de prazos, controle da qualidade, segurança do trabalho e gestão de riscos e interfaces.
Em projetos fast-track, nos quais o desenvolvimento dos projetos e a construção avançam de forma sobreposta, essa visão integrada exige compatibilizar decisões técnicas com as frentes de serviço, antecipar restrições e coordenar entregas para cumprir o cronograma, preservando os requisitos de qualidade e segurança.
O reconhecimento que deseja construir
Ao falar sobre o futuro, Mario retoma a expectativa que ouvia do pai e acrescenta seus próprios objetivos. Deseja ser reconhecido pela competência e pelo trabalho realizado, inspirar futuros engenheiros e continuar contribuindo com os colegas por onde passar. “Quero continuar aprendendo e ser um profissional em quem as pessoas possam confiar. Espero que minha trajetória possa incentivar quem está começando e que eu consiga compartilhar o que aprendi com os colegas com quem trabalho.”
A fé e a família permanecem presentes nessa caminhada.
“Sou grato a Deus pelo cuidado comigo e com a minha família, minha esposa Flavia e minha filha Fiorella. Quero continuar exercendo minha profissão com responsabilidade, temente a Ele e fazendo o meu melhor onde estiver.”
Do passeio em família diante de um Boeing 747 às obras de aeroportos em diferentes países, Mario ainda reconhece no trabalho a curiosidade do menino que colecionava aviões.
“Continuo seguindo a profissão que meu pai imaginou para mim, mas encontrei nela a área que tanto amo: a aviação.”
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Fonte: https://emtempo.com.br/611024/amazonas/engenheiro-amazonense-carreira-internacional-aeroportos/

