Com a proximidade do período junino, o som dos ensaios já ecoa em diferentes bairros de Belém. Em quadras e espaços comunitários, grupos de quadrilha intensificam a preparação para a temporada de apresentações e concursos, reafirmando uma tradição que atravessa gerações.
No bairro do Jurunas, a quadrilha Sedução Ranchista é um exemplo dessa resistência cultural. Fundada em 1997, o grupo carrega quase três décadas de história e mantém forte ligação com a comunidade.
“A manutenção da tradição da festa junina é crucial para nós. A Sedução Ranchista tem uma importância imensa para o bairro, porque sempre caminhou junto com a comunidade”, destaca a coordenadora Cristina Rodrigues.
Atualmente, a quadrilha reúne 40 dançarinos, organizados em 20 pares, além de uma equipe de apoio com 20 integrantes. Para este ano, o tema escolhido reforça o sentimento coletivo que sustenta o movimento junino.
“A proposta é ‘A chama que não se apaga’, celebrando esse amor pelo São João que está no coração de cada jurunense”, explica Cristina.
A dedicação dos participantes vai além dos ensaios coletivos. A miss caipira Yulli Rodrigues, 31 anos, que dança desde os sete, vive uma rotina intensa para equilibrar trabalho, estudos e preparação artística.
“A gente ensaia a quadrilha e também tem a coreografia individual. O mais difícil hoje é conciliar o tempo e os custos. O figurino, por exemplo, pode chegar a seis mil reais”, relata.
Mesmo com os desafios, ela reforça o vínculo afetivo com a dança. “A parte mais difícil não é dançar. Dançar é a melhor parte. O complicado é organizar tudo para conseguir estar aqui”, afirma.
TERRA FIRME
Na Terra Firme, a quadrilha Pipocando Junino também mostra como a cultura pode transformar realidades. Criado em 2015 por um grupo de amigos, o coletivo surgiu em um contexto social delicado.
“Na época, a violência era muito forte no bairro. A quadrilha veio com o intuito de resgatar jovens e trazer eles para a cultura”, conta o coreógrafo e diretor marcador Manoel Santana.
Com mais de uma década de atuação, o grupo se consolidou como referência local, mantendo a proposta de inclusão social por meio da arte.
“A gente sempre trabalhou para tirar jovens de situações de risco e envolver todo mundo com o São João”, completa.
José Augusto Silveira, 36, que dança desde os oito anos, descreve a rotina puxada para conciliar trabalho e ensaios.
“A gente sai daqui duas da manhã e seis horas já está de pé para trabalhar. É cansativo, mas vale a pena. O que me move é a cultura”, diz. Ele também destaca o caráter familiar presente no grupo. “Aqui a maioria é família. Tem esposa, irmão, primo. Isso fortalece ainda mais”, afirma.
Além do aspecto cultural, as quadrilhas também exigem disciplina e preparo técnico. A bailarina e miss junina Raíssa Souza da Rocha, 22, ressalta que a rotina de ensaios segue padrões profissionais.
“A gente trabalha com repetição, alongamento, disciplina. Trago muito da dança acadêmica para dentro da quadrilha, e isso ajuda a elevar o nível do grupo”, explica.
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/ensaios-das-quadrilhas-juninas-de-belem-ja-comecaram/

