Num pequeno pedaço de mata dentro da área urbana de Belém é possível encontrar mais espécies de árvores do que em países inteiros, como o Reino Unido. A impressionante biodiversidade está concentrada na chamada Capoeira do Black, uma área de oito hectares e meio localizada dentro da Embrapa Amazônia Oriental.
O espaço abriga mais de mil árvores, além de insetos, pássaros e pequenos animais, transformando o local em um verdadeiro laboratório natural a céu aberto. Durante a Semana Nacional da Biodiversidade, realizada no último sábado (23), visitantes participaram de uma imersão ecológica que seguirá disponível ao longo do ano com visitas programadas.
A pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi, Lis Stegmann, destacou que a iniciativa ajuda a aproximar a sociedade das instituições que produzem conhecimento científico.
“É um momento muito oportuno para despertar curiosidade, aproximar as pessoas da natureza e incentivar atitudes de conservação ambiental”, afirmou.
Segundo ela, o percurso completo dura cerca de 50 minutos e possui fácil acesso.
“É uma trilha de 500 metros, muito tranquila de caminhar. Crianças também conseguem participar dos roteiros menores”, explicou.
Floresta em regeneração
A bióloga Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa, contou que a trilha foi inaugurada durante a COP-30, realizada no ano passado, para mostrar o papel das florestas em regeneração no equilíbrio climático.
O nome Capoeira do Black faz referência ao pesquisador norte-americano George Black, um dos primeiros estudiosos da área entre as décadas de 1930 e 1940. Já o termo “capoeira” vem do tupi e significa uma mata que foi derrubada e está crescendo novamente.
“Esse fragmento possui mais de 260 espécies de árvores e mais de 60 espécies de aves. É uma riqueza impressionante dentro da área urbana de Belém”, ressaltou Joice Ferreira.
Tecnologia ajuda no mapeamento da biodiversidade
Além da trilha, os visitantes também são convidados a participar do levantamento das espécies existentes no local por meio de um aplicativo.
A ferramenta utiliza inteligência artificial para sugerir a identificação de plantas, fungos e animais fotografados pelos participantes. Depois, especialistas confirmam as informações, que passam a integrar bancos mundiais de biodiversidade utilizados em pesquisas científicas.
“Qualquer pessoa pode participar. O aplicativo encaminha os registros para especialistas e, após a validação, os dados são enviados automaticamente para plataformas globais de pesquisa”, explicou Lis Stegmann.
Famílias inteiras participaram da experiência
A programação atraiu adultos e crianças interessados em viver uma experiência longe das telas e mais próxima da natureza.
A geóloga Cristiane Sousa participou da trilha ao lado do filho Ian Sousa, de 13 anos.
“Essa atividade aproxima as crianças da natureza e tira um pouco do foco dos eletrônicos”, comentou.
Ian ficou impressionado com a experiência.
“Achei muito interessante descobrir animais e plantas que nunca tinha visto. Dá vontade de aprender mais”, contou.
Já a administradora Giulia Ferreira levou o filho Tales Silveira, de apenas 4 anos, para participar da atividade.
“Na natureza, ele nem sente falta do celular. É uma brincadeira perfeita”, afirmou.
Como participar
Os interessados em participar das visitas devem procurar o Serviço de Atendimento ao Cidadão da Embrapa Amazônia Oriental para realizar o agendamento pelo portal oficial da instituição. Escolas e grupos podem entrar em contato diretamente com o programa Embrapa & Escola pelo WhatsApp: (91) 98402-1494.
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/floresta-escondida-em-belem-tem-mais-especies-que-pais-europeu/

