Jardins de chuva já funcionam em áreas estratégicas de Belém

A Prefeitura de Belém iniciou a implantação de jardins de chuva urbanos como estratégia direta para enfrentar alagamentos e fortalecer a adaptação climática da capital. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), coordena a ação e aplica o conceito de cidade-esponja, que transforma áreas impermeabilizadas em espaços capazes de absorver, reter e infiltrar a água da chuva.

O objetivo é reduzir o escoamento superficial, principal causa das enchentes, e melhorar a qualidade ambiental e urbana. Os jardins de chuva ocupam pontos antes dominados por concreto, como trechos de calçadas e ruas.

Nesses locais, a equipe instala áreas verdes com substratos drenantes, pedras para proteger as entradas e saídas de água e cobertura com serrapilheira para preservar o solo. A água da chuva passa a infiltrar de forma gradual. Com isso, a gestão diminui a pressão sobre canais e redes de drenagem, além de filtrar sedimentos e poluentes antes que a água alcance os cursos urbanos.

Implantação e localização dos jardins de chuva

O projeto já avança na rua dos Mundurucus com a travessa Quintino Bocaiúva, na avenida Marechal Hermes ao lado do Porto Futuro, na travessa Rui Barbosa com a avenida Gentil Bittencourt ao lado do Centur, e na travessa Quintino Bocaiúva com a avenida Conselheiro Furtado, próximo à Semma.

Nesses pontos estratégicos, a Prefeitura atua de forma integrada para conter alagamentos recorrentes. Além dos jardins de chuva, o projeto inclui canteiros pluviais e biovaletas, que direcionam e filtram a água enquanto qualificam o paisagismo urbano.

A gestão também implanta bacias de retenção, que armazenam temporariamente grandes volumes de água durante chuvas intensas e liberam o conteúdo de forma controlada, evitando sobrecarga no sistema público.

As bacias de infiltração devolvem a água diretamente ao solo e contribuem para recarregar o lençol freático. Já os poços de infiltração garantem eficiência em áreas com pouco espaço, pois conduzem o fluxo verticalmente para camadas porosas do subsolo.

Benefícios e impacto ambiental

Segundo Bárbara Paiva, doutoranda em resiliência climática e assessora técnica da Semma, “essas soluções transformam a cidade em uma espécie de ‘esponja’. A água deixa de ser apenas um problema e passa a ser gerida de forma que protege o solo, reduz enchentes e ainda melhora a qualidade de vida e o conforto térmico da população”.

Com isso, o município amplia os benefícios diretos para a população. A iniciativa reduz alagamentos em áreas críticas, melhora a qualidade da água nos canais urbanos, cria novos espaços verdes e fortalece o conforto térmico.

Além disso, a Prefeitura estimula o aumento da biodiversidade ao plantar espécies nativas adaptadas a períodos de seca e alagamento, como helicônia, cana-da-índia, tajá, inhame, petúnias selvagens e grama-amendoim.

Colaboração e manutenção

Ao mesmo tempo, a gestão promove educação ambiental e incentiva a participação comunitária na manutenção e valorização dos espaços revitalizados. O projeto reúne diferentes órgãos públicos.

A Semma coordena, idealiza, mantém e fiscaliza as ações. A Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel) executa limpeza de entulhos e mantém as áreas revitalizadas. Já a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Seinfra) e a Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), definem áreas estratégicas para as intervenções.

Integração e sustentabilidade

Mesmo integrados à drenagem urbana existente, os jardins de chuva não substituem obras estruturais de saneamento, mas complementam a rede com soluções baseadas na natureza. A Prefeitura de Belém segue normas técnicas reconhecidas, como o Guia Prático de Jardins de Chuva para Cidades e o Catálogo de Soluções Baseadas na Natureza, e prepara uma portaria municipal para consolidar essas práticas como política pública permanente de drenagem sustentável.

Inspirado no modelo criado pelo arquiteto chinês Kongjian Yu, o conceito de cidade-esponja combina parques alagáveis, telhados verdes, calçamentos permeáveis e praças-piscina. Dessa forma, a cidade passa a funcionar como reservatório temporário durante chuvas intensas e mantém áreas de lazer nos períodos secos.

Em Belém, a gestão aposta nesse modelo para melhorar o tráfego de pedestres, valorizar a paisagem urbana, estimular o sentimento de pertencimento e criar infraestrutura verde adaptada às mudanças climáticas. Além disso, o município já avalia a possibilidade de expandir a iniciativa para outros bairros, ampliando o alcance das soluções sustentáveis e reforçando o compromisso com uma cidade mais resiliente.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/jardins-de-chuva-ja-funcionam-em-areas-estrategicas-de-belem/