Jardins de Chuva em Belém: combate a alagamentos

Belém está ganhando, desde o início deste ano, novos espaços verdes com uma missão que vai além do paisagismo. Implantados pela Prefeitura de Belém, os chamados Jardins de Chuva surgem como aliados no combate aos alagamentos, um dos problemas históricos enfrentados pela capital paraense. Além de ajudar a absorver e infiltrar a água das chuvas, os projetos também contribuem para reduzir o calor urbano, melhorar a qualidade ambiental e atrair mais biodiversidade para a cidade.

A iniciativa faz parte das chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SBN) e segue o conceito internacional de cidade-esponja, modelo que busca tornar os centros urbanos mais preparados para eventos climáticos extremos por meio do aproveitamento dos processos naturais.

Onde estão os Jardins de Chuva de Belém?

Os primeiros projetos foram implantados na Rua dos Mundurucus, esquina com a travessa Quintino Bocaiúva, considerada a experiência pioneira da capital. Depois, as intervenções avançaram para outros pontos estratégicos da cidade.

Atualmente, a Prefeitura trabalha na implantação de estruturas na avenida Marechal Hermes, ao lado do Porto Futuro, área marcada pelo intenso fluxo de veículos e por registros frequentes de alagamentos. O local receberá o maior Jardim de Chuva da cidade, ocupando mais de 576 metros quadrados.

Outro ponto contemplado fica em frente ao Horto Municipal de Belém, enquanto novas estruturas também estão previstas para a travessa Rui Barbosa com a avenida Gentil Bittencourt, ao lado do Centur, e na travessa Quintino Bocaiúva com a avenida Conselheiro Furtado, nas proximidades da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).

Segundo a Prefeitura, a meta é expandir o projeto para outras áreas da capital. A previsão é implantar mais de 20 Jardins de Chuva em regiões centrais e também em bairros periféricos.

Plantas que fazem a diferença

Além dos locais escolhidos, outro aspecto que chama atenção é a seleção das plantas utilizadas nos espaços.

As espécies não foram definidas apenas por critérios estéticos. Elas desempenham papel essencial no funcionamento dos Jardins de Chuva, ajudando na filtragem da água, na absorção da umidade e na adaptação das áreas às condições climáticas de Belém.

Entre as plantas utilizadas estão a Petúnia Selvagem (Ruellia), conhecida pelas flores de coloração vibrante e pela resistência ao clima quente; o Inhame (Colocasia esculenta), que apresenta folhas largas e elevada capacidade de adaptação a ambientes úmidos; e o Tajá (Caladium bicolor), espécie bastante presente na paisagem amazônica.

Os jardins também recebem a Helicônia-papagaio (Heliconia psittacorum), planta ornamental que atrai polinizadores; a Cana-da-Índia (Canna indica), amplamente utilizada em projetos paisagísticos por sua resistência; e a Grama-amendoim (Arachis repens), cobertura vegetal que auxilia na proteção do solo e reduz processos erosivos.

Além de favorecer a drenagem da água da chuva, essas espécies ajudam a criar microclimas mais agradáveis e atraem pássaros, abelhas e outros animais, fortalecendo a biodiversidade em áreas urbanizadas.

Como funcionam os Jardins de Chuva?

Na prática, os Jardins de Chuva funcionam como reservatórios naturais. A água que antes escorria rapidamente pelo asfalto passa a ser direcionada para áreas preparadas para absorção. A estrutura inclui escavações, camadas de brita, seixos, mantas drenantes, tubulações e solo preparado para receber a vegetação.

O projeto também contempla outras soluções sustentáveis, como canteiros pluviais, biovaletas, poços de infiltração e bacias de retenção, tecnologias que ajudam a controlar o volume de água durante chuvas intensas.

Para definir os locais das intervenções, equipes técnicas utilizam cruzamento de dados sobre relevo, tipos de solo, bacias hidrográficas e pontos historicamente afetados por alagamentos.

Com isso, Belém busca ampliar sua infraestrutura verde e criar alternativas complementares às obras tradicionais de drenagem. A expectativa é que os Jardins de Chuva contribuam não apenas para reduzir os impactos das chuvas, mas também para transformar espaços urbanos em áreas mais arborizadas, sustentáveis e preparadas para os desafios das mudanças climáticas.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/jardins-de-chuva-veja-onde-ficam-e-quais-plantas-ajudam-a-reduzir-alagamentos/