Mesmo com protesto, Cesupa mantém aulas e orienta professores

Belém e Pará – Um comunicado interno do Centro Universitário do Pará (Cesupa) orientou que as aulas fossem mantidas normalmente nesta quarta-feira (15), mesmo com a realização de um ato público em frente ao campus Umarizal, em Belém.

No informe, encaminhado a professores, a instituição destacou que não deveriam ser aplicadas atividades avaliativas ao longo do dia. O documento também orienta que estudantes interessados em participar da manifestação tenham liberdade para se ausentar das aulas.

O ato público está ocorrendo neste momento em frente ao campus Umarizal do Centro Universitário do Pará (Cesupa), na Avenida Alcindo Cacela, entre as travessas Domingos Marreiros e Boaventura da Silva, em Belém. A manifestação, organizada por integrantes da sociedade civil e movimentos sociais e coletivos ocorre após repercussão de um vídeo onde estudantes de direito da instituição aparecem agredindo um homem em situação de rua com uma arma de choque.

A manifestação pede Justiça contra os autores da violência e denuncia o racismo estrutural, a desumanização e a violência enfrentada por pessoas em situação de vulnerabilidade, além de cobrar a responsabilização dos envolvidos.

Muitos alunos da instituição acompanham a manifestação, muitos vestidos com camisas pretas em sinal de protesto. Um cartaz colocado num poste na frente do campus traz os dizeres: Tortura nunca mais !”. A Polícia Militar acompanha tudo de perto. Muitos motoristas que passam na frente à instituição e ensino acionam a buzina dos veículos em sinal de apoio ao ato.

Foto: Celso Rodrigues

A OAB-PA apontou indícios de racismo no caso, destacando que a agressão não é apenas uma infração disciplinar, mas um possível crime contra uma população historicamente vulnerável. Apesar do afastamento dos estudantes pelo Cesupa, os movimentos sociais exigem punições mais rigorosas e clamam por justiça.

Caso ganhou repercussão nacional, Entenda:

O caso ganhou repercussão nacional devido à crueldade das imagens gravadas pelos próprios agressores.

O crime: os estudantes de Direito da universidade atacam um homem em situação de rua, utilizando uma arma de choque (taser).

O vídeo: Os jovens registraram a agressão em vídeo, mostrando o homem caminhando de costas e sendo atingido por descargas elétricas, enquanto riam da situação.

Onde: A agressão ocorreu nas proximidades da instituição de ensino, na avenida Alcindo Cacela, em Belém, no último dia 13 de abril. Relatos apontaram que a ação teria ocorrido durante um suposto trote ou “dinâmica”, embora a conduta seja criminosa.

Investigações: As investigações apontaram Altemar Sarmento Filho como quem manuseava a arma de choque e Antônio Coelho como quem filmou a ação.

Fuga: Após as agressões, os estudantes fugiram para dentro da instituição de ensino após serem confrontados por entregadores de aplicativo que passavam pelo local.

A universidade afastou os estudantes envolvidos após a repercussão. Os suspeitos se apresentaram à Polícia Civil no bairro de São Brás, ontem mas permaneceram em silêncio e foram liberados para responder em liberdade.

O caso é investigado pela Polícia Civil e também pelo Ministério Público Federal (MPF), que pode enquadrar a ação na lei de racismo com agravantes, dado o ataque a pessoa em situação de vulnerabilidade.

Relatos e vídeos também mostram que o mesmo grupo teria utilizado um extintor de incêndio contra outro morador de rua que dormia na calçada.

Manifestação pressiona autoridades

O ato público segue com forte participação popular e deve pressionar autoridades por respostas mais rápidas diante de um caso que expõe violência, desigualdade e vulnerabilidade social no centro da capital paraense.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/mesmo-com-protesto-cesupa-mantem-aulas-e-orienta-professores/