Belém ainda guarda, em meio ao trânsito intenso e aos prédios modernos da Avenida Almirante Barroso, um raro testemunho do início do século XX. Em frente ao Bosque Rodrigues Alves, no bairro do Marco, o Palacete Amyntas de Lemos segue chamando a atenção de quem passa pela via mais movimentada da capital.
Construído em 1909, o casarão atravessou gerações mantendo praticamente intactas as características da Belle Époque. A pouco tempo, voltou ao centro das atenções ao ser colocado à venda no mercado imobiliário.
Atualmente, o imóvel histórico está anunciado por R$ 4 milhões, com possibilidade também de aluguel no valor de R$ 23 mil mensais.
O espaço
De acordo com a descrição divulgada nas redes sociais e em anúncios imobiliários, o casarão possui quatro quartos, área construída de 993,94 metros quadrados e arquitetura clássica original, com fachada em pedra e detalhes preservados desde a época da construção.
Além disso, o espaço é apresentado como ideal tanto para moradia quanto para uso institucional, principalmente devido ao valor histórico e à localização privilegiada.
Configuração arquitetônica de 100 anos
Erguido como residência durante o período áureo da economia da borracha, o palacete é considerado único no bairro por ainda manter a mesma configuração arquitetônica de mais de cem anos atrás.
Ao longo das décadas, o imóvel passou a integrar a paisagem afetiva da cidade, despertando curiosidade, admiração e registros fotográficos de moradores e visitantes.
Amyntas de Lemos
A história do imóvel está diretamente ligada à trajetória de Amyntas de Lemos (1869 – 1952). Nascido em 1869, em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, ele se formou na Escola de Minas de Ouro Preto e atuou em importantes projetos de engenharia no país.
Antes disso, trabalhou na Recife and São Francisco Railway Company. Posteriormente, ao chegar ao Pará, teve papel de destaque na construção da Ferrovia Belém–Bragança e no serviço público. Além disso, foi um dos fundadores do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agrimensura do Pará (CREA-PA) e do Clube de Engenharia.
Casado com a espanhola Manoela Alvarez, Amyntas construiu no casarão não apenas uma residência, mas também um espaço de convivência política, social e familiar. Assim, a casa tornou-se ponto de encontro frequente, refletindo sua relevância na sociedade paraense da época.
Após sua morte, em 1952, a família permaneceu no imóvel, preservando, ao longo dos anos, móveis, objetos e documentos que ajudam a contar parte da história de Belém.
Com quase mil metros quadrados e um passado intimamente ligado ao desenvolvimento urbano da capital, o Palacete Amyntas de Lemos entra, mais uma vez, em um momento decisivo de sua trajetória. A venda reacende o debate sobre preservação do patrimônio histórico e o futuro de um dos casarões mais emblemáticos da Avenida Almirante Barroso.
Vídeo de divulgação da venda do Casarão
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/palacete-que-sobreviveu-a-mais-de-100-anos-em-belem-pode-ser-seu/

