Por que a Almirante Barroso já foi a ‘Pista da Morte’?

Antes de se tornar um dos corredores mais movimentados de Belém, a avenida Almirante Barroso carregou um apelido que traduzia o perigo enfrentado por quem passava pelo local à noite. A iluminação insuficiente e os acidentes frequentes fizeram com que a via ficasse conhecida como ‘Pista da Morte‘.

Uma reportagem de 1960, resgatada por Marcelo Mutran, preservou imagens dessa fase e da transformação da avenida. Intitulado Av. Almirante Barroso modernizada, o registro em preto e branco acompanha trabalhadores durante a preparação da via e a instalação de um sistema moderno de iluminação elétrica. Assista!

Escuridão marcou a avenida

A reportagem apresenta a Almirante Barroso como uma das principais artérias de Belém e chega a defini-la como o “pórtico da cidade”. A importância para a circulação urbana já naquela época, porém, contrastava com as condições encontradas depois que anoitecia.

Segundo o vídeo, a falta de iluminação “ocasionava muitos desastres”. Quando a noite caía, começavam os problemas para quem precisava trafegar pela avenida. Foi nesse contexto que a Almirante Barroso recebeu o apelido de ‘Pista da Morte’.

As cenas da época mostram operários trabalhando no solo e no alto das estruturas. A intervenção reuniu o Governo do Estado, a Prefeitura de Belém e a então Companhia Força e Luz do Pará durante a gestão do governador Aurélio do Carmo.

Obra instalou 69 postes

O projeto registrado no vídeo levou 69 postes e 161 braços de luz à Almirante Barroso. A reportagem acompanha desde os preparativos até o momento em que as novas luminárias passaram a clarear o caminho dos veículos.

A inauguração ocorreu durante uma cerimônia noturna. Aurélio do Carmo acionou o botão que colocou o sistema em funcionamento, enquanto a ocasião era celebrada com uma festa. No encerramento, o filme mostra a sequência de luzes acesas ao longo da avenida como um símbolo da modernização de Belém.

Além da obra filmada em 1960, há registro de investimentos em iluminação realizados em 1963 com o objetivo de tornar o tráfego mais seguro. As duas datas devem ser consideradas separadamente: uma identifica a reportagem cinematográfica e a outra corresponde aos investimentos mencionados posteriormente.

Via já foi Tito Franco

A iluminação não representa a única transformação preservada na memória da Almirante Barroso. Antes de receber o nome atual, a avenida tinha o nome de Tito Franco, e sua trajetória também está ligada à Estrada de Ferro de Bragança.

A reportagem de 1960 reúne cenas de trabalhadores, obras e instalação de postes em uma Belém em processo de mudança. Mais de seis décadas depois, o material ajuda a explicar a origem de um apelido que já marcou a avenida hoje cercada por semáforos, postes e pelo movimento intenso de veículos.

Fonte: https://diariodopara.com.br/cotidiano/por-que-a-almirante-barroso-ja-foi-chamada-de-pista-da-morte-em-belem/