Preço do feijão dispara 57% em Belém e afeta cesta básica

O feijão acumulou alta de 57,29% nos cinco primeiros meses de 2026 nos supermercados de Belém e tornou-se um dos principais responsáveis pelo avanço do custo da alimentação básica das famílias paraenses. O preço médio do quilo passou de R$ 5,69, em janeiro, para R$ 8,65, em maio, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (18), pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará, o Dieese/PA.

O aumento do produto foi mais de quatro vezes superior à elevação média da cesta básica de alimentos registrada no mesmo período. Entre janeiro e maio de 2026, o conjunto dos 12 itens essenciais pesquisados pelo Dieese/PA acumulou reajuste de 13,30%, percentual considerado significativamente superior à inflação calculada para os cinco primeiros meses do ano.

Somente em maio, a cesta básica alcançou o valor médio de R$ 755,24 na capital paraense. O custo representou avanço de 3,78% diante dos R$ 727,70 registrados em abril e confirmou a quinta elevação mensal consecutiva desde o início de 2026, mantendo os alimentos essenciais em níveis elevados e aumentando a pressão sobre o orçamento doméstico.

O acompanhamento semanal realizado pelo Dieese/PA nos principais supermercados de Belém mostra que a escalada do feijão ganhou força principalmente nos primeiros meses deste ano. Em maio de 2025, o produto era vendido, em média, por R$ 5,57 o quilo. Em dezembro daquele ano, o valor havia recuado levemente para R$ 5,50.

A trajetória mudou no começo de 2026. O preço médio subiu para R$ 5,69 em janeiro, avançou para R$ 8,52 em abril e chegou a R$ 8,65 em maio. Apenas na comparação entre abril e maio, o aumento foi de 1,54%. No acumulado de janeiro a maio, a elevação chegou a 57,29%.

Na comparação dos últimos 12 meses, entre maio de 2025 e maio de 2026, o feijão ficou 55,29% mais caro nos supermercados da capital paraense. A variação superou com ampla margem a inflação oficial de 4,72% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, para o mesmo intervalo.

Os números constam na tabela comparativa elaborada com informações da Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, e do Dieese/PA. O levantamento evidencia que o feijão, um dos produtos mais presentes na alimentação diária da população paraense, registrou uma escalada muito superior à média dos demais itens que formam a cesta básica.

Fatores que impulsionam a alta do feijão

Na avaliação do Dieese/PA, a disparada decorre de uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. A restrição da oferta no mercado e as incertezas climáticas, principalmente nas áreas produtoras da Região Sul do país, contribuíram para a valorização do produto e para a manutenção dos preços em níveis elevados.

O encarecimento do transporte e da logística também pesa no valor cobrado ao consumidor. As oscilações nos preços dos combustíveis aumentam os custos para levar o produto das regiões produtoras até os centros de distribuição e supermercados, impacto que tende a ser repassado ao preço final nas prateleiras.

A situação pode continuar pressionando o orçamento das famílias em junho. Segundo o Dieese/PA, as pesquisas mais recentes mostram que os preços coletados permanecem elevados e, em alguns estabelecimentos, já apresentam novos aumentos. O cenário indica a possibilidade de reajustes adicionais durante o mês.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/preco-do-feijao-dispara-57-em-belem-e-puxa-alta-da-cesta-basica/