São Cosme e São Damião: por que a data é marcada por bombons?

Ao passear por Belém neste domingo (27), era possível observar vários aglomerados de pessoas em celebrações pelo dia de São Cosme e São Damião. No dia 27 de setembro, diversos terreiros de religiões de matriz africana celebram a data, com a distribuição de doces, lanches, presentes e do tradicional caruru.

Nas religiões afro-brasileiras, os dois santos católicos são associados aos orixás Ibejis, que também são gêmeos e representam a infância. “São orixás infantis. A importância é a ancestralidade que cultuamos dentro da matriz africana”, aponta o babalorixá Fernando de Ogum.

Um dos locais que abriram as portas neste domingo foi o Terreiro de Nagô e Yemanjá, onde também é o Instituto Cultural Nagô Afro-Brasileiro (ICNAB), localizado no bairro da Pedreira, com quase 60 anos de fundação. O babalorixá Fernando de Ogum destaca que é importante manter uma tradição criada pelo seu pai e sua família em receber a comunidade.

“Para nós, é um motivo de muita satisfação, de tradição e de muita alegria quando abrimos as portas do terreiro para receber as crianças, os jovens e os anciãos”, relata.

A programação começou no começo da manhã com um grande café da manhã oferecido para toda a comunidade. Já no almoço, teve o tradicional caruru, ofertado às crianças e aos orixás. Já às 17h, foram entregues os presentes, doces e lanches para a comunidade, principalmente às crianças. Por fim, houve um ritual de tambor de mina em homenagem aos Erês.

A associação dos doces com a data de São Cosme e São Damião é fruto da entrega de balas que os dois ofereciam às crianças após a consulta médica. “Eles foram médicos. Eles atendiam as crianças e, em troca, davam doces para agradá-las”, conta o Pai Fernando de Ogum.

Comunidade

O trabalho social desenvolvido pelo ICNAB é parte fundamental da atuação da instituição, principalmente para ajudar a comunidade e derrubar paradigmas preconceituosos. “A parte social é muito importante. Agregamos todas as pessoas sem distinção. Abrimos as portas, apesar de toda a intolerância religiosa que vemos hoje, e conseguimos quebrar essa barreira”, comenta a enfermeira Mayara Rodrigues, de 26 anos.

O estudante Thiago Vinícius, de 16 anos, foi pela primeira vez a uma comemoração de São Cosme e São Damião e gostou da celebração. “Achei bom. Sempre tive vontade de visitar um terreiro. Não tenho religião, mas gosto da Umbanda”, comenta.

Já a enfermeira tem uma relação mais próxima com as celebrações das religiões afro-brasileiras por conta de sua família. Ela ressalta a felicidade de ver que a tradição permanece viva e se renova com outras crianças.

“Eu cresci nesse meio. Sempre gostei. Na minha infância, vinha muito pegar bombom. É muito bonito ver que até hoje a tradição continua viva e que a criança interior ainda vive dentro de muitas pessoas”, conta Mayara Rodrigues.

O ogã Fábio Augusto concorda e sente a infância dele ao estar comemorando a data de São Cosme e São Damião. “Para mim, é muito importante, porque eu consigo trazer de volta a minha infância. Eu também pegava bombom assim como todos eles. Me deixa feliz”, afirma.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/sao-cosme-e-sao-damiao-dos-bombons-da-infancia-ao-tambor-de-mina/