Vendedores sentem no bolso as mudanças do tempo em Belém

Depois de semanas marcadas por chuvas frequentes, moradores de Belém começam a perceber uma mudança no tempo, com períodos mais longos de sol. De acordo com o meteorologista Sidney Abreu, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Pará, maio foi um mês de transição entre o “inverno amazônico” e o “verão amazônico”.

Segundo Abreu, as condições de tempo pela manhã apresentam poucas nuvens e céu ensolarado, com aumento da cobertura de nuvens ao longo do dia, formando nuvens de tempestade no período da tarde e início da noite, quando ocorrem chuvas fortes na forma de pancadas de curta duração em pontos isolados.

Essas precipitações podem vir acompanhadas de ventos moderados, com rajadas de até 45 km/h, além de trovões e relâmpagos. “É o período em que as temperaturas do ar começam a aumentar, com mínima e máxima do dia em torno de 23°C e 34°C, respectivamente”, ressalta o meteorologista. Ele explica que a média climatológica de precipitação para maio é de 323,6 mm, mas até esta quarta-feira (20), o acumulado já chegou a 465,2 mm, ou seja, 44% acima da média climatológica.

A previsão indica poucas nuvens pela manhã na capital paraense, com aumento de nebulosidade à tarde e formação de pancadas de chuva isoladas no período da tarde e/ou início da noite. A precipitação total esperada para esse período é de 50 mm, e as temperaturas mínimas e máximas devem variar entre 24°C e 34°C.

Abreu reforça que o fenômeno El Niño ainda não influencia o regime de chuvas no estado. Durante o inverno do Hemisfério Sul (junho, julho e agosto), há grande probabilidade de o fenômeno se manifestar, causando interação entre o aquecimento da superfície do Oceano Pacífico Equatorial e a atmosfera, com efeitos em diversas regiões do planeta.

Vendedores sentem no bolso as mudanças do tempo em Belém Foto: Wagner Almeida / Diário do Pará.

Na Amazônia, isso poderia resultar em redução de chuvas e aumento das temperaturas. “Apesar dos modelos globais apresentarem a tendência de termos um evento de magnitude forte de El Nino, existe uma incerteza enquanto a intensidade com que pode acontecer”, afirma o meteorologista.

Trabalhadores sentem o impacto no bolso

O fator clima impacta trabalhadores que dependem das vendas que realizam ao ar livre ou em barracas por Belém. O autônomo José Roberto Silva, 72 anos, tem uma barraca em São Brás onde trabalha com a comercialização de água. Para se proteger do calor, ele usa uma lona para evitar o sol e mantém ligado um ventilador para deixar o clima mais ameno em dias mais quentes. Ele ressalta que o calor é bom para as vendas porque quanto maior a temperatura, mais água ele vende nas opções de 510 ml (R$3,00) e 290ml (R$2,00). “Quanto está bem sol, é aí que mais tem saída”, pontua.

Instabilidade climática aumenta e transforma o dia a dia em Belém Foto: Wagner Almeida / Diário do Pará.

Calor e sol também são bons para as vendas do autônomo Raimundo Filho, 51. Diariamente, ele trabalha com a venda de chopp de frutas a R$ 2,00 pelas ruas do bairro de São Brás. Uma forma de se proteger do sol é usar um boné para criar uma barreira física contra os raios solares no rosto e cabeça. Apesar disso, ele informa que prefere o tempo quente do que o tempo nublado ou com chuva. “O chopp só vende se estiver fazendo calor. Se chover, é prejuízo.”

Já no caso do autônomo Francenildo Barbosa, 51, ele afirma que faça sol ou faça chuva, o tempo é bom de qualquer forma e contribui para as vendas. Barbosa trabalha em um boxe com a comercialização de sombrinhas e guarda-chuvas com preços a partir de R$ 20,00. Para o autônomo, o clima de Belém é único, com mudanças de tempo muito rápidas. “Uma hora está quente, logo em seguida está chovendo. É sol o ano inteiro, aí as pessoas compram sombrinhas. Quando está no período chuvoso, elas recorrem ao guarda-chuva”, frisa Barbosa sobre as vendas das mercadorias.

Fonte: https://diariodopara.com.br/cotidiano/vendedores-sentem-no-bolso-as-mudancas-do-tempo-em-belem/