Bispos alertam sobre Flávio: “Não entreguem o país a quem contradiz os ensinamentos da Igreja”

Dezenas de bispos católicos divulgaram uma carta aberta em apoio à candidatura do presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (25), e alertaram para os riscos que a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) representa para a democracia, a soberania nacional, os direitos dos trabalhadores e a preservação ambiental.

Intitulado Carta de Bispos Católicos ao Povo de Deus diante do Segundo Turno das Eleições Presidenciais de 2026, o documento, divulgado na quinta-feira (22), afirma que o país vive um momento decisivo e que os princípios da Doutrina Social da Igreja Católica exigem um posicionamento diante das duas candidaturas.

“O cenário é muito grave, pois uma das candidaturas ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI, a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum”, afirmam os religiosos.

Sem citar nominalmente os candidatos, os bispos apresentam críticas que se referem a Flávio Bolsonaro, destacando posições do filho de Jair Bolsonaro sobre direitos trabalhistas, armamento, meio ambiente e relações internacionais. Em contraposição, reconhecem na candidatura de Lula o compromisso com os mais pobres, a preservação da chamada “Casa Comum” e o respeito à Constituição.

“Gostar ou não do atual Governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja”, diz outro trecho da carta.

Os bispos criticam a posição do senador contrária ao fim da escala de trabalho 6×1 e sua proposta de remuneração por hora trabalhada. Para os religiosos, essas medidas contrariam o princípio da dignidade do trabalhador e o direito a uma remuneração suficiente.

“A candidatura que sempre foi contra o fim da escala 6×1 e propunha pagar o salário por hora trabalhada, não reconhece a dignidade do trabalhador e poderá voltar a este tema”, afirma o documento.

O manifesto também questiona as posições do candidato do PL em relação aos Estados Unidos e alerta para os riscos à soberania nacional. Os bispos criticam a disposição de subordinar os interesses brasileiros aos norte-americanos, a participação em iniciativas para taxar produtos nacionais e a defesa da intervenção estrangeira nas eleições brasileiras. O documento também condena a proposta de entregar recursos estratégicos do país à exploração estrangeira.

“Um dos candidatos promete submissão do Brasil aos Estados Unidos (EUA), fez parte de uma conspiração para taxar produtos brasileiros, defende a intervenção estrangeira em nossas eleições e promete entregar nossas terras raras à exploração dos EUA”, afirma o texto.

As terras raras são um conjunto de elementos químicos importantes para a fabricação de equipamentos eletrônicos, tecnologias de energia e outros produtos estratégicos. A crítica dos religiosos diz respeito à exploração desses recursos por interesses estrangeiros, em um contexto de preocupação com a autonomia econômica e política do Brasil.

Na área social, os bispos lembram a oposição histórica do partido de Flávio Bolsonaro aos programas de combate à pobreza e afirmam que essa posição contraria a opção preferencial pelos pobres, princípio reafirmado nos documentos da Igreja.

Os pontífices também criticam a defesa do acesso amplo às armas, associada por eles à política adotada durante o governo de Jair Bolsonaro. A carta ressalta que a Doutrina Social da Igreja defende o desarmamento e considera o aumento da circulação de armas uma ameaça à estabilidade e à paz.

Na questão ambiental, os bispos criticam a posição de Flávio Bolsonaro diante da crise climática e alertam para a continuidade das políticas adotadas durante o governo de seu pai. A carta destaca que o cuidado com a ecologia é um princípio central da Doutrina Social da Igreja e condena tanto a negação dos problemas ambientais quanto a manutenção de medidas que favorecem a devastação.

“O cuidado com a Ecologia Integral é hoje elemento central da DSI”, afirmam os religiosos. Em seguida, citam a encíclica Laudato si’, que critica “as atitudes que barram os caminhos de solução” e que “vão da negação do problema à indiferença”.

Os bispos apontam diretamente a posição que atribuem ao candidato do PL: “Um dos candidatos não reconhece a crise climática, nega os problemas ecológicos e quer dar continuidade às políticas de devastação que caracterizaram o Governo de seu pai e a atuação de seu partido no Congresso”. O documento menciona ainda a Lei nº 15.190/2025, que os religiosos chamam de “Lei da Devastação”.

Os religiosos também condenam a defesa pública da tortura e as homenagens prestadas por integrantes da família Bolsonaro ao coronel Brilhante Ustra, reconhecido como torturador durante a ditadura militar.

Ao tratar da democracia, os bispos lembram que Jair Bolsonaro foi condenado e preso por atentar contra o regime democrático e afirmam que Flávio segue as ideias do pai. A carta alerta ainda para declarações que, segundo os signatários, ameaçam a ordem constitucional e para o risco de concentração de poder.

“Quem se calou diante das ameaças totalitárias que se concretizaram na Europa do século XX deixou uma herança vergonhosa para as gerações seguintes”, advertem.

Ao final, os bispos convocam os católicos a participar da votação de domingo, defendendo a democracia, os direitos humanos e a proteção dos mais pobres.

“Conclamamos a todos os católicos para que não deixem de exercer seu direito e votem no dia 25 de outubro, em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres e dos ensinamentos de nossa Igreja”, conclui o documento.

Fonte: https://horadopovo.com.br/bispos-alertam-sobre-flavio-nao-entreguem-o-pais-a-quem-contradiz-os-ensinamentos-da-igreja/