“Ela está solta na Europa, eu faço vaquinha para me defender”, diz jornalista perseguido por Zambelli

“Não vou deixar de lutar, mas tenho muito menos armas que ela. Só tenho minha escrita e minha vontade de ver a justiça sendo feita.” Foi assim que o jornalista Luan Araújo reagiu à decisão da Justiça de São Paulo que determinou sua prisão em regime aberto por não ter pago uma indenização decorrente de uma condenação por difamação movida pela ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP).

Em publicação nas redes sociais, Araújo classificou como “injusta” a condenação e relatou as dificuldades que enfrenta desde o episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando foi perseguido por Zambelli, que corria armada pelas ruas da capital paulista.

“Problemas psicológicos, desemprego, falta de oportunidades, uma condenação na Justiça por um texto que escrevi, onde a Justiça quer que eu pague um dinheiro que eu não tenho para pagar uma condenação que eu considero injusta”, afirmou o jornalista.

Araújo também comparou sua situação à da ex-parlamentar, atualmente na Itália enquanto responde a um processo de extradição para cumprir pena imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Apesar da condenação dela no STF, ela não precisará cumprir lá na Europa, solta. Enquanto isso, tô tendo que fazer uma vaquinha para conseguir entrar com um processo por danos morais contra ela”, disse.

A decisão que determinou a prisão em regime aberto foi proferida pelo juiz José Fernando Steinberg, do Juizado Especial Criminal do Foro da Barra Funda. O magistrado converteu a pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade após o não pagamento da indenização de mais de R$ 2,2 mil, acrescida de multas e custas processuais.

“Com efeito, tendo em vista que o condenado, apesar de devidamente intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta, nos termos do artigo 44, parágrafo 4º, do Código Penal, converto a pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade, nos moldes da sentença prolatada”, escreveu o juiz em decisão publicada em 1º de junho.

A condenação por difamação teve origem em uma publicação feita por Araújo após o episódio de 29 de outubro de 2022, quando Zambelli o perseguiu com uma arma em punho em uma das principais avenidas de São Paulo. Na ocasião, o jornalista criticou a então deputada e seus apoiadores, afirmando que ela integrava uma “seita de doentes de extrema direita que a segue incondicionalmente e segue cometendo atrocidades”.

A postagem motivou uma ação judicial movida por Zambelli. A ex-deputada alegou ter sido prejudicada pelas declarações do jornalista após a perseguição armada, episódio que posteriormente resultaria em sua condenação pelo STF pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.

Atualmente, Zambelli está na Itália e enfrenta um processo de extradição para cumprir a pena determinada pela Suprema Corte brasileira.

Ao comentar a nova decisão judicial, Araújo disse ainda confiar que haverá reparação. “Eu me considero uma pessoa espiritualizada, que confia que a justiça divina vai acontecer. Mas têm certas coisas que me deixam desesperançoso”, afirmou.

Fonte: https://horadopovo.com.br/ela-esta-solta-na-europa-eu-faco-vaquinha-para-me-defender-diz-jornalista-perseguido-por-zambelli/