Fandoms entram em campo e colocam redes sociais à disposição de Lula

Fã-clubes de artistas como Beyoncé, Taylor Swift, BTS e Anitta mobilizam comunidades digitais para ampliar informação e tentar alcançar os 33,4 milhões que não votaram no primeiro turno

Perfis de fãs de Beyoncé, Taylor Swift, BTS, Lady Gaga, Billie Eilish, Katy Perry, Dua Lipa, Ariana Grande, Justin Bieber, Kendrick Lamar, Shawn Mendes, Olivia Rodrigo, Anitta, Luísa Sonza e Marina Sena, entre outros artistas, começaram a colocar as redes deles à disposição da campanha de Lula (PT) no segundo turno.

O movimento, identificado nas redes pela hashtag #FandomsComLula, não é manifestação dos artistas. São páginas administradas por fãs e fã-clubes, algumas com grandes comunidades e experiência em mobilização digital.

Os perfis afirmam estar disponíveis para compartilhar informações públicas e conteúdos da campanha.

“Nossas redes estão abertas para você e sua equipe. Estamos disponíveis para compartilhar informações de interesse público e conteúdos relacionados à sua campanha”, afirmaram perfis mobilizados no X.

FORÇA DOS FANDOMS

A mobilização revela característica que a política tradicional nem sempre consegue reproduzir: comunidades digitais já estruturadas, capazes de organizar mutirões, produzir conteúdo e fazer mensagens circular rapidamente.

A experiência não surgiu agora. Fandoms brasileiros já se organizaram em campanhas sociais e ambientais e mantêm redes que ultrapassam a simples divulgação de artistas.

Em agosto, representantes de comunidades de fãs, incluindo grupos ligados a Beyoncé, BTS, Lady Gaga, Blackpink, Olivia Rodrigo e Taylor Swift, participaram de cerimônia no Palácio do Planalto.

Agora, a mobilização ganha dimensão eleitoral. Os grupos afirmam que pretendem alcançar eleitores que não compareceram às urnas, além de quem votou em branco ou anulou o voto.

33,4 MILHÕES FORA DAS URNAS

O alvo é numeroso. 33,4 milhões de eleitores não compareceram ao primeiro turno, equivalente a 21,08% do eleitorado. Foi a maior abstenção registrada em eleição geral desde 1998.

Esses eleitores podem votar no segundo turno, desde que estejam com o título regularizado.

A dimensão desse contingente ganhou importância diante do resultado apertado entre os 2 candidatos. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47,03%, contra 45,16% de Lula (PT), diferença de 2.224.965 votos.

A abstenção, entretanto, não representa automaticamente votos disponíveis para qualquer candidato. O desafio das campanhas é alcançar esses eleitores, entender as razões da ausência deles e convencê-los a participar da segunda etapa.

“ESPERANÇA COMPARTILHADA VIRA ORGANIZAÇÃO”

É nesse contexto que ganha força a reflexão da comunicadora Nay Ruiz, que destacou a capacidade de mobilização dessas comunidades. Para ela, o medo pode produzir imobilidade, enquanto a esperança precisa estar associada à ação.

“A esperança capaz de mobilizar precisa de 3 coisas: um futuro em que vale a pena acreditar, um caminho possível até ele e a sensação de que a nossa ação tem algum efeito”, afirmou.

Na avaliação de Nay, os fandoms perceberam que dispõem de comunidades, alcance e capacidade de organização e decidiram colocar essa estrutura em movimento. “Uma comunidade cresce quando cada pessoa entende que não precisa fazer tudo, mas precisa fazer alguma coisa”, disse.

A ideia sintetiza nova frente da disputa eleitoral: em vez de depender exclusivamente de grandes estruturas partidárias ou de celebridades, comunidades já organizadas nas redes podem assumir papel próprio na circulação de informações e na mobilização eleitoral.

DEMOCRACIA TAMBÉM SE DISPUTA NAS REDES

O fenômeno ocorre num momento em que a eleição mobiliza preocupação mais ampla com a democracia e o Estado de Direito.

A participação dos fandoms não substitui partidos, militantes ou campanhas, mas acrescenta rede digital e cultural que pode alcançar públicos normalmente distantes da comunicação política tradicional.

A questão, portanto, não é apenas quantos seguidores essas páginas possuem. É a capacidade de transformar audiência em participação, informação em conversa e comunidade virtual em presença cidadã.

O segundo turno será disputado em 25 de outubro. Até lá, cada campanha terá de encontrar maneiras de chegar aos milhões que ficaram fora do primeiro turno. Os fandoms já decidiram ocupar esse espaço, em favor de Lula.

Fonte: https://horadopovo.com.br/fandoms-entram-em-campo-e-colocam-redes-sociais-a-disposicao-de-lula/