O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que a redução da jornada e o fim da escala 6×1 representam um “caminho sem volta”, impulsionado pela forte demanda social e por experiências já adotadas por empresas que têm registrado ganhos de produtividade, redução de faltas e benefícios também para o Estado.
Em entrevista ao portal NeoFeed, Marinho defendeu que a mudança na jornada de trabalho tende a avançar no país mesmo diante de resistências no setor empresarial, e destacou que parte das companhias já vem testando modelos alternativos de escala.
“Meu sentimento é que é um caminho sem volta. Pode durar mais ou menos dias, mas vai acontecer. Porque é uma opinião muito forte da sociedade. É prudente, é positivo. Tem alguns empresários que até já fizeram testes e se convenceram que foram beneficiados, que implantaram a escala 5×2 em todas as suas unidades. Eles viram que é vantagem para as empresas, vantagem para os trabalhadores, para o Estado brasileiro. Se você diminui as faltas do trabalhador, é bom para a produtividade. Se você diminui afastamento por atestado de saúde, é bom para todos. Não é inteligente ficar postergando”, declarou, ao ser questionado sobre a resistência empresarial ao projeto.
Segundo o ministro, experiências já realizadas em empresas mostram que a redução da jornada pode gerar efeitos positivos tanto para a produtividade quanto para a saúde do trabalhador e para o funcionamento geral da economia.
Questionado sobre as negociações para o avanço da matéria, Marinho afirmou que já há maior abertura em comparação com fases anteriores do debate.
“Sim, venho conversando. Mas elas já vêm falando até de forma envergonhada. Não é mais com aquela fúria. Hoje já meio que aceitaram e estão planejando como fazer. Eu digo: conversar lá com o seu sindicato e vai definindo se tem alguma situação que poderiam fazer por negociação coletiva. Quando reduzir para as 40h, elas [empresas] acham que vão ser lesadas pela jornada menor. Mas é só fazer uma negociação pelas horas adicionais. Ou o empregado fazer um banco de horas. É uma possibilidade. O trabalhador de São Paulo que vai ser padrinho de casamento em Minas fala para o patrão que vai pegar horas acumuladas, e tudo certo.”
O ministro também reforçou que o governo tem atuado politicamente para destravar o debate da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Senado. De acordo com Marinho, a estratégia é ampliar o diálogo com parlamentares e construir condições para que a proposta avance na Casa, ainda sem data para votação.
Fonte: https://horadopovo.com.br/fim-da-escala-6×1-traz-vantagens-para-empresas-trabalhadores-e-para-o-pais-afirma-marinho/

