Candidata ao governo do Rio Grande do Sul pelo PDT, Juliana Brizola afirmou que pretende ampliar a oferta de escolas de tempo integral no Estado e colocar o combate ao feminicídio diretamente sob coordenação do gabinete do governador caso seja eleita. As propostas foram apresentadas durante entrevista ao Programa Acontecendo, da Rádio Guaíba, nesta quarta-feira (16).
Neta do ex-governador Leonel Brizola, Juliana afirmou que a trajetória política do avô é uma das principais referências de sua atuação. Segundo ela, a defesa da educação em tempo integral está diretamente ligada ao projeto educacional desenvolvido por Brizola no Rio Grande do Sul e, posteriormente, no Rio de Janeiro.
Juliana é autora da lei que incluiu a escola de tempo integral na Constituição Estadual do Rio Grande do Sul. A medida transformou a modalidade em uma política de Estado. Na entrevista, ela disse que pretende levar o modelo para toda a rede estadual e associá-lo também à formação profissional dos estudantes.
A candidata afirmou que considera o ensino integral uma forma de ampliar a qualidade da educação e defendeu que os alunos tenham a possibilidade de cursar o ensino médio junto com uma formação técnica.
Durante a entrevista, Juliana também falou sobre as escolas cívico-militares e reconheceu que mudou de posição sobre o modelo. Ela contou que chegou a votar favoravelmente à proposta quando era deputada estadual, mas posteriormente se arrependeu da decisão. Segundo a candidata, sua avaliação inicial era de que o sistema poderia funcionar de maneira semelhante aos colégios militares, mas ela passou a defender uma divisão mais clara entre as funções de educadores e militares.
Na área da segurança pública, um dos principais pontos apresentados por Juliana foi o enfrentamento da violência contra as mulheres. Com formação de mestrado em Ciências Criminais, a candidata criticou a forma como o Estado acompanha atualmente mulheres que recebem medidas protetivas contra agressores.
Segundo Juliana, a medida protetiva, sem acompanhamento posterior, não seria suficiente para impedir novos episódios de violência. Ela afirmou que pretende colocar a coordenação das políticas de combate ao feminicídio e à violência contra crianças diretamente dentro do gabinete do governador, para que o tema tenha acompanhamento centralizado pelo Executivo estadual.
A candidata também afirmou que pretende manter o programa RS Seguro, mas defendeu mudanças na atuação voltada à proteção das mulheres. Em outro debate realizado durante a campanha, Juliana já havia defendido a ampliação do uso de câmeras corporais pelas forças de segurança e medidas específicas de proteção às vítimas de violência doméstica.
Na área econômica, Juliana criticou o modelo de gestão adotado pelo Estado nos últimos anos, especialmente as políticas de ajuste fiscal e as privatizações realizadas durante as administrações de José Ivo Sartori e Eduardo Leite. Ela citou as privatizações da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) e da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) e afirmou que a venda das empresas não teria solucionado os problemas financeiros do Rio Grande do Sul.
A candidata também questionou os efeitos das medidas de austeridade sobre os servidores públicos e consumidores. Segundo ela, mesmo depois das privatizações e de mudanças promovidas para melhorar as contas estaduais, o Estado ainda enfrenta uma situação financeira delicada.
Para lidar com a dívida do Rio Grande do Sul com a União, Juliana defende a substituição do Regime de Recuperação Fiscal pelo Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, o Propag. A proposta, segundo ela, permitirá direcionar recursos que seriam utilizados no pagamento de juros para áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Juliana também afirmou que pretende buscar a extensão do fundo destinado à reconstrução do Estado após as enchentes de 2024. Segundo a candidata, ela já tratou do assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pretende trabalhar pela criação de um Fundo Constitucional do Sul no Congresso Nacional. A pedetista afirmou ainda que, independentemente de quem ocupar a Presidência da República, pretende negociar diretamente com o governo federal em defesa dos interesses do Rio Grande do Sul.
A prevenção de novas enchentes também apareceu entre as propostas apresentadas na entrevista. Juliana defendeu a criação de protocolos específicos de emergência para diferentes regiões do Estado, sistemas de alerta e obras de infraestrutura para reduzir os impactos de alagamentos.
Entre as medidas citadas estão a construção e recuperação de diques e casas de bombas. A candidata também propôs maior participação de universidades e pesquisadores no planejamento das ações de prevenção, mencionando especificamente estudos desenvolvidos há décadas por especialistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Na saúde, Juliana afirmou que pretende enfrentar a fila de pacientes que aguardam exames, consultas e cirurgias no Sistema Único de Saúde. A proposta apresentada envolve a realização de mutirões e a ampliação do funcionamento dos hospitais para o período noturno.
A candidata também citou o projeto Pró-Hospitais, de sua autoria, que permite que empresas destinem parte do ICMS devido ao Estado para hospitais filantrópicos e Santas Casas. Segundo ela, o mecanismo pode ser utilizado para ampliar a capacidade de atendimento da rede hospitalar.
Na infraestrutura e na economia, Juliana relacionou a recuperação das estradas, das ferrovias e das hidrovias ao objetivo de recuperar a atividade econômica do Estado. Ela também defendeu investimentos em irrigação para o setor agrícola.
Outro ponto abordado foi a redução da população em algumas regiões gaúchas. Juliana citou a perda de moradores de Porto Alegre na última década e afirmou que a recuperação econômica e a criação de melhores condições de trabalho e infraestrutura seriam necessárias para conter o deslocamento da população para outras regiões.
Na segurança pública, a candidata afirmou que pretende respeitar os concursos públicos já realizados e convocar candidatos aprovados além do número inicialmente previsto, especialmente para reforçar a Polícia Civil. Ela também apontou o combate aos crimes digitais como uma das áreas que pretende ampliar em uma eventual gestão.
Fonte: https://horadopovo.com.br/juliana-brizola-defende-escola-de-tempo-integral-e-acoes-diretas-contra-feminicidio-no-rs/


