Paes chama Ruas de “mentiroso com jeitão de miliciano” e expõe ligação com Castro e Bacellar

O candidato do PSD ao governo do Rio, Eduardo Paes, chamou Douglas Ruas (PL) de “mentiroso com jeitão de miliciano” durante o debate promovido pela TV Globo na noite desta terça-feira (29), a cinco dias do primeiro turno. O encontro reuniu Paes, Ruas, Anthony Garotinho (Republicanos), William Siri (PSOL) e André Marinho (Novo) e foi marcado por ataques concentrados nos dois líderes das pesquisas e nas alianças de cada um.

Na pesquisa Quaest, Paes tem 34% das intenções de voto e Ruas, 25%. A eleição acontece no domingo (4).

Paes passou o debate associando Ruas ao ex-governador Cláudio Castro (PL), de quem o candidato do PL foi secretário das Cidades, e a Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, cargo hoje ocupado por Ruas. O ex-prefeito chamou o adversário de “reserva do Bacellar”, em referência ao fato de Ruas não ter sido a primeira opção na sucessão de Castro. Bacellar foi preso sob suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho.

Ruas admitiu a proximidade: “Tive, sim, uma relação de trabalho e não nego”. Em seguida, acusou Paes de ter se encontrado com Castro fora da relação profissional — chamou o ex-prefeito de “amigo de boteco” do ex-governador — e perguntou se ele teve contato com Bacellar depois que o ex-presidente da Alerj saiu da cadeia. O tempo de Paes havia acabado, e ele não respondeu.

A estratégia de Ruas foi colar Paes em Lula. Disse que o ex-prefeito estava “muito preocupado” com o embate entre o presidente e o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o acusou de “esconder” a relação com o petista: “Eduardo Paes faz campanha para o Lula, fizeram uma carreata e ele sequer fez uma postagem”. Questionado por Siri sobre desenvolvimento econômico, Paes respondeu: “Ele não é meu patrão, não preciso ficar aqui ‘Lula, Lula, Lula’. Eu trabalho em conjunto com o governo federal”.

TRANSPORTE ABRE O EMBATE

O primeiro bloco teve temas sorteados ao vivo, e o primeiro foi transporte público. Ruas cobrou de Paes a promessa da Linha 3 do metrô até São Gonçalo e o VLT entre o Santos Dumont e Botafogo. Paes disse que 80% dos investimentos de sua gestão foram para a zona norte, as favelas e a zona oeste, “porque são as áreas que mais precisam”. “Um VLT de Botafogo é uma boa iniciativa, é importante, mas não era minha prioridade. Minha prioridade foi recuperar o BRT”, afirmou.

Ruas acusou o ex-prefeito de mudar de prioridade depois de eleito: “Este aqui é retrato da velha política, vale tudo pra ganhar a eleição”. Paes rebateu lembrando que quem falava era o secretário de Castro e o substituto de Bacellar na Alerj e na candidatura ao governo, posto que só ficou vago porque Bacellar está preso.

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER E AUTISMO

No segundo bloco, de tema livre, Ruas perguntou a Paes sobre violência contra a mulher. Paes propôs ampliar a Patrulha Maria da Penha e criar oito delegacias da mulher 24 horas. Ruas usou os segundos finais para lembrar a acusação de violência doméstica contra Pedro Paulo, candidato do PSD ao Senado, arquivada pelo STF. Paes respondeu que Pedro Paulo foi inocentado e reagiu: “Ele fala como se tivesse vindo do além, mas era secretário do Castro”. Citou ainda o irmão de Ruas, o vereador de São Gonçalo Nelsinho Ruas, alvo de processo por agressão denunciada pela ex-companheira.

No quarto bloco, Ruas voltou a Paes com uma pergunta sobre atendimento a pessoas com autismo. Paes reconheceu que usou uma expressão inadequada ao falar sobre pessoas autistas e pediu desculpas caso tenha ofendido alguém. Disse que a proposta foi elaborada com especialistas e prevê avaliação multidisciplinar, atendimento por faixa etária e criação de centros estaduais.

Na mesma rodada, em pergunta a Garotinho, Paes questionou a apresentação de Ruas como “nova política”, citou a passagem do adversário pela Polícia Civil, os cargos que ocupou em governos ligados ao pai e um inquérito do Ministério Público.

Na região Noroeste, sorteada no terceiro bloco, Paes perguntou a Ruas quais obras relevantes ele fez na região quando comandou a Secretaria das Cidades. Ruas disse ter feito obras em 73 municípios e prometeu ampliar serviços de alta complexidade, especialmente para pacientes com câncer. Paes disse que o adversário não fez nenhum projeto transformador na região e prometeu o contorno viário de Itaperuna.

GAROTINHO MIRA PAES E RUAS

Garotinho atacou os dois. Acusou Daniel Soranz, ex-secretário de Saúde de Paes, e o atual prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, de estarem na lista de pagamento do bicheiro Adilson Coutinho Filho, o Adilsinho, e cobrou explicações do ex-prefeito. Sobre Ruas, disse que “queria perguntar qual foi o bandido que ele prendeu” enquanto era policial.

No tema dívida do estado, Garotinho leu nomes de pessoas ligadas ao governo Castro que, segundo ele, aparecem em investigação da Polícia Federal, e perguntou a Marinho: “O Globo disse que Cláudio Castro roubou 8 bilhões. Eu acho que foi mais, o que você acha?”. Em pergunta a Siri, voltou às listas de pagamento, desta vez à “lista do Bacellar”, e defendeu que os nomes sejam divulgados antes da eleição. Siri relacionou a prisão de Bacellar às investigações sobre crime organizado e política. Garotinho reivindicou a autoria da frase: “O gabinete do crime organizado no Rio é o gabinete do Palácio Guanabara e a subsecretaria na Alerj. Essa frase é minha”.

No último bloco, Garotinho perguntou repetidamente a Paes onde estavam as vigas de aço retiradas da Perimetral. Paes disse que a região portuária foi objeto de uma PPP e que as vigas pertenciam a uma empresa privada. Garotinho afirmou que as estruturas foram levadas ao Porto e depois ao Catar. Na pergunta final da noite, a Marinho, Garotinho falou em fraudes na concessão dos cemitérios na gestão Paes, que usou direito de resposta para rebater.

Garotinho disputa a eleição com a candidatura indeferida pelo TRE-RJ. No debate, reafirmou que seu nome estará nas urnas. Mais cedo, disse que vai recorrer da decisão que manteve o indeferimento.

SIRI E A REESTATIZAÇÃO

Siri defendeu reestatizar a Cedae, privatizada, e os trens da SuperVia, argumentando que a privatização não trouxe a melhoria prometida. Garotinho apoiou a reestatização da Cedae — “Estou contigo nessa” —, prometeu reduzir as contas de água, impedir a cobrança por esgoto que não é prestado e buscar na Justiça a anulação dos contratos.

Em pergunta de Paes sobre emprego, Siri propôs reindustrializar o estado com complexos produtivos ligados a universidades e centros de pesquisa e um campus da Uerj em Campo Grande. Paes prometeu triplicar a oferta de ensino técnico e ampliar o ensino integral; Siri criticou a política educacional do ex-prefeito e defendeu fortalecer a Faetec.

Ao abrir o segundo bloco, Siri chamou Flávio Bolsonaro de “miliciano bandido” e perguntou a Ruas sobre o fim da escala 6×1. Ruas defendeu o senador, pediu a Siri que não se igualasse a Eduardo Paes e teve negado o pedido de direito de resposta. Sobre a 6×1, disse que o trabalhador precisa de mais descanso, mas que o custo não deve recair sobre os empresários, e associou a solução à redução de impostos.

No quarto bloco, Siri perguntou a Ruas sobre ligações de políticos do PL e de Castro com o escândalo do Rioprevidência. Ruas não tratou das ligações, pediu penas duras para agentes públicos envolvidos em escândalos e elogiou o ministro André Mendonça, do STF.

Em pergunta sobre educação no Centro-Sul, Siri questionou se Paes continuaria tratando os servidores “de forma não digna”, como teria feito na prefeitura. Paes ignorou a provocação, citou os resultados da capital no Ideb e prometeu corrigir anualmente os salários dos servidores pelo IPCA. Siri defendeu o piso nacional e reajustes para professores.

Fonte: https://horadopovo.com.br/paes-chama-ruas-de-mentiroso-com-jeitao-de-miliciano-e-expoe-ligacao-com-castro-e-bacellar/