A Quadrilha Junina Flor do Mandacaru, de Açailândia (MA), levou para os arraiais deste ano uma forte crítica ao modelo de trabalho exaustivo e à escala 6×1. Por meio da dança, do teatro e da música, o grupo utilizou a cultura popular para reivindicar mais tempo para viver, descansar, estudar e conviver com a família.
Com o enredo “Balança, São José: O Fio, o Nó e a Fé”, em referência a São José, tradicionalmente considerado o padroeiro dos trabalhadores, a apresentação retrata a rotina desgastante nas fábricas e destaca a importância da classe trabalhadora. Em um dos momentos mais marcantes do espetáculo, os personagens afirmam: “Sem nós, a fábrica para!”.
A encenação é acompanhada por versos que expressam o desejo dos trabalhadores por uma vida além da jornada diária. Em determinado trecho, os integrantes declamam: “Eu quero descansar, eu quero ver meus filhos crescer, eu quero voltar a estudar, eu quero ler mais. Os direitos é viver!”.
Em outro momento, ecoa a defesa do direito à vida e à felicidade: “A gente não quer só trabalho, a gente quer trabalho, direção e arte. A gente não quer só trabalho, a gente quer saída para qualquer parte. A gente não quer só trabalho, a gente quer vida, diversão, balé. A gente não quer só trabalho, a gente quer a vida como a vida quer.”
Também são entoados versos que reforçam a busca por dignidade e realização pessoal:
“Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?” e “A gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro, a gente quer fazer amor. A gente não quer só dinheiro, a gente quer prazer, família e amor. A gente não quer só trabalho, a gente quer trabalho e felicidade.”
A Quadrilha Junina Flor do Mandacaru tem suas origens no grupo Cangaceiros de Sebastião, criado para animar as atividades da comunidade católica local. Ao longo dos anos, a agremiação se consolidou como uma das mais importantes expressões da cultura junina maranhense e nordestina, acumulando mais de uma década de participação em festejos e concursos.
PAUTA DE QUEM TRABALHA
A apresentação deste ano repercutiu nacionalmente e foi comentada pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). Em publicação nas redes sociais, ele destacou que “ver uma quadrilha junina transformar em arte a luta pelo fim da escala 6×1 mostra o quanto esse tema faz parte da realidade de milhões de brasileiros”.
Segundo o parlamentar, “essa não é uma pauta só da política. É uma pauta de quem acorda cedo, trabalha o dia inteiro e quer ter tempo para estar com a família, descansar, cuidar de si e viver”, completou.
“Escala 6×1: quando um tema chega ao tablado da quadrilha, é sinal de que ele já faz parte da vida dos brasileiros”, declarou o deputado federal Pedro Campos (PSB-PE). Parabéns à quadrilha @juninaflordemandacaru de Açailândia (MA), por transformar um dos principais debates do país em arte, reflexão e expressão popular”, destacou Campos pelas mídias sociais.
A apresentação também provocou ampla repercussão nos meios digitais, onde internautas destacaram a combinação entre arte popular e crítica social. “A arte a serviço dos legítimos interesses do povo. Viva a nossa cultura!”, escreveu uma usuária. Outro comentário ressaltou o protagonismo da região Nordeste: “O Nordeste e o nordestino sempre salvando o Brasil”.
A repercussão do espetáculo nas redes sociais foi marcada por elogios à combinação entre cultura popular e defesa do fim da escala 6×1. “A arte a serviço dos legítimos interesses do povo. Viva a nossa cultura!”, escreveu uma internauta. Outra destacou o papel da região na produção cultural brasileira: “O Nordeste e o nordestino sempre salvando o Brasil”.
A grandiosidade da apresentação também foi exaltada pelo público. “Que Broadway o quê?”, comentou um usuário. Outro afirmou: “Viva a arte crítica, aquela que expõe a vontade de forma organizada, respeitosa e, como sempre, linda”. Houve ainda quem resumisse a mensagem central do espetáculo na frase: “A gente quer se ver inteiro e não pela metade”.
“Que força, beleza, tudo perfeito! Causa urgente”, escreveu uma espectadora. Outra classificou a encenação como “uma belíssima manifestação e protesto”. Uma internauta relatou ter se emocionado com a apresentação. “Emocionada e assistindo 20 vezes! Obrigada por trazerem através da cultura uma reflexão tão necessária!”, afirmou.
Entre os comentários, também apareceram manifestações de caráter político. “Vamos espalhar consciência de classe para derrotar a elite exploradora”, escreveu um usuário. Outro associou a valorização da cultura popular às lutas sociais: “Por isso a direita é contra a cultura popular. Porque a arte popular alimenta a luta que liberta o povo”.
A apresentação também suscitou críticas de internautas às declarações da deputada federal Julia Zanatta (PL-SC), que se posicionou contra o fim da escala 6×1. Um dos comentários afirmou que a parlamentar sustenta que a medida “vai quebrar o Brasil sem apresentar nenhum estudo”, acrescentando que “tem vários países que deram certo” e concluindo com a defesa do “fim da escala 6×1”.
Assista a apresentação na íntegra:
Fonte: https://horadopovo.com.br/quadrilha-flor-do-mandacaru-usa-arte-popular-para-lutar-contra-a-escala-6×1/

