Sob Tarcísio, panes na CPTM e Metrô crescem 27%

Linhas privatizadas lideram aumento das panes. “Depois da privatização das linhas da CPTM, tivemos dez descarrilamentos”, denunciam Metroviários

O transporte sobre trilhos de São Paulo vive uma escalada de problemas. Levantamento divulgado pelo G1 da Rede Globo revela que o número de falhas nas linhas de trens e metrôs do estado cresceu 27% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e junho foram registradas 205 ocorrências, ante 161 em 2025, o que representa uma média superior a uma falha por dia na malha ferroviária paulista.

Os dados mostram que o agravamento da situação se concentra justamente nas linhas entregues à iniciativa privada. As concessionárias responderam por 89 falhas nos seis primeiros meses do ano, um aumento de 56% em comparação com o mesmo período de 2025. O caso mais expressivo foi o da Linha 7-Rubi, operada pela TIC Trens, que registrou alta de 600% nas ocorrências.

Para o presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Dagnaldo Gonçalves Pereira, o aumento dos problemas está diretamente relacionado ao processo de privatização conduzido pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Metroviário há 38 anos e operador da Linha 3-Vermelha, ele afirma que nunca havia presenciado episódios como os registrados após a transferência de linhas da CPTM para empresas privadas.

“Estou há 38 anos na companhia. Nunca vi um descarrilamento no Metrô de São Paulo quando as empresas eram estatais. Depois da privatização das linhas da CPTM, tivemos dez descarrilamentos”, afirmou o dirigente em entrevista ao Brasil de Fato.

Embora a Linha 3-Vermelha tenha registrado o maior número absoluto de falhas no semestre, com 28 ocorrências, o levantamento evidencia que os maiores aumentos percentuais ocorreram nas linhas operadas pela iniciativa privada. Além da explosão de falhas na Linha 7-Rubi, a Linha 4-Amarela apresentou crescimento de 220%. Já a Linha 11-Coral, que será transferida para operação privada ainda neste mês, teve aumento de 275% nas ocorrências em relação ao primeiro semestre do ano passado.

Segundo Dagnaldo, a precarização também está ligada à redução do quadro de trabalhadores. Ele afirma que o sistema perdeu entre 30% e 40% de seus funcionários nos últimos anos e que já existem estações operando com apenas um empregado, situação que compromete tanto o atendimento aos passageiros quanto a execução das atividades de manutenção.

Na avaliação do sindicalista, a busca pelo lucro reduz investimentos em manutenção preventiva, elemento fundamental para garantir a segurança e a regularidade da operação. “A iniciativa privada está aqui para ganhar dinheiro. Isso causa a falta de manutenção preventiva”, aponta. “Há linhas estatais com mais de 40 anos que não apresentam falhas como as observadas em linhas recentemente entregues às concessionárias”, declarou.

Os impactos recaem diariamente sobre milhões de trabalhadores que dependem do transporte ferroviário. Atrasos, interrupções, lentidão, plataformas superlotadas e viagens mais longas tornaram-se parte da rotina dos passageiros, especialmente nas linhas concedidas nos últimos anos.

O presidente do Sindicato dos Metroviários também comparou a situação do transporte ao que vem ocorrendo após a privatização da Sabesp. Para ele, os problemas observados em diferentes serviços públicos demonstram que a transferência dessas atividades para empresas privadas não produziu a melhoria prometida pelo governo estadual e, ao contrário, tem resultado na deterioração da qualidade dos serviços prestados à população.

Os números do primeiro semestre reforçam o contraste entre as promessas feitas durante o processo de privatização e a realidade enfrentada diariamente pelos usuários do transporte sobre trilhos em São Paulo.

Diante da escalada das falhas, o governador Tarcísio de Freitas voltou a afirmar que acompanha de perto a situação e admitiu a existência de problemas estruturais na rede ferroviária, prometendo investimentos para corrigir deficiências históricas em sistemas de alimentação elétrica, sinalização e infraestrutura. 

A declaração remete ao discurso adotado por Tarcísio em relação à Sabesp privatizada, quando disse que os sucessivos acidentes, rompimentos de adutoras, mortes e outros problemas provocados pela empresa lhe “tiravam o sono”. Meses depois, porém, os problemas continuam se repetindo.

Agora, o mesmo cenário se repete no transporte sobre trilhos. Enquanto o governo afirma que acompanha a situação, passageiros enfrentam diariamente falhas, atrasos e interrupções, e as concessionárias seguem anunciando investimentos que, até aqui, não se traduziram em melhora perceptível do serviço.

Fonte: https://horadopovo.com.br/sob-tarcisio-panes-na-cptm-e-metro-crescem-27/