Funcionários da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), denunciaram estar enfrentando um cenário de pressão, transferências compulsórias e crescente adoecimento após a privatização da empresa. As reclamações foram levadas à Assembleia Legislativa de Minas Gerais durante audiência pública promovida pela Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social, onde representantes dos trabalhadores afirmaram que milhares de empregados vêm sendo removidos para municípios distantes sem negociação prévia, provocando impactos profundos na vida familiar, financeira e psicológica da categoria.
Ainda segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos de Minas Gerais, aproximadamente 3 mil dos cerca de 9 mil funcionários da companhia estariam sendo atingidos pelas mudanças, mesmo após a garantia de estabilidade de 18 meses conquistada durante o processo de privatização.
De acordo com os relatos apresentados na audiência, diversos trabalhadores passaram a receber comunicações por e-mail determinando sua apresentação em novas unidades localizadas a centenas de quilômetros de suas residências, em alguns casos chegando a distâncias próximas de 900 quilômetros. Os trabalhadores afirmam que as transferências são realizadas sem diálogo prévio e que os auxílios financeiros oferecidos pela empresa não seriam suficientes para cobrir despesas com mudança, moradia e reorganização da rotina familiar. O sindicato sustenta que muitos profissionais acabam sendo colocados diante da escolha entre aceitar o deslocamento compulsório ou pedir demissão, situação que, segundo a entidade, caracteriza uma forma de pressão indireta sobre os empregados.
Durante a audiência, representantes sindicais também relataram um aumento expressivo nos casos de adoecimento mental entre os funcionários da companhia. Segundo o Sindágua, o ambiente de insegurança criado pelas remoções, somado às incertezas sobre o futuro profissional, tem provocado elevados níveis de ansiedade, estresse e sofrimento psicológico. A entidade afirmou ainda que houve registro de três suicídios que podem ter relação com o agravamento das condições de trabalho, embora essa associação não tenha sido oficialmente comprovada pelas autoridades competentes. Os representantes dos trabalhadores defenderam a suspensão imediata das transferências até que cada caso seja analisado individualmente e que sejam considerados fatores familiares, sociais e econômicos antes da adoção de qualquer remoção.
Parlamentares que participaram da audiência também manifestaram preocupação com as denúncias. O deputado estadual Betão (PT), responsável por solicitar o debate na Assembleia Legislativa, afirmou que as transferências sem diálogo representam um grave desrespeito aos trabalhadores e às suas famílias, defendendo que a empresa interrompa as remoções até que haja negociação transparente com os empregados e suas entidades representativas.
As denúncias surgem em meio ao processo de privatização da Copasa, aprovado pelo governo de Minas Gerais como parte de uma estratégia de reestruturação da companhia. Embora a empresa afirme que as transferências não decorrem diretamente da mudança no controle societário e sustentem que fazem parte de uma reorganização administrativa iniciada antes da conclusão da privatização, sindicatos e representantes dos trabalhadores argumentam que as medidas refletem a nova dinâmica de gestão adotada após a venda da empresa.
Para as entidades sindicais, a busca por maior eficiência operacional e redução de custos tem resultado em mudanças que impactam diretamente a rotina dos trabalhadores, tornando a privatização o principal contexto em que as denúncias de pressão, remoções compulsórias e adoecimento passaram a ganhar força.Em resposta às acusações, a Copasa negou que as mudanças estejam relacionadas à privatização e afirmou que as movimentações fazem parte de um processo de reestruturação iniciado em 2024. A companhia declarou que as transferências seguem critérios administrativos e operacionais, respeitando a legislação trabalhista e os acordos firmados com os empregados.
A empresa também informou que oferece auxílio financeiro conforme a distância da nova lotação e sustentou que busca otimizar a distribuição da força de trabalho para melhorar a prestação dos serviços de saneamento no estado.
Fonte: https://horadopovo.com.br/trabalhadores-acusam-copasa-de-impor-transferencias-sem-dialogo-apos-privatizacao/

