Foto: Assis fernandes/ O Dia –
Projeção do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, estima 19 mil mortes no Brasil e 857 mil no mundo
O Super El Niño pode provocar até 1,4 mil mortes relacionadas ao calor extremo no Piauí entre junho de 2026 e março de 2027. A estimativa é do Climate Impact Lab, grupo de pesquisadores ligado à Universidade de Chicago, que aponta o risco de o fenômeno se tornar o mais intenso desde 1950. Para todo o Brasil, a projeção é de aproximadamente 19 mil mortes.
No Piauí, a previsão indica 350 mortes entre junho e setembro e outras mil entre outubro e março, com maior impacto em novembro e dezembro. Em escala mundial, a estimativa chega a 857 mil mortes, quase o dobro da projeção anterior.
O climatologista e diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, Werton Costa, alerta que os efeitos do calor extremo atingem principalmente as populações socialmente vulneráveis. Segundo ele, pobreza, moradias inadequadas e falta de infraestrutura ampliam os riscos à saúde.
“O que mata é a pobreza, é a exclusão das pessoas”, afirmou, defendendo políticas públicas de proteção, assistência e reassentamento para famílias que vivem em áreas insalubres.
Estudos apontam impacto sobre idosos e gestantes
A preocupação é reforçada por pesquisas anteriores. Um estudo da Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia (UFBA) identificou 2,4 mil mortes atribuídas a ondas de calor no Piauí entre 2000 e 2019. Os idosos concentraram quase 90% dos casos registrados no estado, percentual superior à média nacional, de 80%.
Outro levantamento, realizado em Teresina em parceria com o Fundo de População da ONU (UNFPA), ouviu 411 gestantes em 75 Unidades Básicas de Saúde. Entre elas, 89% afirmaram que o calor afeta a saúde física e 83,7% relataram prejuízos ao bem-estar.
A pesquisa também revelou falta de orientação: 91% nunca haviam conversado com profissionais de saúde sobre os efeitos das altas temperaturas durante a gravidez. Além disso, 60% dependiam de deslocamentos a pé para consultas de pré-natal e 69% disseram não morar em residências adaptadas ao calor.
Os estudos reforçam que os efeitos das temperaturas extremas vão além das condições climáticas. A pobreza, a infraestrutura urbana precária e a falta de informação aumentam a exposição de idosos, gestantes e outras populações vulneráveis aos riscos do calor.
Com informações do portalodia.com

