Embora o uso de agentes de inteligência artificial (IA) avance no ambiente de trabalho, empresas brasileiras ainda enfrentam dificuldades para transformar experimentos em aplicações consolidadas. Apenas 17% das organizações no País estão em estágio de adoção consolidada de agentes de inteligência artificial, enquanto 40% ainda aceleram suas iniciativas internas.
Os dados fazem parte da segunda edição do estudo “Work: In Progress”, anunciado nesta quinta-feira (24) pelo Google Cloud durante o Google Cloud Summit Brasil 2026, em São Paulo. O levantamento foi realizado pela IDC e Provokers.
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Na América Latina, 12% das empresas chegaram ao estágio consolidado de adoção, enquanto 35% estão em fase de aceleração. O Brasil, portanto, apresenta índices superiores à média regional, mas ainda existe uma distância entre a experimentação e a incorporação da tecnologia aos processos corporativos.
Essa diferença aparece também no comportamento dos profissionais. Segundo o estudo, 71% dos brasileiros utilizam assistentes de IA no cotidiano profissional, ante 63% na América Latina. No uso de agentes de IA, a proporção chega a 59% no Brasil, contra 54% na região.
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Do experimento à produção
Durante coletiva de imprensa acompanhada pelo IT Forum, executivos do Google Cloud foram questionados sobre o que explica a diferença entre a adoção da tecnologia pelos profissionais e a capacidade das organizações de consolidá-la.
Segundo Flávio Franco, diretor de Forward Deployed Engineering para a América Latina no Google Cloud, desenvolver uma prova de conceito se tornou relativamente simples. A dificuldade aumenta quando a empresa tenta colocar a aplicação em produção e precisa incorporar requisitos como segurança, proteção de informações sensíveis, gestão de riscos e acesso a dados em escala.
“A partir daí, colocar isso em produção exige outras camadas, outros serviços. É onde a grande maioria das empresas fica estrangulada”, afirmou. O executivo também apontou a necessidade de uma arquitetura capaz de atender requisitos de escalabilidade e observabilidade à medida que aplicações deixam a fase de protótipo e passam a ser utilizadas efetivamente pelas organizações.
Marcel Silva, líder de go to market e vendas de IA do Google Cloud para a América Latina, acrescentou que a evolução da tecnologia tem ocorrido em ritmo mais rápido do que a capacitação dos profissionais. Para ele, parte da diferença entre o uso individual e a adoção corporativa ocorre porque as empresas ainda não conseguiram incorporar a IA de forma abrangente aos fluxos de trabalho. Questões relacionadas à privacidade e confidencialidade das informações também dificultam essa integração.
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Agentes pessoais entram no ambiente de trabalho
O estudo mostra ainda que a adoção de IA nas empresas não acontece necessariamente por meio de ferramentas disponibilizadas pelas próprias organizações.
No Brasil, 38% dos profissionais afirmam utilizar regularmente agentes pessoais de IA para realizar tarefas de trabalho. Entre esses usuários, 59% consideram que a prática oferece risco baixo ou nenhum risco para a empresa.
A pesquisa também afirma algumas razões para a utilização de ferramentas pessoais. 22% dos profissionais, dizem que suas organizações não disponibilizam recursos de IA, enquanto 29% afirmam que os agentes oferecidos pelas empresas não se integram ou não funcionam com aplicações de outras marcas utilizadas no cotidiano.
Além disso, 39% consideram seus agentes pessoais mais fáceis de acessar e utilizar. A mesma proporção afirma se sentir mais segura ao utilizar a própria ferramenta, enquanto outros 39% apontam uma maior percepção de privacidade.
O cenário ajuda a explicar outra preferência identificada pelo levantamento: 46% dos profissionais brasileiros preferem agentes de IA integrados nativamente às ferramentas utilizadas no trabalho, contra 37% na média latino-americana.
Medo de substituição acompanha avanço da IA
A expansão da tecnologia também ocorre em meio à preocupação dos profissionais sobre os impactos da automação em suas funções. Segundo o levantamento, 62% dos trabalhadores brasileiros temem que ensinar ou programar uma IA para executar partes de seu trabalho possa tornar suas funções dispensáveis, ante 57% na América Latina.
Ao mesmo tempo, 75% afirmam não saber exatamente o que perguntar ou como utilizar melhor a inteligência artificial. Na média latino-americana, o percentual é de 77%.
Para Marcel, ampliar a adoção corporativa passa pela oferta de ambientes de IA que combinem acesso à tecnologia com governança e segurança,. A avaliação é que a integração aos sistemas empresariais pode reduzir a dependência de ferramentas pessoais e permitir que o uso de agentes avance para processos mais críticos das organizações.
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Fonte: https://itforum.com.br/17-agentes-de-ia-aponta-google-cloud/


