Binance recompõe 98% dos ativos após ataque de US$ 6 bi em criptomoedas

A Binance recompôs 98% dos ativos afetados pelo ataque cibernético de 29 de outubro, quando hackers roubaram mais de US$ 6 bilhões em criptomoedas da maior exchange do mundo. O co-diretor-executivo da plataforma, Richard Teng, afirma à CNBC nessa terça-feira (3) que os invasores passaram meses preparando a ofensiva antes de executá-la.

Segundo Teng, ao canal CNBC, os atacantes usaram entrevistas de emprego falsas, software malicioso e ferramentas internas de inteligência artificial (IA) comprometidas para infiltrar a infraestrutura de carteiras da plataforma. Ele rejeitou a ideia de que houve um único ponto de falha, como o computador de um funcionário específico.

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Meses de preparação

Os preparativos começaram em junho de 2026, quando um engenheiro da equipe de operações de desenvolvimento (DevOps) de carteiras da Binance baixou uma versão adulterada do gerenciador de pacotes Homebrew ao buscar uma ferramenta de programação com suporte de IA em um mecanismo de busca. Um relatório de segurança publicado pela Binance nessa terça-feira (3) diz que a empresa detectou a atividade suspeita, substituiu o dispositivo do funcionário e atualizou credenciais como precaução. Ainda assim, o papel do engenheiro e de seus colegas na equipe de infraestrutura de carteiras já havia sido exposto aos hackers.

“Em junho, criaram uma versão falsa de uma ferramenta de desenvolvimento e atraíram um dos nossos engenheiros para instalá-la”, afirma Teng ao programa “Squawk on the Street”, da CNBC. “Em setembro, se passaram por recrutadores e conduziram uma série de entrevistas de emprego com outro engenheiro, o que resultou em um exercício de programação que continha malware oculto, projetado para escapar da segurança.”

A partir daí, segundo o co-CEO, os invasores avançaram pelas ferramentas internas de IA da empresa e obtiveram acesso ao sistema que autoriza transações de carteiras.

Resposta ao ataque

Teng não atribui diretamente o ataque à Coreia do Norte, mas reconhece que o Federal Bureau of Investigation (FBI) vinculou a ação a hackers norte-coreanos ligados ao grupo TraderTraitor.

A Binance bloqueou temporariamente determinados saques, se comprometeu a cobrir todas as perdas de clientes e usou suas próprias reservas para repor os ativos afetados. A empresa e parceiros do setor, entre eles a Tether, a Circle e a Ripple, congelaram cerca de US$ 3 bilhões em ativos, embora parte dos fundos roubados continue circulando por canais de lavagem. A Coinbase bloqueou transferências para carteiras comprometidas e ofereceu assistência direta à Binance.

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Até nessa terça-feira (3), a plataforma havia reconstruído o sistema de carteiras e a ferramenta interna de IA afetados, substituído dispositivos comprometidos, desativado credenciais e tokens associados aos engenheiros envolvidos e ampliado as varreduras de segurança nos dispositivos dos funcionários.

“Também estamos contratando um especialista independente para revisar tudo o que fizemos e continuaremos fortalecendo nossas defesas enquanto a investigação avança”, explica Teng. “Estamos trabalhando sem parar com agências de segurança pública e parceiros do setor para rastrear e congelar os fundos roubados.”

A Binance afirma que permanece financeiramente sólida e continua comprando ativos ainda mais ilíquidos que compõem o saldo restante dos 2% ainda não repostos.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/binance-recompoe-98-dos-ativos-apos-ataque/