De programador e gestor de sistemas a conselheiro estratégico e líder da transformação digital, Cláudio Fontes construiu, ao longo de mais de quatro décadas, uma trajetória marcada pela capacidade de conectar tecnologia, negócios e inovação. Ao longo de sua carreira, acompanhou de perto algumas das principais transformações do mercado e ajudou organizações a transformar desafios operacionais em oportunidades de crescimento.
Formado em Administração, com estudos complementares em Contabilidade e Economia, o especialista do IT Forum Inteligência teve seu primeiro contato com a tecnologia quase que por acaso. Na época, atuava em uma grande empresa do setor sucroenergético em que participava de um amplo projeto de modernização corporativa.
Ao contribuir com sugestões para aprimorar processos e redesenhar estruturas organizacionais, passou a se aproximar da área de tecnologia. O interesse rapidamente se transformou em carreira. Em meio às mudanças que marcaram o final dos anos 1980, envolveu-se em projetos de automação industrial, infraestrutura, telecomunicações e desenvolvimento de sistemas, ampliando gradualmente sua atuação.
Sua experiência técnica incluiu programação em COBOL e SQL, além do trabalho com mainframes, servidores e redes. Com o tempo, porém, percebeu que sua principal contribuição não estava apenas na construção de sistemas, mas na capacidade de utilizar a tecnologia para transformar operações e gerar resultados concretos para as empresas.
“Embora eu seja apaixonado por tecnologia, sempre a enxerguei como um meio, nunca um fim. Quem trabalha com tecnologia precisa olhar para o que isso está contribuindo de fato e para o impacto que gera no bottom line. Se não está funcionando, reveja, mude. Até os nãos nos ajudam a crescer”, diz.
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Da operação à estratégia
Ao assumir posições de liderança em empresas como Solar Coca-Cola, ASUG Brasil e PMI-PR, Fontes acompanhou uma mudança fundamental no papel da tecnologia dentro das empresas: a transição de uma função predominantemente operacional para uma posição estratégica e cada vez mais próxima das decisões de negócio.
A vivência internacional em projetos globais de tecnologia e transformação empresarial ampliou ainda mais sua visão sobre governança, integração de processos e gestão de mudanças em larga escala. Essa experiência se refletiu em iniciativas consideradas pioneiras para a época.
Um dos exemplos mais marcantes foi a digitalização da força de vendas no início dos anos 2000. Em um período em que a transmissão móvel de dados ainda dava seus primeiros passos, Fontes liderou projetos que conectaram vendedores em campo às operações corporativas quase em tempo real.
O impacto foi significativo. A iniciativa reduziu o intervalo entre a captura dos pedidos e a tomada de decisões, trazendo ganhos para áreas como logística, gestão de estoques e planejamento da produção.
Foi também nesse período que aprofundou sua atuação em inteligência de mercado e cultura orientada por dados. Muito antes de termos como analytics e data-driven se tornarem parte do vocabulário corporativo, já estruturava equipes multidisciplinares capazes de transformar informações em suporte para decisões estratégicas e comerciais.
Sua participação em processos de fusões e aquisições reforçou ainda mais essa visão. Atuando em comitês executivos e trabalhando em conjunto com áreas como operações, marketing, recursos humanos, supply chain e finanças, ajudou empresas a acelerar integrações complexas e a posicionar a tecnologia como um catalisador do crescimento sustentável.
Após completar 65 anos, Fontes encerrou seu ciclo na operação executiva para iniciar uma nova etapa profissional como Technology Advisor. A mudança permitiu que continuasse próximo dos temas que marcaram sua carreira — inovação, estratégia e transformação empresarial — ao mesmo tempo em que passou a compartilhar sua experiência com diferentes organizações e lideranças.
O futuro da tecnologia empresarial
Na visão de Fontes, a computação em nuvem foi o grande catalisador da transformação digital em escala. Mais do que uma simples migração de sistemas, a mudança representa uma nova lógica para o uso da informação dentro das organizações.
“Em uma empresa orientada por dados, a informação já precisa nascer em ambiente cloud. É ali que se tornam viáveis o processamento massivo, a conectividade, o compartilhamento em escala e a democratização do acesso à informação”, explica.
Segundo ele, essas capacidades são fundamentais para sustentar projetos de analytics e inteligência artificial, que frequentemente começam de forma pontual, mas rapidamente ganham volume, complexidade e demanda computacional.
Apesar da velocidade das mudanças, Fontes não acredita no desaparecimento dos sistemas de gestão empresarial. Para ele, o futuro do ERP será marcado por uma evolução profunda de arquitetura e modelo operacional.
Em vez de plataformas monolíticas, a tendência aponta para ecossistemas componíveis, modulares e fortemente integrados à automação inteligente e à inteligência artificial.
Nesse cenário, os modelos tradicionais de ERP caminham para o esgotamento. Os processos de negócio continuarão existindo, mas serão suportados por plataformas significativamente diferentes das atuais, tanto em arquitetura quanto em formas de licenciamento, consumo e geração de valor.
“Sob uma perspectiva maior, a inteligência artificial, a personalização em escala e os novos modelos de interação entre empresas e consumidores representam apenas o início de uma transformação ainda mais profunda”, finaliza.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/claudio-fontes-futuro-modular-inteligente-dados/

