O custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$ 7,44 milhões em 2026, um recorde, segundo o relatório Cost of a Data Breach, da IBM, divulgado nesta quinta-feira, 15. A alta de 3,5% sobre os R$ 7,19 milhões de 2025 é mais branda do que os 6,5% registrados naquela edição, mas mantém a conta em patamar inédito.
O estudo, conduzido pelo Ponemon Institute e patrocinado e analisado pela IBM, reúne experiências de 602 organizações no mundo, 42 delas no Brasil, que sofreram violações entre março de 2025 e fevereiro de 2026.
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A saúde lidera com R$ 12,55 milhões por incidente, acima dos R$ 11,43 milhões de 2025. Tecnologia (R$ 8,96 milhões) e serviços (R$ 8,63 milhões) completam a lista dos mais custosos. No ano passado, as finanças ocupavam a segunda posição, com R$ 8,92 milhões.
Inteligência artificial pesa nos dois lados
Uma em cada quatro ameaças maliciosas é impulsionada por inteligência artificial (IA). Globalmente, os ataques gerados por IA custam em média R$ 35 milhões, cerca de R$ 6 milhões a mais por violação do que os demais incidentes. A maioria deles (62%) visou infraestrutura crítica, como serviços financeiros e energia.
“A economia dos ciberataques está mudando radicalmente. A inteligência artificial permite aos criminosos automatizar etapas, explorar vulnerabilidades em maior escala e acelerar ataques a um custo cada vez menor. Para as empresas, quanto maior o atraso, maior o custo”, explica Nicolas Mucci, líder de serviços de cibersegurança da IBM Consulting na América Latina.
A tecnologia também favorece quem se defende. As organizações brasileiras com uso amplo de IA e automação em segurança relataram custo médio 30% menor. Entre as que não adotam esses recursos, o valor sobe para R$ 8,69 milhões, diferença de mais de R$ 2,6 milhões. Mesmo assim, só 33% das empresas no País planejam aumentar investimentos em ferramentas de segurança e governança de IA.
Phishing perde espaço, mas fica mais caro
O phishing, que usa mensagens falsas para roubo de dados por e-mail, voz ou texto, e o comprometimento da cadeia de suprimentos são as causas iniciais mais comuns no País, com 16% dos incidentes cada. O primeiro custa em média R$ 7,93 milhões. O segundo, em que criminosos exploram vulnerabilidades de fornecedores ou parceiros confiáveis para chegar à vítima, custa R$ 7,32 milhões. Em 2025, o phishing respondia por 18% das violações, com custo médio de R$ 7,18 milhões.
Entre os fatores que encarecem a conta estão a complexidade dos sistemas de segurança, com múltiplas ferramentas e processos, que adiciona em média R$ 645,2 mil ao custo de cada violação, abaixo dos R$ 725,4 mil registrados em 2025. A falta de visibilidade sobre aplicações não autorizadas usadas por funcionários, prática conhecida como shadow IT, representa um custo adicional de R$ 720,3 mil.
No Brasil, os testes de segurança ofensivos, que simulam ataques reais para identificar vulnerabilidades, são a medida com maior economia média por incidente, de R$ 579,4 mil. Na sequência aparecem a criptografia, com R$ 478,1 mil, e a gestão de credenciais, que reforça o controle de acesso aos sistemas, com R$ 454,7 mil.
Cenário global mostra falhas básicas
Os incidentes de ransomware chegaram a 39%, alta de 5% sobre o ano anterior, e os invasores passaram a explorar a reputação da marca (41%) como forma de pressão. Entre as organizações violadas, apenas 37% criptografavam dados sensíveis armazenados ou em trânsito.
Nas violações que envolveram modelos ou aplicações de IA das próprias empresas, o comprometimento de interfaces de programação e plug-ins e as configurações incorretas de nuvem responderam, cada um, por 27% dos casos. O risco está também nos sistemas que cercam os modelos.
Recomendações
Para Mucci, reduzir a assimetria entre atacantes e empresas exige “encurtar a distância entre identificar um risco e agir sobre ele”. Segundo ele, isso passa por integrar segurança e remediação aos fluxos de desenvolvimento, fortalecer a proteção de identidades e acessos e usar automação para responder na velocidade das ameaças.
O recorde de 2026 cresce menos do que o de 2025, mas o relatório indica que o prejuízo depende cada vez mais do tempo de resposta. Falhas conhecidas que permanecem abertas custam mais do que os ataques que as exploram.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/custo-violacao-dados-brasil-recorde/


