Por Silvio Ferraz de Campos,
A inteligência artificial reduz o valor econômico da genialidade isolada e aumenta o valor da coordenação. Esse movimento muda a forma de inovar e muda, junto, a infraestrutura necessária para sustentar a inovação. Um estudo publicado em 2026 na revista científica Nature Human Behaviour analisou mais de 205 milhões de trabalhos científicos, conectou mais de 90 milhões de pesquisadores e identificou 511.550 núcleos de colaboração persistente. Estudo sobre colaboração científica A evidência antecede a atual expansão da inteligência artificial e ajuda a desmontar uma ideia antiga. Problemas difíceis exigem competências complementares, continuidade e coordenação.
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A inteligência artificial acrescenta uma nova camada a essa lógica. Ela permite decompor uma tarefa, distribuir partes entre agentes especializados, confrontar evidências e recompor o resultado em um ciclo muito mais curto. Em um experimento publicado em maio de 2026, um sistema multiagente analisou 551 artigos em 30 minutos. Os pesquisadores estimaram 294 horas para o trabalho humano equivalente e calcularam redução de 200 vezes no tempo dedicado ao fluxo científico completo. Estudo sobre sistema multiagente A comparação usa estimativas de literatura para o tempo humano, portanto merece leitura precisa. O ponto relevante permanece. A inteligência artificial reduz o custo de coordenar conhecimento especializado.
Nas empresas, essa capacidade tende a ampliar o número de pessoas, áreas e processos aptos a executar tarefas antes restritas a equipes pequenas. A consequência para a infraestrutura é direta. Mais usuários, modelos mais complexos e agentes com várias etapas multiplicam inferências, movimentação de dados e horas de processamento. Em 2025, a demanda mundial de eletricidade dos data centers cresceu 17%. Nos centros voltados à inteligência artificial, o crescimento chegou a 50%. Relatório sobre energia e inteligência artificial A expansão da capacidade intelectual passa a exigir disciplina física.
A corrida da inteligência artificial costuma ser associada aos modelos, algoritmos e agentes. No entanto, o limite prático dessa revolução continua sendo físico. Energia, refrigeração, conectividade e capacidade computacional definem a velocidade com que uma empresa consegue transformar conhecimento em resultado. Na prática, a infraestrutura tornou-se um dos pilares centrais da estratégia de IA.
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É aqui que o CIO precisa rever a unidade de medida da capacidade. Servidores instalados dizem pouco quando energia, refrigeração ou alimentação elétrica limitam sua utilização. Entre 2020 e 2025, a densidade de potência dos servidores de inteligência artificial aumentou 11 vezes. Até 2027, a projeção aponta outro aumento de quatro vezes. Um rack avançado poderá atingir pico de potência equivalente ao consumo de 65 residências. Análise sobre densidade de potência dos servidores A escolha de servidor exige análise conjunta de processadores, memória, preço, alimentação elétrica e refrigeração.
Há ainda um problema menos intuitivo. A potência exigida pela inteligência artificial varia com velocidade e amplitude incomuns em cargas corporativas convencionais. Uma análise técnica publicada em dezembro de 2025 registra que conjuntos sincronizados de GPU (Graphics Processing Unit, unidade de processamento gráfico) podem alcançar 150% da potência máxima em regime estável. Análise sobre oscilações de potência em cargas de inteligência artificial Picos dessa natureza pressionam fontes, sistemas de alimentação ininterrupta, conectores e baterias. Também elevam risco de reinicialização, degradação de componentes e custo total de propriedade. Dimensionar pela média cria uma falsa sensação de capacidade.
O Brasil já precisa incorporar essa lógica aos projetos em curso. Um estudo setorial publicado em setembro de 2025 projeta consumo de 27,3 TWh pelos data centers em 2029, equivalente a 3,6% do consumo nacional. A mesma análise estima 2.192 MW de potência instalada de TI naquele ano. Estudo setorial brasileiro sobre consumo de energia em data centers. Para uma empresa, esse contexto valoriza projetos capazes de entregar mais computação útil dentro de limites elétricos e térmicos conhecidos.
Um data center inteligente, portanto, precisa conhecer a carga que executa. Precisa relacionar perfil de processamento, densidade por rack, rede, armazenamento, potência disponível, refrigeração e margem de expansão. Em cargas de inteligência artificial, a arquitetura também deve acompanhar transientes elétricos e ocupação dos aceleradores. Essa visão permite comparar infraestrutura própria, nuvem e ambientes especializados com base no custo total, na capacidade sustentada e na eficiência por carga de trabalho.
A discussão sobre inteligência coletiva termina em uma decisão de engenharia. A distribuição da capacidade intelectual amplia a obrigação de sustentar a computação exigida por esse trabalho. O CIO que tratar energia e refrigeração como premissas tardias poderá comprar capacidade que jamais usará plenamente. A próxima vantagem competitiva em inteligência artificial pertence às empresas capazes de converter energia, silício e conhecimento em computação útil, disponível e economicamente previsível.
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Fonte: https://itforum.com.br/artigos/data-centers-inteligentes/


