Organizações que já estruturaram um Programa de Governança de Dados planejam investir mais em inteligência artificial do que as que ainda não iniciaram essa jornada. Os dados são da edição de 2026 da pesquisa “O cenário atual dos profissionais no mercado de Gestão de Dados”, produzida pela BLR Data, consultoria em Governança de Dados no Brasil. O levantamento reuniu 231 respondentes de diferentes setores da economia.
Entre as empresas com um programa de Governança de Dados em andamento, 76% informaram que planejam níveis altos ou moderados de investimento em inteligência artificial (IA), segundo a pesquisa. Nas organizações que ainda não iniciaram essa estruturação, o percentual cai para 52,2%.
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Planejamento formal amplia propensão a investir
A diferença se acentua quando o recorte considera a existência de um plano formal para evolução da maturidade em Governança de Dados. Entre as empresas que já seguem esse planejamento, 78,7% indicaram investimentos altos ou moderados em IA. Nas organizações sem plano formal, o índice foi de 61,6%.
A pesquisa não permite concluir que a Governança de Dados seja, isoladamente, a causa de maior investimento em IA. O que os números mostram é que as duas agendas aparecem com mais frequência nas mesmas organizações. O resultado sugere que empresas capazes de estabelecer prioridades, responsabilidades e etapas para a Governança de Dados também apresentam maior propensão a tratar a IA como iniciativa contínua, e não como conjunto de projetos pontuais.
Investimento em IA sem governança traz riscos
Um dado chama a atenção: mais da metade dos respondentes de empresas que ainda não iniciaram um programa de Governança de Dados indicou planos de investimento alto ou moderado em IA. Isso significa que muitas organizações avançam com inteligência artificial antes de estabelecer uma estrutura mais formal para a gestão dos dados.
O fundador e sócio-diretor da BLR Data, Bergson Lopes Rêgo, explica que a adoção de IA depende de condições que vão além da escolha de ferramentas e modelos. “A empresa pode experimentar inteligência artificial sem possuir uma Governança de Dados estruturada, mas terá mais dificuldade para escalar os projetos, controlar riscos e manter resultados consistentes. Quando as responsabilidades e os processos relacionados aos dados já estão mais claros, a organização consegue tomar decisões de investimento com mais segurança”, afirma Rêgo.
Dados incompletos, inconsistentes ou mal compreendidos se tornam um problema quando utilizados por uma ferramenta de IA. Em certos casos, os efeitos se ampliam porque as soluções passam a reproduzir esses problemas em maior velocidade e escala.
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Governança de Dados e IA podem avançar juntas
A pesquisa da BLR Data não defende que toda empresa precise concluir um amplo programa de Governança de Dados antes de adotar IA. As duas iniciativas podem progredir em paralelo, desde que os casos de uso sejam acompanhados por controles compatíveis com os riscos e com a importância dos dados envolvidos.
Para Rêgo, a adoção da IA pode funcionar como estímulo para que as organizações revisem suas práticas de gestão e governança. “À medida que os projetos avançam, tornam-se mais evidentes as limitações relacionadas à qualidade, à integração, à documentação e à definição de responsabilidades”, explica.
A estrutura necessária varia conforme o porte, o setor, a complexidade dos casos de uso e o nível de risco. Organizações que utilizam IA em processos críticos, em decisões sobre clientes ou em atividades reguladas precisam de controles mais rigorosos do que empresas em fase inicial de experimentação. Entre os elementos relevantes em diferentes contextos estão: definir responsáveis pelos dados, estabelecer critérios mínimos de qualidade, controlar acessos, documentar as fontes utilizadas e avaliar os resultados produzidos pelos modelos.
“O erro é imaginar que a IA pode ser escalada apenas com investimento em tecnologia. Quanto mais relevante for o seu uso, maior será a necessidade de compreender a origem dos dados, sua qualidade, as permissões de acesso e os impactos de decisões automatizadas. A Governança de Dados cria parte dessa base. O desafio, portanto, é garantir que a velocidade de adoção da tecnologia seja acompanhada pela evolução da capacidade de gerenciar os dados que a sustentam”, finaliza Rêgo.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/empresas-governanca-dados-investimentos/


